22 de novembro de 1999
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Televisão

A maior aposta de Adriane Galisteu
A modelo estréia programa de auditório no horário nobre da Rede TV!, fatura R$ 5 milhões por ano e promete que não vai passar o réveillon de 2000 sozinha

Rodrigo Cardoso

Foto: Edu Lopes

Exausta depois de uma sessão de fotos que a consumiu das cinco da manhã às dez horas da noite, Adriane Galisteu sentou-se numa calçada nas proximidades do aeroporto de Atenas, na Grécia, e respirou fundo. Corria o ano de 1995 e ela sequer imaginava para qual direção caminhava sua carreira. Logo que esvaziou os pulmões e sentiu-se aliviada, ouviu o nome sendo sussurrado por uma aglomeração de pessoas que caminhava em sua direção. Eram freiras e padres brasileiros que, ao reconhecerem o rosto da conterrânea, sucumbiram à tentação numa cena explícita de tietagem: "Nossa Senhora, é a Galisteu!", espantaram-se. "Que Deus a ajude em sua trajetória, minha filha." Foi nesse momento em que sentiu boas vibrações, que a então modelo, conhecida como a última namorada de Ayrton Senna, percebeu que poderia ir mais longe.

Na segunda-feira 15, ela enfim deu início ao maior passo de sua carreira, ao estrear em rede nacional à frente do programa Superpop, da Rede TV!. Galisteu conquistou o posto de estrela maior da nova emissora, ao receber a missão de comandar o horário nobre, das oito às nove e meia da noite, de segunda a sábado. "Ela é a grande aposta da emissora", diz Ric Ostrower, 30 anos, diretor do Superpop. "Já estava na hora de mostrar a que vim. Não posso ser modelo e depender do corpo eternamente", diz Galisteu. "É a minha grande virada."

Pela primeira vez em sua curta trajetória de sucesso, Galisteu topa entrar em um estúdio de gravação no início do dia e sair altas horas da noite. Para gravar um programa de uma hora e meia, ela passa o dobro do tempo no estúdio. Divide o tempo entre cabeleireiro, maquiagem e a animação da platéia. Na quarta-feira 17, às 3h30 da madrugada, ela já havia gravado o segundo programa no mesmo dia, mas correu do estúdio à sala do diretor, onde assistiu à fita do programa marcado para ir ao ar no sábado 20. Discutiram se o placar, queimado durante o game show, quadro do programa que dura 40 minutos, prejudicaria o conteúdo na edição final. Às 5h, mais de 12 horas depois de chegar à emissora, Adriane continuava trancada com sua equipe e a direção da Rede TV!, numa reunião. A maratona só terminou com o céu claro.

Para Adriane, acostumada a uma maratona de sessões de fotos, desfiles, eventos e filmes publicitários, esse esforço representa deixar de ganhar dinheiro para investir num novo foco de sucesso. Antes de assinar com a Rede TV!, ela engordava sua conta corrente a cada vez que espocasse um flash sobre seu rosto, mesmo que fosse pela simples presença numa festa - o que lhe rendia até R$ 15 mil por uma saída. Os compromissos se acumularam a ponto de, há dois meses, provocarem o fim do seu casamento com o publicitário Roberto Justus. Agora, nos três dias da semana em que passa gravando, Adriane abre mão de pelo menos cinco eventos. "Minha vida sempre foi uma montanha russa. Com o Superpop, terei a estabilidade que tanto precisava", conta ela. No entanto, continuará à frente do programa Quiz MTV e do Torpedo, na Rádio Jovem Pan, os quais apresenta há dois anos.

Apesar da redução nos compromissos, seu faturamento continua em alta. A marca Adriane Galisteu está vinculada a jóias, calçados, sopa, meia-calça, vídeo de ginástica, biquíni e uma casa noturna. Hoje, ela movimenta R$ 420 mil por mês, 10 vezes mais do que faturava em meados de 1995. Também acaba de fechar um contrato para posar nua pela terceira vez, que deve envolver valores em torno de R$ 1 milhão, entre cachê e percentual sobre as vendas. Seus planos não param por aí. Ainda escreve um livro sobre beleza, uma espécie de manual de auto-ajuda para adolescentes, que deverá ficar pronto no início de 2000. E prepara, também, o lançamento de sua boneca, pela Estrela.

