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19/08/2002

   
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Elaine o dinheiro acabou
A vencedora de No Limite 1 comprou imóvel, chegou a ganhar R$ 20 mil com publicidade, mas voltou a ser cabeleireira

 
Rodrigo Cardoso
 
AJayme de Carvalho JR.
“Acabou o dinheiro? Acabou, mas eu sei trabalhar, meu marido também. A casa da gente é feliz”, diz Elaine, que fatura R$ 3 mil por mês como cabeleireira em domicílio.

Durante um ano, ela teve carta branca para freqüentar um centro de estética e receber sessões de massagem e relaxamento de graça. Comeu do bom e do melhor nos eventos em que era convidada para contar o que aprendeu nos 25 dias em que ficou numa ilha do Ceará, em meados de 2000, quando participou do primeiro reality show da tevê brasileira, o No Limite, da Globo. Vencedora, levou R$ 300 mil e um carro novo, chegou a ficar sete meses sem pisar num supermercado e a receber 1.500 cartas por mês. Lançou livro, virou garota-propaganda de loja de departamentos e teve o rosto estampado em outdoor na ponte Rio-Niterói. “Um dia eu era a Elaine que trabalhava num salão de cabeleireiro, a mãe, a dona-de-casa e, no mês seguinte, virei uma estrela”, conta Elaine Cristina Cosmo de Melo, 37 anos.

A vida de Elaine deu uma volta depois da vitória na gincana da Globo, que deu picos de 55 pontos de audiência. Antes da fama, ela acordava às 7h, pegava um ônibus para trabalhar e almoçava no salão de beleza em troca de R$ 2 mil mensais como assistente de cabeleireira. Largou o antigo ofício, fez cursos de tevê, aulas de teatro e pensou que nunca mais iria dar tesouradas – afinal, ganhava dez vezes mais com um contrato publicitário. “Eu poderia ter dado um salto maior, ter trabalhado mais, se tivesse a carreira bem planejada”, diz Elaine. “Mas arranjei dois empresários picaretas. Eles espalharam que eu cobrava R$ 30 mil, R$ 40 mil para aparecer em festas.”

Antes

• Morava nos fundos da casa da mãe num quarto,
sala e cozinha
• Ganhava R$ 2 mil como cabeleireira
• Andava de ônibus

Depois dos R$ 300 mil

• Comprou apartamento de três quartos por R$ 100 mil
• Chegou a receber R$ 20 mil por campanhas publicitárias, e hoje recebe R$ 2 mil
• Fez curso de tevê e teatro
• Voltou a trabalhar como cabeleireira
• O Gol 2000 que ganhou é usado pelo marido como transporte escolar

Assim, a carreira na tevê não vingou – recebeu e recusou um convite para a Rede Gospel –, a peça que ela ensaiava não entrou em cartaz, do livro que lançou recebeu apenas R$ 172 de direitos autorais sobre os alegados 10.000 exemplares vendidos e seu cachê foi desvalorizando até os R$ 2 mil atuais. Depois de um tour de um ano pelo mundo da fama, Elaine não era mais cercada por fãs e tornou a atender antigas clientes em domicílio. “Voltei a me manter cortando cabelo”, diz ela, que ganha R$ 3 mil. “Não tive um terço do respaldo que a Globo dá aos participantes do Big Brother. Fomos as cobaias e eles tiveram as carreiras alavancadas.”

Para compor o orçamento, o marido de Elaine, que vendia cartelas de bingo, hoje usa o carro que ela ganhou para transportar crianças. “R$ 300 mil não é um prêmio milionário. É um bom prêmio para quem não tinha nada”, diz Salomão dos Santos Filho. Ele e a mulher não tinham muita coisa mesmo. Moravam nos fundos da casa da mãe de Elaine, num quarto, sala, cozinha e banheiro construído no espaço da garagem. Uma cortina de plástico dividia o espaço do casal com o quarto das filhas Manoella, 11, e Letícia, 5, que trocaram a escola pública por uma particular e se divertem na internet.

Elaine, que hoje pensa em pedir uma bolsa de estudos para manter as filhas na mesma escola, quase comprou uma casa de R$ 200 mil, mas optou por um apartamento de três cômodos próximo de onde morava, de R$ 100 mil. Viajou ainda para o Chile, Salvador, Fortaleza. “Faltou ir para a Disney. Mas não dava para levar todo mundo, iria gastar muita grana. Pensei: ‘Ou Disney, ou pagar a escola das meninas’.” Com o restante do prêmio que ganhou, ela e o marido compraram um estacionamento, mas meses depois descobriram que o imóvel tinha R$ 18 mil de multas. “Tomei um tombo”, conta ela, que hoje tem 12 quilos a mais que na época do programa.

A falta dos holofotes, porém, não roubaram a simpatia e o carisma de Elaine. Graças a essas qualidades, usa a imagem para campanhas de câncer e outros trabalhos de cunho social – também já foi jurada de concurso de drag queen. “Posso fazer o bem para outras pessoas. Não dá retorno financeiro para mim, mas Deus dá retorno de outras maneiras”, conforma-se. “Acabou o dinheiro? Acabou, mas eu sei trabalhar, meu marido também. A casa da gente é feliz, tem harmonia, tenho minha mãe, meus irmãos, minhas filhas com saúde. Dinheiro não é tudo. Foi ótimo? Foi. Mas a experiência valeu mais do que os R$ 300 mil.”

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EDIÇÃO 159
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FÓRUM
Kléber Bambam comprou um apartamento dúplex no Rio, Bárbara Paz ainda não teve tempo de gastar o prêmio da Casa 1 e Elaine, vencedora de No Limite 1, voltou a ser cabeleireira. O que você pensa da fama repentina que eles conquistaram? Dê sua opinião
 
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