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| “Acabou
o dinheiro? Acabou, mas eu sei trabalhar, meu marido também.
A casa da gente é feliz”, diz Elaine, que fatura R$ 3 mil
por mês como cabeleireira em domicílio. |
Durante
um ano, ela teve carta branca para freqüentar um centro de
estética e receber sessões de massagem e relaxamento
de graça. Comeu do bom e do melhor nos eventos em que era
convidada para contar o que aprendeu nos 25 dias em que ficou numa
ilha do Ceará, em meados de 2000, quando participou do primeiro
reality show da tevê brasileira, o No Limite,
da Globo. Vencedora, levou R$ 300 mil e um carro novo, chegou a
ficar sete meses sem pisar num supermercado e a receber 1.500 cartas
por mês. Lançou livro, virou garota-propaganda de loja
de departamentos e teve o rosto estampado em outdoor na ponte
Rio-Niterói. Um dia eu era a Elaine que trabalhava
num salão de cabeleireiro, a mãe, a dona-de-casa e,
no mês seguinte, virei uma estrela, conta Elaine Cristina
Cosmo de Melo, 37 anos.
A
vida de Elaine deu uma volta depois da vitória na gincana
da Globo, que deu picos de 55 pontos de audiência. Antes da
fama, ela acordava às 7h, pegava um ônibus para trabalhar
e almoçava no salão de beleza em troca de R$ 2 mil
mensais como assistente de cabeleireira. Largou o antigo ofício,
fez cursos de tevê, aulas de teatro e pensou que nunca mais
iria dar tesouradas afinal, ganhava dez vezes mais com um
contrato publicitário. Eu poderia ter dado um salto
maior, ter trabalhado mais, se tivesse a carreira bem planejada,
diz Elaine. Mas arranjei dois empresários picaretas.
Eles espalharam que eu cobrava R$ 30 mil, R$ 40 mil para aparecer
em festas.
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Antes
Morava nos fundos da casa da mãe num quarto,
sala e cozinha
Ganhava R$ 2 mil como cabeleireira
Andava de ônibus
Depois
dos R$ 300 mil
Comprou apartamento de três quartos por
R$ 100 mil
Chegou a receber R$ 20 mil por campanhas publicitárias,
e hoje recebe R$ 2 mil
Fez curso de tevê e teatro
Voltou a trabalhar como cabeleireira
O Gol 2000 que ganhou é usado pelo marido
como transporte escolar
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Assim,
a carreira na tevê não vingou recebeu e recusou
um convite para a Rede Gospel , a peça que ela ensaiava
não entrou em cartaz, do livro que lançou recebeu
apenas R$ 172 de direitos autorais sobre os alegados 10.000 exemplares
vendidos e seu cachê foi desvalorizando até os R$ 2
mil atuais. Depois de um tour de um ano pelo mundo da fama,
Elaine não era mais cercada por fãs e tornou a atender
antigas clientes em domicílio. Voltei a me manter cortando
cabelo, diz ela, que ganha R$ 3 mil. Não tive
um terço do respaldo que a Globo dá aos participantes
do Big Brother. Fomos as cobaias e eles tiveram as carreiras
alavancadas.
Para
compor o orçamento, o marido de Elaine, que vendia cartelas
de bingo, hoje usa o carro que ela ganhou para transportar crianças.
R$ 300 mil não é um prêmio milionário.
É um bom prêmio para quem não tinha nada,
diz Salomão dos Santos Filho. Ele e a mulher não tinham
muita coisa mesmo. Moravam nos fundos da casa da mãe de Elaine,
num quarto, sala, cozinha e banheiro construído no espaço
da garagem. Uma cortina de plástico dividia o espaço
do casal com o quarto das filhas Manoella, 11, e Letícia,
5, que trocaram a escola pública por uma particular e se
divertem na internet.
Elaine,
que hoje pensa em pedir uma bolsa de estudos para manter as filhas
na mesma escola, quase comprou uma casa de R$ 200 mil, mas optou
por um apartamento de três cômodos próximo de
onde morava, de R$ 100 mil. Viajou ainda para o Chile, Salvador,
Fortaleza. Faltou ir para a Disney. Mas não dava para
levar todo mundo, iria gastar muita grana. Pensei: Ou Disney,
ou pagar a escola das meninas. Com o restante do prêmio
que ganhou, ela e o marido compraram um estacionamento, mas meses
depois descobriram que o imóvel tinha R$ 18 mil de multas.
Tomei um tombo, conta ela, que hoje tem 12 quilos a
mais que na época do programa.
A
falta dos holofotes, porém, não roubaram a simpatia
e o carisma de Elaine. Graças a essas qualidades, usa a imagem
para campanhas de câncer e outros trabalhos de cunho social
também já foi jurada de concurso de drag queen.
Posso fazer o bem para outras pessoas. Não dá
retorno financeiro para mim, mas Deus dá retorno de outras
maneiras, conforma-se. Acabou o dinheiro? Acabou, mas
eu sei trabalhar, meu marido também. A casa da gente é
feliz, tem harmonia, tenho minha mãe, meus irmãos,
minhas filhas com saúde. Dinheiro não é tudo.
Foi ótimo? Foi. Mas a experiência valeu mais do que
os R$ 300 mil.
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