22 de novembro de 1999
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Preciosidades em série
Instituto Cultural Itaú lança CDs de canções antigas e as salva do esquecimento

Aluízio Falcão

Uma enciclopédia sonora da melhor música brasileira poderia ser feita com fonogramas dispersos em acervos de gravadoras alternativas, quase todas extintas, e dos raros órgãos oficiais de cultura que funcionam bem. O Instituto Cultural Itaú compreendeu brilhantemente esta possibilidade, remasterizando 65 gravações da Funarte, cujo destino seria fatalmente a deterioração e o lixo.

O último lote, composto de dez títulos, está nas lojas. Contém preciosidades instrumentais de Mignone, Radamés, Garoto, Villa-Lobos, Furio Franceschini, Flausino Vale e Francisco Mário. Causam impacto dois registros vocais do imaginário popular brasileiro: um recital com Maura Moreira e a surpreendente gravação do repentista Chico Antonio.

Chico Antonio é personagem lendário. Foi para Mário de Andrade, em suas pesquisas musicais, o que o vaqueiro Manuelzão representou para Guimarães Rosa na elaboração de Grande Sertão: Veredas. Ouvindo este cantador de coco, anônima figura do interior nordestino, o esteta Mário escreveu: "Estou divinizado por uma das comoções mais formidáveis da minha vida".

Redescoberto por Delfilo Gurgel e Aloisio Magalhães, em 1979, o velho Chico, então com 80 anos de idade, gravou o que pôde. A voz cansada é ainda expressiva, embora já não arrebate com os improvisos que deslumbraram Mário no final dos anos 20. De qualquer modo, tem-se no disco um grande momento da história cultural do Brasil. O canto lírico de Maura Moreira não se harmoniza inteiramente com o repertório escolhido, por sinal belíssimo. Cantos de trabalho de fé, lendas amazônicas, modinhas e cantigas poderiam soar, com mais adequação e naturalidade, em timbre de cantora popular. Quem se habilita?

O Instituto Cultural Itaú dá continuidade a um trabalho que merece urgente resgate. Espera-se que as novas coleções a serem trabalhadas incorporem o esforço documental empreendido, no passado e no presente, por outros zeladores da memória brasileira.

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