22 de novembro de 1999
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Livros - Romance

As Afinidades
Troca de casais é abordada pelo texto sedutor de Reinaldo Montero

Heitor Ferraz

A sedução é o tema central da literatura feita pelo romancista cubano Reinaldo Montero em seu As Afinidades (Companhia das Letras, 128 págs., R$ 18,50), que acaba de sair no Brasil. O romance pulsa uma narrativa aparentemente simples, porém extremamente intrincada, na qual o leitor vai percebendo devagar o que se vai passando por essas pouco mais de 100 páginas. A idéia central é clara: dois casais, numa cabana, passando um feriado, acabam aceitando a proposta de uma troca de parceiros. Mas o jogo vai se destacando das páginas e seduzindo o próprio leitor.

Muito dessa sedução acontece a partir da linguagem tramada pelo escritor, onde o desejo é realçado em plena potência, como nessa definição de orgasmo: "O sexo é descer por um poço que vai se estreitando mais e mais até não permitir o menor movimento. Quando a opressão é mais do que gostosa, insuportável apesar de deliciosa, brota uma espécie de grito, e o espaço começa a se dilatar por espasmos, a opressão desaparece, e então vem o alívio, o grande alívio".

Montero faz uma releitura moderna do clássico As Afinidades Eletivas, de Goethe. Nele, Goethe colocava dois casais em uma casa de campo e deixava a química dos corpos interagir, criando novas formas de atração. Montero busca o mesmo, porém sem nenhum romantismo, deixando que sua escrita vaze o mal-estar criado pela nova situação amorosa. A dúvida penetra cada um dos seus personagens - Néstor, Cristina, Bruno e Magda, extrapolando do campo moral para o político. O autor constrói cada situação a partir do ponto de vista de seus personagens. Assim, o leitor monta um quadro de sentimentos contraditórios de quatro jovens cubanos nesse final de século.
Velha desordem amorosa

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