22 de novembro de 1999
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Música - MPB

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Elba Ramalho comemora 20 anos de carreira com forró, samba e xote

Aluízio Falcão

Foto: Divulgação

O universo musical do Nordeste mais uma vez prevalece no trabalho de Elba Ramalho. Isso valoriza mais ainda o duplo CD comemorativo dos seus 20 anos de carreira. Ninguém, dentre todos os intérpretes nascidos contemporaneamente da Bahia para cima, cultiva este repertório com mais verdade, calor e alegria. Em nenhum momento, porém, a devoção às origens limita o vôo desta nova patativa do norte (houve antes Augusto Calheiros). Sem perder a doçura do sotaque, o seu trinado não se deixa engaiolar pelo regionalismo excludente. O mesmo canto que incendeia os forrós também serve, no disco 1, aos versos sutis de Chico, Caetano e Aldir, ou até mesmo ao delicioso merengue "Choveu Sorvete", de Luiz Kallaf, em versão de Carlinhos Brasil. Destacam-se também "Trem das Ilusões" (Alceu Valença e Herbert Azul), "Sete Cantigas para Voar" (Vital Farias) e "Cajuína" (Caetano). Aqui, um belíssimo arranjo do Duofel mescla xote nordestino e fado português. O sertão é a praia de Elba, mas não o seu mundo.

O disco 2, ao vivo, é ainda melhor. Explosivo, forrozeiro, caboclinho, com espaço para a baianidade pré-axé de Gerônimo ("É d'Oxum") e para o balanço também afro-descendente de "Morena d'Angola". Falta o frevo. Como pôde Elba esquecer o "Banho de Cheiro", numa retrospectiva dos seus maiores sucessos?

Se fez falta um pouco de água perfumada para borrifar o baile, sobrou muito suor e sanfona. É um disco pulsante, gravado em Salvador e Montreux, com rajadas de aplausos "participando" dos arranjos em todas as faixas, até a última, quando esta bailarina sertaneja de pernas rijas (e lindas) finalmente pára o eletrizante forró. É quando a gente descansa e ouve, pensando na vida, a suave "De Volta pro Aconchego". Ninguém, nem mesmo Elba, é de ferro.
O canto da patativa

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