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Prazeres
sem álcool no coração da terra dos faraós
No
Egito, chazinhos substituem a cerveja, mas jogatina encanta
turistas ilustres em hotel de luxo
Após
18 anos do assassinato a tiros do presidente Anuar Sadat por
um comando do grupo integrista "Irmãos Muçulmanos",
os egípcios ainda são obrigados a fazer concessões
ao islamismo radical. Embora seja possível comprar
bebida alcoólica na maioria da rede hoteleira do país,
nos vôos da Egipt Air (inclusive os internacionais)
nem de arma em punho se consegue beber uma modesta cervejinha.
"Só sem álcool", lamenta a desolada
aeromoça.
A lei
seca vai reaparecer nos lugares mais insólitos. Como
no restaurante "Naguib Mahfouz", batizado com esse
nome em homenagem ao Prêmio Nobel de Literatura de 1988.
Apesar de situado no coração do Khan el-Khalili
(o bairro boêmio do Cairo, equivalente ao Baixo Leblon,
no Rio, ou à Vila Madalena, em São Paulo), o
turista é condenado ao consumo de chazinhos adocicados.
De cara, na entrada, uma placa adverte o visitante: "Pas
d'alcool". Mas como ninguém é de ferro,
mesmo proibida pelo Corão, o livro sagrado dos islamitas,
a jogatina corre solta pelo país, em cassinos comparáveis
aos de Monte Carlo.
Do
czar a Thatcher
Uma visita
dos "market boys" da privatização
brasileira ao Egito faria uma carnificina. Os rapazes de FHC
salivariam de prazer se passassem alguns dias no Old Cataract,
o luxuoso e centenário hotel vitoriano de Assuan, no
sul do país. Exibindo em seu carnê de hóspedes
ilustres nomes que vão do czar Nicolau II a François
Mitterand, de Margareth Thatcher a Agha Khan III, de Churchill
a Jimmy Carter, o Old Cataract é integralmente estatal.
Dois terços de seus empregados são funcionários
públicos, para desespero do grupo Sofitel-Accord, que
administra o hotel há alguns anos. Em tempo: no Old
Cataract bebe-se de tudo. Inclusive, para quem gosta, cerveja
sem álcool.
Refresco
para FHC
Com a
substituição do francês Pierre Mauroy
pelo português Antonio Guterres na presidência
da Internacional Socialista, Fernando Henrique Cardoso pode,
finalmente, respirar aliviado. Mauroy vinha há tempos
batendo pesado em FHC, que ele considera ter traído
a causa social-democrata "em favor do neoliberalismo".
Guterres, como todo bom lusitano, será mais maneiro.
Fardas
com grife
O governo
da República Dominicana acaba de anunciar que, para
tentar mudar a imagem da polícia nacional, a nova farda
dos policiais vai ser criada pelo estilista Oscar de la Renta,
nascido lá, mas hoje radicado no circuito Elisabeth
Arden. Pode não ser uma má idéia. Depois
de infrutíferas tentativas de acabar com a violência
no Brasil, o governo poderia nomear Ocimar Versolatto ministro
da Defesa.
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