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05/08/2002

   
“Estamos traçando um caminho que vai servir de base para uma nova geração de analgésicos.
Só espero que o resultado da pesquisa seja aproveitado
por laboratórios nacionais’’
Sérgio Henrique Ferreira, sobre seu mais recente trabalho

 

Saúde / Sérgio Henrique Ferreira
Cobra na ciência
O cientista de Ribeirão Preto descobriu no veneno da jararaca uma substância que combate a hipertensão e deu origem a remédios que faturam US$ 8 bilhões por ano, mas os ganhos ficaram apenas com as indústrias

Cesar Guerrero, de Ribeirão Preto

 
Piti Reali

A hipertensão arterial é uma doença crônica degenerativa que desenvolve graves complicações como, por exemplo, acidente vascular cerebral (derrame), infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca. Ela causa a morte de 300 mil pessoas todos os anos no Brasil. Na frente de batalha contra essa doença um cientista brasileiro teve um papel de destaque. Sérgio Henrique Ferreira, 68 anos, descobriu o “Fator de Potenciação da Braticinina”, uma substância derivada do veneno de uma serpente brasileira, a jararaca, que é capaz de combater o aumento excessivo da pressão arterial. Esse trabalho, no Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina da USP, na cidade de Ribeirão Preto, criou as condições necessárias para o desenvolvimento do Captopril e deu aos laboratórios a possibilidade de gerar medicamentos que hoje movimentam US$ 8 bilhões por ano.

Uma cifra como essa seria o suficiente para promover uma explosão da indústria farmacêutica nacional e, ainda, garantir ao seu descobridor uma tranqüila aposentadoria, mas não foi bem isso o que aconteceu. Quando Sérgio publicou o trabalho, em 1964, as empresas brasileiras não tiveram capacidade tecnológica de levá-lo adiante. Quem sintetizou o Captopril e o colocou à venda em todas as farmácias foi um laboratório norte-americano, que agora detém a patente. “A universidade cumpriu seu papel que é gerar conhecimento”, diz o pesquisador. “O problema é que a nossa indústria não é capaz de desenvolver ciência a partir do conhecimento produzido pelos próprios brasileiros.”

No início do ano, Sérgio foi eleito membro da National Academy of Sciences – nos Estados Unidos. Ele tem mais de 220 publicações entre livros e artigos em revistas científicas. Apesar da notoriedade acadêmica, está longe de ficar rico.
O salário de professor titular garante uma vida confortável com a psicóloga Maria Clotilde Rossetti, com quem está casado há 40 anos. Mas não chega à milésima parte do que ganharia se tivesse acesso aos dividendos de sua maior descoberta. Mesmo assim ele parece não dar importância. “Se eu ganhasse US$ 1 milhão iam querer me seqüestrar, meus três filhos seriam preguiçosos e eu ficaria maluco na hora de fazer o Imposto de Renda. Melhor deixar como
está”, brinca o cientista, que atualmente se dedica à pesquisa de substâncias de combate à dor e a inflamações. Ele comanda um grupo de estudos sobre o tema, em
Ribeirão Preto. “Estamos traçando um caminho que vai servir de base para uma nova geração de analgésicos”, revela. “Só espero que o resultado da pesquisa seja aproveitado por laboratórios nacionais.”

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