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23/09/2002

   
 
Amarrado a uma árvore, José Genoino é preso como guerrilheiro no Araguaia, em 1972. Abaixo, documentos inéditos: o alvará de soltura de Genoino depois de cinco anos preso e sua primeira carteira de trabalho

 

Campanha /José Genoino
Da guerrilha ao governo
Preso, e torturado, por cinco anos na ditadura militar, o deputado do PT ainda não conseguiu superar a claustrofobia adquirida nos porões da repressão, mas é o rosto novo com chances de vencer a disputa pelo Estado mais importante do País

Fábio Farah

 
Edu Lopes
"Mudei, mas não de lado. Gosto de dizer que sou um democrata radical" José Genoino

Em 1970, no dia em que a Seleção Brasileira comemorou o Tricampeonato Mundial de Futebol, desfilando em carro aberto, no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo, José Genoino usava identidade falsa com o nome de José Geraldo. Passou pela festa e seguiu até a rodoviária. Pegou um ônibus para Campinas (SP), de lá seguiu para Anápolis (GO) e, finalmente, chegou a Imperatriz (MA). Foi a última cidade em que pisou antes de entrar na selva, na região do Araguaia.

“Não podia mais viver em São Paulo”, diz o atual candidato do PT ao governo paulista. “Fiquei visado por causa da militância no PC do B, partido clandestino na época, e só me restaram duas opções: o exílio ou a resistência.” Genoino optou pela guerrilha contra o regime militar. Em abril de 1972, após dois anos de treinamento na mata virgem, José Genoino recebeu a missão de levar uma mensagem para outro grupo de guerrilheiros. Perdeu-se dos companheiros e dormiu sozinho na floresta. No momento em que acordava foi encontrado por soldados da Polícia Militar e confundido com um lavrador. Mesmo assim foi amarrado e levado para a casa onde seus companheiros moravam. Todos tinham fugido e ele foi parar nos porões da ditadura.

Depois de cinco anos de prisão e tortura, Genoino decidiu que era hora de trocar as balas pela caneta. “Mudei, mas não de lado. Gosto de dizer que sou um democrata radical”, afirma ele, que desde então só atira com uma coleção de raridades políticas. “Cada caneta representa um momento de minha vida política.” Eleito deputado federal cinco vezes seguidas – na última, em 1998, teve a maior votação do País – ele mostra as canetas com que assinou as CPIs de que participou e a série de Parkers usadas na campanha das Diretas Já.

O ex-guerrilheiro mora num sobrado geminado no Butantã, bairro de classe média da capital. No quintal da casa, plantas bem cuidadas denunciam uma paixão do terceiro colocado na pesquisa do Ibope, divulgada na segunda 16: com 19% das intenções de voto, ele é o rosto novo capaz de disputar o segundo turno com o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, ou o ex-governador Paulo Maluf, do PPB. “Cuido do meu jardim pelo menos uma vez por semana”, conta Genoino, que adquiriu o hábito quando era lavrador.

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