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Mas
a Sony lançou o Rouge, grupo criado para ser vendido no mercado.
O Rouge também é uma situação que a
indústria trabalha. É um grupo de marketing? É.
Mas o público consome? Consome também. Claro, o artista
que vai ficar é o que tem aquela coisa que vem com o público.
Como
você explica os Racionais, que vendem 1 milhão sem
gravadora e sem investir em marketing?
É um fenômeno. A gente tem de reconhecer que existe.
É uma coisa verdadeira. Todas as gravadoras já quiseram
contratá-los e eles não querem. Acontece. Eles chegaram
a assinar com a Sony para a distribuição, mas desistiram.
Não precisam dividir o bolo com a gente.
Já
se acostumou com a idéia de vender menos?
Totalmente. Posso te dizer que acabou a época de vender 1
milhão de CDs. Hoje não espero isso de ninguém.
Parece uma maldição, mas o artista que vende muito
logo de cara, vira fenômeno, não se mantém.
O ideal é quando ele vai crescendo pouco a pouco, e chega
em um patamar bom. Roberto Carlos, por exemplo, é um artista
que já vendeu mais de 60 milhões de cópias
e nunca foi o número um. O É o Tchan vendeu 2 milhões,
naquele momento, mas isso nunca mais vai se repetir. Enquanto isso,
o Roberto, no ano passado, aos 60 anos de idade vendeu 1 milhão
e meio.
As
gravadoras divulgam como cópias vendidas o número
de CDs enviados para as lojas, mas não efetivamente vendidos.
Essa prática não é enganosa?
Você tem toda
a razão. A gente tem sido muito questionado ultimamente sobre
isso, e acho que as companhias exageraram nesse marketing. A indústria
usou e abusou desse expediente. Agora a gente sente que tem de ser
mais cauteloso nesse aspecto. Já vi o Zezé Di Camargo
esclarecer isso para o público em programas de tevê.
Só nos Estados Unidos, que têm o sistema Sound Scan,
que computa os discos no caixa das lojas, é possível
dizer com certeza o número de discos vendidos.
Seria
viável usar o sistema americano no Brasil?
Seria viável, mas esse sistema depende
da informatização das lojas. Posso dizer que essa
é uma das grandes vergonhas que a gente tem como indústria.
Falta vontade. Hoje sei que, se a gente for discutir isso dentro
da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos),
vai se chegar à conclusão de que no momento temos
outras prioridades, como a pirataria. Mas na época áurea,
de 1995 a 1998, por que não foi feito? Poderia ter sido feito.
É uma vergonha.
E
quanto à numeração pedida por artistas como
o Lobão?
Nós não somos contra a numeração, desde
que seja feita de uma maneira viável. Vamos defender que
se faça isso por lotes. Para numerar um a um praticamente
teria de se rever todo o sistema de produção.
O
CD chega a custar R$ 25 nas lojas, enquanto o pirata custa R$ 5.
Por que a indústria não baixa o preço?
Porque a gente já está operando
com a margem mais baixa possível. O custo do CD é
o mais barato, cerca de R$ 1,50. Mas um disco como o do Djavan tem
um custo de gravação de R$ 300 mil, além de
R$ 500 mil a R$ 1 milhão de gastos em marketing. Há
ainda os royalties do artista, que ficam entre 15% a 20%, além
do royalty autoral, que é de 10%.
Sabe-se
que boa parte da verba de marketing vai para a indústria
do jabá (pagar para o artista tocar). Por que não
diminuir esse gasto?
É óbvio que, com as receitas das
gravadoras secando, elas estão tratando de reduzir seus gastos.
Não vou dizer que o jabá não existe, eu estaria
sendo hipócrita, mas diria que cada vez mais está
virando coisa do passado.
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