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16/09/2002

   
 
Roberto Castro/AE
Ele tinha fama de briguento: “Estou mais maduro e priorizando o diálogo em detrimento das brigas”

 

Política / Jorge Viana
E o Jorge voltou
Com 62% na preferência do eleitorado, o governador do Acre recupera seu direito à reeleição, se diz ameaçado de morte e promete transformar o Estado numa Finlândia brasileira

Cecília Maia

 

Quando o dia amanhece no Acre ninguém da equipe do governo sabe o que vai acontecer nas próximas 24 horas. Ficam todos de prontidão, à espera das ordens do governador e candidato à reeleição pelo PT, Jorge Viana, 42 anos. Ele nunca faz o mesmo caminho da casa de sua irmã, onde mora, para o escritório de governo. Não tem horários pré-fixados, e só circula pelas ruas da capital em carro blindado. A quantidade de seguranças que o acompanham é segredo de Estado. Os comícios, carreatas e caminhadas de campanha, incluindo as viagens para o interior, são cercados de providências incomuns no Brasil do século 21. “Eu não posso ter rotina”, avisa o governador, que não se estende no assunto. “Mas ninguém vai me impedir de estar perto do povo”, completa o candidato cheio de coragem.

Tanto cuidado se justifica. Desde que começou a campanha eleitoral, Viana está ameaçado de morte. Durante seu mandato, ele desmantelou o crime organizado e colocou na prisão, com ajuda do governo federal, 41 pessoas, entre policiais militares, empresários e políticos ligados ao crime. “Eles têm esperança de voltar ao poder para ficarem livres”, avalia o governador. Mas a primeira tentativa de tirá-lo do páreo foi fracassada. Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral revogou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral que impugnou a candidatura de Viana no final do mês passado, sob a alegação de fazer propaganda irregular. “Ainda bem que eles tentaram me tirar da eleição pela via legal, se fosse pela forma tradicional eu não teria como recorrer”, brinca, referindo-se à prática antiga no estado de se eliminar os indesejáveis, como aconteceu com o ativista internacionalmente conhecido Chico Mendes e com o ex-governador Edmundo Pinto.

Com o aval do TSE, Viana voltou a Rio Branco, vindo de Brasília, na quarta-feira, 4, depois de ter ficado 12 dias recolhido, sem fazer campanha. Foi carregado por milhares de pessoas que espontaneamente foram às ruas para comemorar a decisão. “Foi a coisa mais emocionante desta campanha”, diz ele. Confiante e contando com 62% na preferência do eleitorado, segundo o Ibope, Viana deve ser um dos poucos candidatos ao governo estadual a se eleger no primeiro turno. “Vou continuar nessa luta apesar das ameaças. Não dou chance ao medo”, garante, alardeando seu projeto de transformar o Acre numa Finlândia brasileira. “No primeiro mandato eu arrumei a casa, agora quero aumentar a qualidade de vida no Estado e trazer alta tecnologia para explorar a floresta sem destruí-la”, promete. Para isso, Viana conta com os contratos assinados este ano com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Bid, e o BNDES, no valor de US$ 130 milhões.

A oposição no entanto promete dar trabalho. “Essas pesquisas aqui não funcionam não”, rebate o candidato ao governo pelo PMDB, Flaviano Melo que acredita haver equilíbrio nas preferências. O ex-senador reconhece que Viana fez um bom governo, mas ataca seu jeito de governar. “Ele é autoritário, persegue quem não o apóia e deixou o Estado com mais miséria e mais violência do que quando assumiu”, garante.

A fama de centralizador é quase um consenso, mas ninguém usa mais os adjetivos briguento e de pavio curto para se referir a ele. Longe se vai o tempo em que era conhecido como “o menino do PT”, aquele que criava confusão por qualquer coisa. “Estou mais maduro e tenho priorizado o diálogo em detrimento das brigas”, diz. Separado há três anos e pai de Mariam, 14, e Maria Carolina, 8, que saem do Estado toda vez que o clima político fica tenso, o engenheiro florestal formado na Universidade de Brasília não pensa em ter novo relacionamento. “Minha vida é trabalhar pelo Acre, e é o que pretendo fazer nos próximos 4 anos”, diz.

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