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| Carinho
para tratar Márcia, måe de Rodrigo, 9
anos, espirrou extrato de boldo na boca do filho para conter
sua agressividade, a conselho da Associação dos
Amigos do Autista (AMA) de Ribeirão Preto: "Isso
só prejudicou meu filho" |
Rodrigo
Francisco Órbes é um menino de nove anos que gosta
de correr em gramados amplos. Quem o vê de relance não
o distingue de outras crianças da sua idade. Mas Rodrigo
é diferente. Ele é autista. Vive trancado em seu próprio
mundo. Não fala, vez por outra anda de um lado para o outro
e faz movimentos intermitentes com as mãos. Quando escuta
a frase "dá um beijo na mamãe", Rodrigo
não pula de imediato no pescoço da professora universitária
Márcia de Lourdes Francisco, como filhos pequenos costumam
reagir a esse pedido. Depois de a mãe sinalizar várias
vezes a mão nos lábios e em seguida na face, ele encosta
seus lábios no rosto dela. O gesto de Rodrigo pode não
ser exatamente um beijo, mas sela a troca de carinho entre mãe
e filho. E o sorriso maternal é a prova disso.
Diferente
de Rodrigo, Luana Felício, 14, comunica-se por repetição.
Seu pai, o engenheiro Donato de Felício, 43, chama a filha
para o quintal de casa, em Ribeirão Preto (SP): "Luana,
faz carinho no passarinho", o pai diz. A filha, alfabetizada
pela mãe, toca a gaiola e repete: "Luana faz carinho
no passarinho".
Luana
também é portadora do estado mental definido em 1943
por Lao Kanner como distúrbio de desenvolvimento - permanente
e incapacitante - e que atinge, na estimativa mais conservadora,
cerca de 65 mil pessoas no Brasil. Numa recente reportagem de capa,
a revista Time diz que, nos últimos anos, os casos
de autismo têm se intensificado e alcançam hoje mais
de um milhão de americanos.
Tanto
Rodrigo quanto Luana freqüentavam a Associação
de Amigos do Autista (AMA) de Ribeirão Preto. Lá aprendiam
a reagir a estímulos a partir de terapia comportamental aliada
ao método por associação de imagem Teacch -
Treatment and Education for Autistic and Related Communication
Handicapped Children -, o mais indicado internacionalmente para
autismo. Há um mês, contudo, a mãe de Luana,
Rosa Maria de Miguel, formalizou denúncia ao Ministério
Público de que a entidade responsável pelo atendimento
de 45 autistas maltratava os alunos.
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