Em 1996, ela procurou o empresário e advogado de artistas Sérgio D'Antino, com um plano na cabeça: "Ela me disse que queria estar à frente de um programa, transmitido ao vivo por uma tevê aberta, antes do ano 2000", lembra D'Antino. "O Superpop é esse programa", confirma Adriane, que deu um soco no ar quando soube que teve quatro pontos de audiência média na terça-feira 16, superior ao H, apresentado por Otaviano Costa no mesmo horário. Dentro de dois meses, o programa será apresentado ao vivo. "É muito bom dar 20 pontos em uma emissora grande. Mas dá mais prazer sair do traço, tirar leite de pedra, e dar quatro pontos aqui. Eu sou a recompensada, e não a emissora."

Sua ex-empresária e ex-assessora de imprensa, Cristina Moreira, lembra de um episódio que abriu os horizontes para a modelo. "Até o primeiro aniversário da morte do Senna as pessoas encontravam a Dri na rua e diziam: 'Olha, lá, a mulher do Ayrton!' Até que um dia ouvimos: 'Olha a Adriane Galisteu! Qual maquiagem ela está usando? Qual a marca da roupa dela?' Descobri que ela era uma gostosona que venderia o que quisesse e poderia fazê-la ficar milionária", diz Cristina. A partir desse episódio, Adriane deixou de lado a divulgação do livro O Caminho das Borboletas - Meus 405 dias com Ayrton - que vendeu 270 mil exemplares e rendeu-lhe R$ 270 mil - e entrou de cabeça no mundo dos negócios. No início, topava quase tudo. Em troca de R$ 2.500, chegou a aparecer em público vestindo uma roupa de uma butique do interior de São Paulo. Mas ela conta que graças a essa mudança de estratégia conseguiu recuperar a identidade. "Eu era a viúva, a oportunista, a última namorada, menos a Adriane Galisteu", fala. "Lembro que chorei de emoção quando, num semáforo da avenida Paulista, um motorista parou ao lado e gritou: 'E aí, Adriane?'"

Com uma imagem forte e vendedora, Adriane começou a despertar o interesse das grandes emissoras e aceitou um convite da CNT/Gazeta, em 1995, para apresentar o semanal Ponto G. Seu contrato previa um ano de programa, mas Adriane abandonou o barco dois meses depois, por falta de repasse de verbas para a produção. Foi sua primeira frustração na tevê. A novela Xica da Silva, da Rede Manchete, foi o segundo ponto negativo de sua carreira. Adriane foi chamada pelo diretor Walter Avancini para participar de quatro capítulos, mas sua participação estendeu-se por nove meses, contra sua vontade. "Um dia marcaram uma gravação às três da manhã num rio poluído, em Xerém, cheio de cobra d'água. Não tinha dublê. Fiz as cenas aos prantos, com raiva de mim", afirma. "Me fizeram muito mal. Vivia pedindo ao Avancini para matar minha personagem."

Para fazer o sonho de quatro anos vingar, a apresentadora teve de encarar o estilo mambembe de fazer televisão, adotado pela Rede TV!. Para pôr no ar um canal novo em apenas quatro meses, a emissora alugou um espaço de 1.500 metros quadrados de área, onde antes funcionava a produtora do jornalista Goulart de Andrade, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. No local, existe apenas um estúdio, onde são gravados três programas. O cenário do Superpop é montado e desmontado toda semana. Adriane chega a fazer piada com a situação precária do estúdio, em frente a sua platéia. "O Faustão demorou dez anos para conseguir um ar-condicionado. Imagine eu, aqui na Rede TV!", disse, num intervalo de gravação.

Envie esta página para um amigoNa melhor fase da carreira, Adriane admite estar em dívida com a vida pessoal. "Claro que não deixo de dar beijo na boca e de fazer sexo por nada, mas não sei ficar sozinha", diz. "Estou louca para arrumar um namorado, alguém que entenda minha vida. E não vou passar o réveillon do ano 2000 sozinha. Quando penso nisso, entro em pânico."
 

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