22 de novembro de 1999
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Cinema - Documentário

Santo Forte
Eduardo Coutinho surpreende com filme sobre a religiosidade brasileira

Geraldo Mayrink

Foto: Divulgação

O povo pedia passagem em sambas e filmes de antigamente, mas agora pede a palavra. Melhor, ela lhe é pedida pelo cineasta Eduardo Coutinho (diretor do extraordinário Cabra Marcado Para Morrer). Ele não impõe condições para ouvir a "voz rouca das ruas", na expressão recente do tucanato. Quem responde são 18 brasileiros da favela Vila Parque da Cidade, na Gávea, zona sul do Rio. Com análise de explicadores, estaria pronto para mais um retrato do Brasil, emoldurado na presunção e chatice dos documentários.

Mas não se espere encontrar esses iluminados em Santo Forte. Veja-se, em vez deles, Vera, Bráulio, Marlene, Dejair, Vanilda e outros falando de suas vidas na Terra - e também de suas vidas anteriores - sem nenhuma voz que os interprete. Pessoas de verdade, elas parecem recortadas dos filmes de Walter Salles, inspirado ficcionista. Ele comenta, acertando na mosca: "Há (em Santo Forte) uma relação entre necessidade e religiosidade. Nesse país sem cidadania, pertencer a uma religião passa a ser uma identidade negada aos excluídos".

Santo Forte é um triunfo da sensibilidade sobre a camisa-de-força do documentário, que sempre se pretende "realista". E audacioso como cinema. Não disfarça que é filme mesmo e por isso paga cachê aos seus maravilhosos atores-personagens (jamais se viu coisa igual no cinema "realista"). Junto a rostos morenos, vincados, "coisa de cinema", permite que a palavra se manifeste em toda a sua força, em histórias cotidianas, às vezes tão tocantes de se ouvir quanto de se ver.
Benza-os Deus e os Orixás

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