22 de novembro de 1999
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Teatro - Musical

Rent
Musical da Broadway ganha montagem brasileira

Marcos Bragato

Rent, o musical nova-iorquino de Jonathan Larson, marca a volta dos musicais da Broadway ao País, com elenco totalmente brasileiro. Nos anos 80, tivemos as montagens de A Chorus Line e Evita. Agora, no final dos 90, essa ópera-rock, inspirada na ópera italiana La Bohème (1896), de Giácomo Puccini, reinaugura o Teatro Ópera, em São Paulo. A montagem tenta radiografar a juventude atual convertendo os boêmios e tuberculosos da ópera do século 19 em seres vitimados pela Aids e pelas drogas, num mundo sem esperança.

O retrato realizado pelo autor aparece em três histórias de amor ameaçadas pela morte. Enquanto em La Bohème a amada Mimi morria de tuberculose nos braços do amante, no musical de Larson ela, uma dançarina viciada em heroína, morre de nosso mal-do-século nos braços do namorado, o músico Roger. Ao contrário de La Bohème, na história de Larson há espaço para a diversidade sexual, com outros personagens gays.

Não espere, entretanto, um painel denso, mesmo porque os musicais da Broadway - conhecida no mundo inteiro como uma prodigiosa máquina de sonhos - existem para divertir. O moralismo da partitura de Larson é ingênuo e a boemia dos personagens é inofensiva. Por isso, corre-se o risco de esquecer a história cinco minutos depois do espetáculo.

A angústia de Rent é açucarada: não há conflitos psicológicos, mas "duelos musicados". Quase todos os diálogos se convertem em motivos musicais e, como numa ópera, conta com árias e duetos. Aqui o desafio se acentua. Afinal, cantar e dançar ao mesmo tempo exige treinamento. A falta de tradição de musicais no País e o desenvolvimento da trama pesam sobre o interminável primeiro ato. Deslizes como a pronúncia das letras das canções, o tom melodramático das árias e a tímida coreografia afetam a cadência da montagem brasileira.

Mas Rent tem um outro lado que nos segura. Pelo menos duas revelações do elenco imprimem vigor no desempenho. O músico e ator Robson Moura (o Roger), especialmente na clareza vocal, e a atriz e cantora Alessandra Maestrini (a Maurren), na combinação de voz e corpo. A direção musical de Oswaldo Sperandio e a esmerada produção cenográfica também oferecem sua cota de atração.
De ópera a musical

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