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Entrevista

02/09/2002

   
Piti Reali
"Usando um pretexto, o empresário do Skank entrou na minha sala sem que eu estivesse esperando. Mostrou a fita demo e disse: ‘Você tem que ver isso!"
CONTINUAÇÃO

Houve falta de visão de longo prazo quando as gravadoras investiram no axé e deixaram a MPB de lado?

Como você explica os Racionais, que vendem
1 milhão sem gravadora
e sem investir em marketing?
Como você vê a ameaça da internet?

 

José Antonio Eboli
"Acabou a época de vender
1 milhão de CDs"
continuação
 

Em quem vai investir?
Estamos saindo com uma artista chamada Vanessa Damata. Sabemos que vai ser muito bem recebido pela crítica. Agora, até o público tomar conhecimento, vai levar um tempo. Demora mais, mas, quando chegar, vai ser para ficar. É como Marisa Monte. Ela conquistou o público dela com show, não dá entrevista, não vai em Faustão nem no Gugu. Acho que a Vanessa tem tudo para ir por esse caminho.

Quem é sua maior estrela?
O Roberto Carlos. Ele sempre foi, é e continuará sendo. A relação que temos com ele em 40 anos é de vida. É reconhecidíssimo, respeitado, e uma pessoa ótima de trabalhar.

Qual é o lançamento de que mais se orgulha?
O Skank. Criamos o selo Caos justamente quando lançamos o Skank. A gravadora tinha uma cara muito de "marketing", que pegava as coisas imediatas e de artistas descartáveis. A MTV estava começando também e vimos que estávamos fora daquela turma. O selo adotou uma postura de deixar as bandas trabalharem livremente. Dali surgiu Skank, Planet Hemp, Jota Quest, Cidade Negra, Chico Science.

Como descobriu o Skank?
É uma coisa engraçada porque o empresário deles, Fernando Furtado, tinha lido uma entrevista minha, já tinha tentado várias gravadoras com a fita demo e não conseguia de jeito nenhum acesso. Um dia ele resolveu entrar na Sony porque conhecia um gerente de promoção. Com o pretexto de falar com ele, entrou, mas foi atrás da minha sala e entrou sem que eu estivesse esperando. Mostrou uma fita com um pedaço de um show deles e falou: “Você tem que ver isso!”. A gente viu que era muito bom e comprou aquela idéia e começamos a trabalhar com o CD que eles já tinham gravado. Custou um ano e meio de trabalho para vender 100 mil cópias. Quando a gente vê o sucesso do Skank hoje, fico muito orgulhoso.

Como você vê a ameaça da internet?
Hoje ela ainda é uma ameaça porque a gente não conseguiu encontrar uma maneira de se adequar a essa realidade. Mas em três anos estaremos vendendo pela rede. As pessoas vão poder comprar faixas de discos.

Qual foi o último disco que comprou?
Eu não compro. Eu ganho, troco. Um disco que estou ouvindo muito é o do Oasis.

Quer dizer que, se depender de você, as lojas estão perdidas!
Se depender de mim sim. Nós, das gravadoras, trocamos discos entre nós.

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