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30/09/2002

   
 
Felipe Barra
Em 1982, quando era secretário parlamentar
do então senador e candidato ao governo de Minas
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Felipe BarraCapa - Chegou a vez do neto
Felipe BarraAndréia Neves Participei da fundação do PT

Felipe Barra"Quero me casar de novo"

 

 

Capa /Aécio Neves
Chegou a vez do neto
O presidente da Câmara deve se eleger governador de Minas Gerais, 20 anos após ter largado surfe e namoradas no Rio para ajudar o avô Tancredo Neves na disputa pelo comando do Estado

Fábio Farah, de Belo Horizonte

 
Felipe Barra
Aécio vê o retrato de Tancredo Neves em sua casa, em Belo Horizonte

Em 1971, o deputado Aécio Ferreira da Cunha foi convidado a fazer um curso na Escola Superior de Guerra, por onde passava a elite dirigente do Brasil durante o regime militar. Mudou-se da capital mineira para a Avenida Atlântica e foi assim, morando de frente para o mar de Copacabana, que seu único filho homem, Aécio Neves Cunha, aprendeu a pegar onda. Onze anos depois, contudo, o rapaz que gostava de andar de moto e tinha fama de namorador, teve seu destino interceptado pelo avô materno. No escritório do seu apartamento no Rio, onde ocorriam as conversas sérias, o então senador Tancredo Neves chamou a filha, Inês Maria, e disse: "Estou querendo te pedir para deixar o Aécio ir comigo para Minas. Ele vai ter que aprender muito". Inês ficou com o coração apertado. "Eu falei: 'Papai, vou ficar sozinha?'", lembra-se a mãe de Aécio. No mesmo dia, Tancredo fez a proposta para o neto: "Você não quer largar essa vida de surfista e conhecer direito a sua terra?". "Pensei que ele estivesse brincando e disse que iria." Dois meses depois Tancredo ligou, de Belo Horizonte, para o neto: "É agora".

Em menos de 48 horas, Aécio acompanhava o avô como seu secretário particular na campanha pelo governo de Minas. Percorreram juntos mais de 300 cidades do Estado. Tancredo ganhou a disputa e Aécio virou político. Agora, exatos 20 anos depois, o hoje presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves Cunha, está a um passo de repetir o feito do avô: na disputa pelo governo de Minas Gerais, ele tem 49% das intenções de voto, quase o dobro do que todos seus adversários juntos, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope no dia 16.

Em carreatas ou comícios, Aécio diz vislumbrar flashes dos momentos que viveu com Tancredo. "Minha campanha tem uma coisa muito mística." Quando as pessoas avançam no carro para tocá-lo, Aécio se lembra do avô em um carro branco conversível em Belém, na campanha para angariar votos para o Colégio Eleitoral, em 1984, que fariam de Tancredo o primeiro presidente de oposição, após 21 anos de regime militar.

Apesar do legado, Aécio não vincula sua campanha à imagem do avô estadista. "Aconselhamos ele a fazer isso, mas Aécio prefere a independência política conquistada", diz a coordenadora de imprensa da campanha, Heloísa Neves. Semelhanças físicas e de comportamento, como o aceno aos eleitores com a mão direita para o alto, no gesto característico do avô, não deixam dúvidas de que, em Minas, a política tem raízes místicas e genéticas. "Às vezes parece que meu pai desce sobre meu filho", diz Inês Maria. "Acho que é destino. Nada acontece por acaso."

Divorciado e pai de Gabriela, 11 anos, que mora no Rio com a mãe, o candidato não consegue ficar um dia sem ligar para a filha e faz questão de encontrá-la pelo menos uma vez por semana. "Ela é o que há de mais vital na minha vida." Desde que se separou, há quatro anos, Aécio namorou muito, mas diz que não teve uma relação séria. "Quero casar novamente e dar irmãozinhos para a Gabriela. Mas não tenho pressa", diz. O sucesso de Aécio com as mulheres é tão antigo que virou folclore. Até hoje ele se lembra de um episódio quando viajou com Tancredo para a Espanha e foi recebido no Palácio do Rei Juan Carlos, em 1985. As princesas Helena e Cristina serviam a mesa e ele se encantou com as infantas. Elas olhavam para ele, cochichavam e sorriam, mas temendo que o avô o despachasse antes do fim da viagem ele se conteve e não foi conversar com as duas. No avião de volta para o Brasil, Tancredo bateu com a mão na perna de Aécio e disse: "Você parece um bicho do mato mesmo. Duas princesas sorrindo para você e nem para ir conversar com elas". Sempre que se lembra do episódio, Aécio ri: "Eu queria que o avião voltasse. Ele passou anos e anos brincando com isso. Era um grande gozador", conta.

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