Quando
o dia amanhece no Acre ninguém da equipe do governo sabe
o que vai acontecer nas próximas 24 horas. Ficam todos de
prontidão, à espera das ordens do governador e candidato
à reeleição pelo PT, Jorge Viana, 42 anos.
Ele nunca faz o mesmo caminho da casa de sua irmã, onde mora,
para o escritório de governo. Não tem horários
pré-fixados, e só circula pelas ruas da capital em
carro blindado. A quantidade de seguranças que o acompanham
é segredo de Estado. Os comícios, carreatas e caminhadas
de campanha, incluindo as viagens para o interior, são cercados
de providências incomuns no Brasil do século 21. “Eu
não posso ter rotina”, avisa o governador, que não
se estende no assunto. “Mas ninguém vai me impedir
de estar perto do povo”, completa o candidato cheio de coragem.
Tanto
cuidado se justifica. Desde que começou a campanha eleitoral,
Viana está ameaçado de morte. Durante seu mandato,
ele desmantelou o crime organizado e colocou na prisão, com
ajuda do governo federal, 41 pessoas, entre policiais militares,
empresários e políticos ligados ao crime. “Eles
têm esperança de voltar ao poder para ficarem livres”,
avalia o governador. Mas a primeira tentativa de tirá-lo
do páreo foi fracassada. Por unanimidade, o Tribunal Superior
Eleitoral revogou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral
que impugnou a candidatura de Viana no final do mês passado,
sob a alegação de fazer propaganda irregular. “Ainda
bem que eles tentaram me tirar da eleição pela via
legal, se fosse pela forma tradicional eu não teria como
recorrer”, brinca, referindo-se à prática antiga
no estado de se eliminar os indesejáveis, como aconteceu
com o ativista internacionalmente conhecido Chico Mendes e com o
ex-governador Edmundo Pinto.
Com
o aval do TSE, Viana voltou a Rio Branco, vindo de Brasília,
na quarta-feira, 4, depois de ter ficado 12 dias recolhido, sem
fazer campanha. Foi carregado por milhares de pessoas que espontaneamente
foram às ruas para comemorar a decisão. “Foi
a coisa mais emocionante desta campanha”, diz ele. Confiante
e contando com 62% na preferência do eleitorado, segundo o
Ibope, Viana deve ser um dos poucos candidatos ao governo estadual
a se eleger no primeiro turno. “Vou continuar nessa luta apesar
das ameaças. Não dou chance ao medo”, garante,
alardeando seu projeto de transformar o Acre numa Finlândia
brasileira. “No primeiro mandato eu arrumei a casa, agora
quero aumentar a qualidade de vida no Estado e trazer alta tecnologia
para explorar a floresta sem destruí-la”, promete.
Para isso, Viana conta com os contratos assinados este ano com o
Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Bid, e o BNDES, no valor
de US$ 130 milhões.
A oposição
no entanto promete dar trabalho. “Essas pesquisas aqui não
funcionam não”, rebate o candidato ao governo pelo
PMDB, Flaviano Melo que acredita haver equilíbrio nas preferências.
O ex-senador reconhece que Viana fez um bom governo, mas ataca seu
jeito de governar. “Ele é autoritário, persegue
quem não o apóia e deixou o Estado com mais miséria
e mais violência do que quando assumiu”, garante.
A fama
de centralizador é quase um consenso, mas ninguém
usa mais os adjetivos briguento e de pavio curto para se referir
a ele. Longe se vai o tempo em que era conhecido como “o menino
do PT”, aquele que criava confusão por qualquer coisa.
“Estou mais maduro e tenho priorizado o diálogo em
detrimento das brigas”, diz. Separado há três
anos e pai de Mariam, 14, e Maria Carolina, 8, que saem do Estado
toda vez que o clima político fica tenso, o engenheiro florestal
formado na Universidade de Brasília não pensa em ter
novo relacionamento. “Minha vida é trabalhar pelo Acre,
e é o que pretendo fazer nos próximos 4 anos”,
diz.
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