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16/09/2002

   
 
Fotos: Edu Lopes
“Queria que fosse como o Freddy Krueger, aí sairia correndo. Mas ele não anda torto, é comum’’
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Fotos: Edu LopesCaçadora de serial killer
Fotos: Edu LopesEntrevista - “Não há defesa contra serial killer”
Ricardo Stuckert Galeria de matadores
 

 

Crime /Iliana Casoy
“Não há defesa contra serial killer”
Ilana Casoy explica por que rezar é a única
arma contra esse tipo de criminoso

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Rodrigo Cardoso

 

Por que não falou com um serial killer para fazer o livro?
Preciso concluir se o que eles têm a dizer vai contribuir para meu trabalho. Relato, como leiga, os casos. O serial killer é um mentiroso patológico. E não tenho técnica de interrogatório que induziria um diagnóstico. Para ter isso, leio laudos.

Mas não tem curiosidade?
Visitei o presídio da polícia militar Romão Gomes, onde um preso de lá, que gosta de escrever, conversaria com os condenados mais famosos e escreveria as histórias para mim. Conversando com o preso-escritor, perguntei se o Cirineu Letang, um PM serial killer que matou seis travestis, estava preso lá. E o preso me disse: “Tá! Por quê?”. Expliquei que preparava um livro sobre serial killers brasileiros. Aí ele se alterou: “O Cirineu é meu amigo. Ele é dez, um PM maravilhoso”. Fiquei apavorada. Imagina eu, numa sala, com um serial killer!

Temia que ele pudesse matá-la?
Não tenho medo de morrer e sim do sofrimento. Vamos lembrar do Tim Lopes. Qual o custo-benefício disso? O que um serial pode me contar que não saberia sem falar com ele? Tenho uma família que amo que não merece que eu me exponha tanto. O Tim, para o que se dispôs a fazer, tinha de estar na favela. Eu tenho de falar com um serial killer? Até hoje, não.

Vários alegam estar possuídos pelo demônio quando cometem os crimes. O que acha disso?
Todos arranjam desculpa para se tornar criminosos. O (Henry Lee) Lucas (que matou entre 6 e 200 pessoas) culpou a infância. O pai do (Jeffrey) Dahmer, canibal que matou 17, achava que o filho tinha um defeito no cérebro. O (Ted) Bandy disse que a pornografia estragou a vida dele. O (John Wayne) Gacy culpava as vítimas! Podemos culpar o demônio também. Mas é uma saída muito fácil, porque contra o demônio não tem cura.

Há como evitar um ataque?
Não há defesa contra serial killer. Rezar é a única coisa a fazer. Cairia na armadilha do Ted Bundy hoje, depois de escrever o livro. Ele se engessava, andava de muletas e pedia ajuda para carregar livros até o carro. Era galã, formado em direito e falava várias línguas. Eu queria que um assassino desse tipo fosse como o Freddy Krueger, porque aí sairia correndo. Mas ele não tem cicatriz, não anda torto, não tem parafuso no pescoço. É invisível, comum. E as pessoas também não têm noção de que são vítimas. Se eu sair no trânsito pendurada de brilhante e relógio rolex, estará escrito “vítima” na minha testa. No caso de um serial killer, você pode ser vítima porque é moreno ou alto. Tinha um na Grécia que matava quem o chamasse de baixinho!

Uma infância problemática é decisiva na formação de um serial killer?
São três os fatores: biológico, psicológico e social. Mas as infâncias de 82% dos assassinos são péssimas. Tem um serial killer americano que até os 8 anos era vestido de menina pela mãe. Pode imaginar um garoto ir para a escola vestido de menina, sapatinho de boneca? Ele era tão espancado em casa que perdeu um olho, tinha olho de vidro. Acha que pode sair um ser humano equilibrado daí?

