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23/09/2002

   
 
 Edu Lopes
Genoino cuida das plantas no quintal de sua casa: “Adquiri o hábito no tempo em que era lavrador, aos quinze anos”.
 Edu Lopes
O candidato do PT ao governo paulista exibe sua coleção de canetas: “Cada uma está associada a um fato que eu vivi. As Parkers foram usadas na campanha das Diretas”.
 

 

Campanha /José Genoino
Da guerrilha ao governo - continuação

 
 Edu Lopes
Genoino toma café da manhã com a mulher, Rioco, descendente de japoneses, e com o filho Ronan, 18

Nascido em Quixeramobim, José Genoino guarda resquícios do sotaque da infância, mas sua paixão pelo Corinthians atesta a integração à vida de São Paulo. Essa paixão foi conseqüência do trauma da prisão. Após ser solto em 1977, dava aula de história no cursinho Equipe, mas temia andar sozinho nas ruas e foi aconselhado por um amigo a se curar levando um susto. “Vá para a final do Corinthians com a Ponte Preta no Morumbi”, sugeriu o amigo. “De repente eu não ouvia gente, não ouvia gol, não ouvia nada. Parecia que estava bêbado. Fiquei na farra com os torcedores até de manhã e perdi o medo de andar sozinho”, comenta aos risos.

O trauma do qual Genoino não conseguiu se recuperar dos anos de prisão é o medo de ficar sozinho em lugares fechados. “Fiquei muito tempo em cela solitária e sofro de claustrofobia até hoje.” Certa vez ele e a esposa foram assistir ao filme Henrique V. Incomodado com a superlotação ele resolveu sair no meio da sessão. Ao cruzar a porta de emergência, ela se trancou pelo lado de dentro e ele não conseguia voltar para a sala, nem sair do corredor. “Estava muito escuro. Entrei em pânico e comecei a berrar e a esmurrar a porta”, conta. Quando a porta foi aberta, Genoino estava suando. Envergonhado, saiu correndo do cinema, agachado.

“Nesse dia vi que realmente o trauma da prisão dele era um problema sério”, comenta Rioco Kayano, mulher de Genoino há 25 anos. Os dois se conheceram em 1969 nas reuniões do clandestino PC do B, mas só começaram a namorar em 1973 quando se reencontraram na prisão. “Peguei um papel de seda azul, bem bonito, e fiz uma carta de amor”, entrega Rioco, que passou 1 ano e nove meses presa por militar em partido ilegal. “Ele não tinha iniciativa.” O namorado foi transferido para a prisão de Fortaleza e eles só se reencontraram em 1977. Genoino tinha sido solto e se mudou para São Paulo, com o objetivo de arranjar emprego e morar com Rioco.

Pai de três filhos, Mirula, 21, Ronan, 18 – com Rioco – e Mariana, 17 – de uma relação extra-conjugal que ele teve em Brasília –, Genoino dorme no máximo cinco horas por dia. “Depois dos 50 não dá para perder tempo dormindo”, diz o filho mais velho de dez irmãos que começou a trabalhar aos doze como lavrador. A oportunidade de estudar surgiu por meio de um padre que o convenceu a se tornar sacristão. O futuro guerrilheiro começou a militância política na Faculdade de Filosofia, no Recife. Em 1968, com o AI-5, que suprimiu as liberdades individuais e endureceu o regime militar, ele fugiu para São Paulo no porta-malas de um carro, usando o nome falso de José Geraldo, natural de Crateús (CE). Foi assim que o candidato chegou ao Estado onde hoje cultiva um jardim de votos.

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