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Ele
não compra um disco há anos. Mas, por ironia, a maior
preocupação do publicitário José Antonio
Eboli é descobrir como levantar as vendas de CDs da Sony
Music Brasil, gravadora que ele preside desde 1999. Dona do passe
de nomes como Roberto Carlos, Djavan, Skank, KLB e Zezé Di
Camargo e Luciano, a Sony foi a gravadora número um do País
no ano passado em meio à pior crise econômica da história
da música brasileira - de 1999 para cá, a queda nas
vendas em dólar foi de desastrosos 72%. Mas apesar disso,
o paulistano Eboli, 46 anos de idade e 28 de mercado musical, está
otimista. O interesse dos filhos, dois rapazes de 19 e 20 anos,
pela MPB é para ele um sinal de que o gênero deve ser
revitalizado. Ele falou à Gente sobre o futuro da MPB.
Depois
de movimentos como pagode, axé e sertanejo, não há
um gênero em alta na música brasileira. Como a gravadora
lida com isso?
Isso está acontecendo no mundo. Os grandes fenômenos,
Michael Jackson, Beatles, Madonna, não estão acontecendo.
Há uma entressafra mundial. No Brasil a gente teve a década
de 60, quando surgiu a Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicália
e MPB. Nos anos 70 teve samba, black music, regional music, com
a geração de Elba Ramalho e Fagner, e Clube da Esquina.
Os anos 80 foram a década do pop rock, os 90 da lambada,
depois pagode, sertanejo, axé. Tudo leva a crer que nos anos
2000 vá acontecer alguma coisa.
Em
que você aposta?
Na nova MPB, com novos talentos. Mas para isso as gravadoras têm
de voltar a ter paciência de investir, de se contentar com
vendas fracas. Como estava tudo muito fácil, todo mundo só
queria discos de 500 mil cópias para cima. Temos que aprender
a ganhar dinheiro vendendo 100 mil discos. Antes os artistas pediam
jatinho, limusine. Isso acabou.
Houve
uma falta de visão de longo prazo quando as gravadoras investiram
no axé e deixaram a MPB de lado?
Infelizmente, sim. Quando se está vendendo
muito, e fácil, habitua-se com os grandes números.
Essa é uma indústria muito competitiva, e a competitividade
às vezes leva para coisas boas e às vezes para coisas
ruins. Quando você vê um artista que vende um milhão
de cópias, não se importa se esse um milhão
vai ser por um ano e depois vai acabar. Hoje, disco de ouro (100
mil cópias vendidas) tem de ser comemorado como se fosse
disco de 1 milhão. Antes, disco de ouro era obrigação.
Os anos 90 foram a época do dinheiro fácil.
O
que houve com a criatividade?
Acho que há três coisas: a situação econômica
do País, a pirataria, que hoje domina 60% do mercado, e uma
falta de criação artística. Nossos principais
ídolos da MPB estão com 60 anos de idade e ao mesmo
tempo vejo um interesse do mais jovens pela música deles.
Meu filho, por exemplo, tem 19 anos e está descobrindo Djavan.
Isso é muito bonito. Estive no show do Gil na semana passada
e só tinha garotada. A música brasileira de qualidade
está sendo redescoberta. Nada contra os outros movimentos.
É fácil a gente hoje malhar o axé. Mas, quando
ele surgiu foi de uma maneira muito genuína e bonita, com
Daniela Mercury, mas depois foi perdendo a qualidade.
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