Que fatores biológicos explicam o comportamento de um serial killer?
Há estudos que mostraram que a maioria deles no corredor da morte tem uma lesão na parte límbica do cérebro, que faz com que percam controle sobre emoções, como raiva e medo. Há uma pesquisa nova sobre uma enzima que alguns possuem desde o nascimento. São enzimas de busca de adrenalina e quem as possui precisa de mais adrenalina do que os outros. Esses indivíduos podem se tornar pára-quedistas, investigadores de polícia, equilibristas de circo ou, dependendo da infância e o meio social, vão para o crime.

No livro, só há uma serial killer mulher.
As mulheres matam em geral com veneno ou são “anjos da morte”: matam maridos doentes terminais. Mas essa mulher do livro (Aileen Wuornos, que matou sete pessoas nos EUA) mata como homem, atirando. Há muito menos mulher serial killer, 10%. A mulher quando abusada na infância, reage diferente do homem. Ela tende à depressão, suicídio, não é tão raivosa. Mas tem algumas que põem arsênico na comida do marido para matá-lo. O cara vai parar no hospital com problemas estomacais e a mulher continua levando sopa na cama para o marido com arsênico. Fica difícil de se descobrir. Também quase não existem negros serial killers. Achei interessante a explicação de um psiquiatra americano: quando uma criança negra é abandonada porque os pais são drogados ou alcoólatras, a avó assume a criação dela. Os laços familiares são mais fortes entre os negros.

A polícia brasileira está preparada para identificar um serial killer?
Alguns delegados sabem muito do assunto. A chefe da perícia da delegacia de homicídios de São Paulo dá aula de assassinos em série na academia militar. O Maníaco do Parque, se não confessasse as mortes, poderia ser condenado graças a uma única prova material levantada pela perícia. No braço de uma das vítimas foi fotografada de noite no meio da mata a marca de uma mordida do Maníaco. Ele foi levado para o DHPP oficialmente para um exame de fimose, mas tiraram um molde odontológico que, comparado com as fotos da mordida, combinou em todos os detalhes.

O Chico Picadinho (Francisco da Costa Rocha, serial killer brasileiro preso por estrangular e esquartejar duas mulheres) já cumpriu a pena. Por que não foi solto?
Ele não vai sair, muito por causa do erro que cometeram com o Luz Vermelha (João Acácio Pereira da Costa, condenado por 88 crimes, entre eles 4 assassinatos, e solto em 1997). O Luz Vermelha não poderia ser solto por poder matar de novo, mas porque era um nabo vestido de gente, era para o bem dele! Ele tinha sífilis 30 anos atrás. Imagina quanto essa doença degenerou o cérebro dele. Quando foi preso, era galã, recebia rosas vermelhas. Ao sair, era uma sombra do que foi. O psiquiatra que fez o laudo do Luz Vermelha foi execrado. Se o laudo fosse mandado para o papa, o Luz Vermelha seria canonizado. Falava-se de “o bom moço”, “o regenerado”. Soltaram-no e ele foi morto ao se meter numa briga.

Como estão mantendo o Picadinho preso?
A Justiça criminal não pode mantê-lo preso. Uma promotora entrou com um processo de interdição na Justiça civil, em 1998. É como se seu pai ficasse louco e gastasse todo o dinheiro da família e você o interditasse até que ele provasse não ser louco. O Picadinho nunca vai provar que não é louco. Ele não é louco e sim psicopata. E psicopatia não é doença e sim transtorno de personalidade e não tem cura. Ele é tão cruel que na infância lhe disseram que gato tinha sete vidas. Ele foi matando o animal, apunhalando, afogando e ficava vendo se morria mesmo.

E a pena máxima continua sendo de 30 anos.
Há duas curas para um psicopata: preso ou morto. Tem um psiquiatra russo que trata adolescentes com perfil de psicopata. As mães levam até ele os filhos que matam animais, ateiam fogo em objetos, têm fantasias de crimes, mas não mataram gente. Nenhum serial killer começa matando e sim com pequenos delitos. Tem um menino procurado pela polícia que esse médico esconde. Ele já estuprou e espancou uma moça. Vai matar!

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EDIÇÃO 163
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