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02/09/2002

   
 
Reprodução
Oscarito
"O Loffler é um ator cômico nato. Não quer dizer que não faça outras coisMas, mas é emocionante como ele lembra o Oscarito"Eva Todor, atriz de
filmes da Atlântida
André Durão
No espetáculo em homenagem ao avô, Loffler usará perucas usadas por Oscarito para compor seus personagens na década de 50

 

Teatro / Carlos Loffler
Oscarito no sangue
Neto do comediante, o ator encarnará personagens do avô em esquetes idênticas às chanchadas, gênero que fez sucesso no cinema
e teatro nos anos 50

Luís Edmundo Araújo

 

Até a adolescência, o ator Carlos Loffler, 42, só queria saber de cantar numa banda de rock com os amigos e não fazia a menor idéia da importância de seu avô - morto quando ele tinha 10 anos - para a história do cinema e do teatro no Brasil. Até que Loffler assistiu a O Homem do Sputnik, um dos clássicos da chanchada brasileira, e descobriu que, por trás do senhor tímido que prezava o convívio com a família e se atrapalhava para contar uma simples piada, estava um dos maiores comediantes do País. Único dos cinco netos de Oscarito a seguir a carreira artística, Carlos se prepara para reviver o avô na peça Theatro Musical Brazileiro 3, com estréia marcada para setembro, no Rio. Será a oportunidade para finalmente atuar com algumas das perucas que herdou, verdadeiras relíquias usadas por Oscarito para compor seus personagens na década de 50.

Apesar de já ter homenageado o avô num espetáculo que correu o circuito alternativo carioca, em 1990, o ator encenará pela primeira vez esquetes idênticas às dos filmes da Atlântida e do Teatro de Revista. Ele encarnará os mesmos personagens de Oscarito. "Uma hora isso tinha de acontecer, e vai ser agora", diz Loffler, sem esconder uma ponta de nervosismo diante da responsabilidade. Preparação, no entanto, é que não vai faltar para que o neto faça jus à memória do comediante espanhol, que fez carreira no Brasil. "Venho estudando os filmes dele desde que comecei a atuar."

A opção pelo teatro, aliás, foi conseqüência de uma característica que Loffler herdou do avô. Tímido como Oscarito, ele seguiu o conselho da amiga Louise Cardoso e procurou as aulas de teatro para ficar mais à vontade no palco. "Entrei com a intenção de melhorar como cantor, mas acabei ficando", lembra o ator, que estreou em 1983, com o grupo de teatro infantil Além da Lua.

A predominância de papéis cômicos acentuou as semelhanças com Oscarito, a ponto de emocionar antigos colegas do comediante. Como em 1989, quando Loffler interpretou Babalu, um ardoroso fã das cantoras do rádio, no musical Splish Splash. No fim de uma das sessões, recebeu os cumprimentos de Grande Otelo, o maior parceiro de Oscarito. "Ele ficou muito emocionado, me disse que lembrou muito do meu avô", conta. Atriz de filmes da Atlândida, Eva Todor é outra a ressaltar a semelhança entre os dois. "O Loffler é um ator cômico nato. Não quer dizer que não faça outras coisas, mas é emocionante como ele lembra o Oscarito", diz.

Na carreira de Carlos Loffler destacam-se filmes como Os Trapalhões e a Árvore da Juventude, Feliz Ano Velho e o papel de Veludo da segunda versão de Navalha na Carne, sua maior atuação no cinema. Na tevê, viveu o Seu Babau na Escolinha do Professor Raimundo. Mesmo fazendo tipos distantes do perfil de Oscarito, o ator não esconde a ascendência, pelo menos para quem conhece de perto os homens da família. "Tem vezes que minha avó (a atriz Margot Louro, 86, viúva de Oscarito) me acha igual ao meu avô. Acho que é algum trejeito que faço inconscientemente, não sei." Ele só lamenta não ter assistido ao Oscarito no Teatro de Revista. "Meu avô parou sabendo que o crescimento do humor desbocado, cheio de apelo sexual, tinha acabado com o espaço dele." Pelo menos a partir de setembro, a comédia de Oscarito tem espaço para voltar com força total.

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