Veja também outros sites:
Home •• Revista ••• Reportagens  
Reportagens

29/07/2002

   
 
Fotos: Beto Tchernobilsky
“Os filhos de todo mundo entravam com boné, o meu nunca podia”, lamenta Simony
Fotos: Beto Tchernobilsky
O casal se conheceu em um show há dois anos: “Em um mês, engravidei”, diz ela

 

Superação
A família Depois da prisão
O rapper Afro-X ganha liberdade condicional, depois de sete anos na cadeia, e passa a desfrutar de uma vida praticamente inédita com a mulher, a cantora Simony, e o filho Ryan

Dirceu Alves Jr.

 

Prestes a completar um ano e dois meses, o pequeno Ryan, filho da cantora Simony, 26 anos, e do rapper Christian de Souza Augusto, o Afro-X, 28, já entrou na fase das descobertas. “Não sei por que criança tem tanta vontade de colocar os dedos nas tomadas, de mexer nas fechaduras”, pergunta-se o pai, encantado com o garoto, que ensaia alguns passos apoiado nas paredes e nos móveis. Não é só Ryan que começa a descobrir o mundo. Afro-X, depois de sete anos preso por assalto a banco, conquistou a liberdade condicional na sexta-feira 12 e deu a largada numa vida quase inédita, que inclui coisas prosaicas como dormir e acordar ao lado da mulher, dar banho, mamadeira e papinha ao filho ou simplesmente planejar o futuro.

Simony também contava nos dedos as noites com o
amado. Os dois se conheceram há dois anos, através
de uma música. A ex-estrela do Balão Mágico ouviu no rádio do carro “Saudades Mil”, sucesso da dupla 509-E, formada por Afro-X e Dexter. Mesmo sem ser fã de rap, correu para uma loja e comprou o CD, o último disponível. “Fiquei de olho no Afro quando vi a foto da capa”, confessa. Algumas semanas depois, Simony foi a uma apresentação de Afro-X e Dexter, que conseguiam liberação para shows. “Já rolou um beijo. Ele botava o pé fora do Carandiru e me ligava. Em um mês, engravidei.”

Até o último dia 7, todos os domingos de Simony
começavam logo ao amanhecer, enfrentando uma imensa
fila e revista completa para ter acesso ao presídio. “Jamais faltei um.” Afro-X acompanhou a gravidez da namorada nas visitas semanais ou por cartas. O nascimento do filho só lhe foi comunicado no dia seguinte. “Os presos me falaram. Achava que era mentira”, diz. “Era horrível. Eles tiravam toda a roupa do bebê para revistar, mesmo no frio. Os filhos de todo mundo entravam com boné, o meu nunca podia”, lamenta Simony.

Enterrar essas lembranças é o desejo do casal. Tanto Afro-X quanto Simony mergulharam no trabalho. A cantora aprontou seu quinto disco solo, que inclui “Lado a Lado”, a primeira parceria com o marido, e fechou um contrato para gravar quatro discos em Portugal, a partir de setembro. A família vai a tiracolo, mesmo que Afro-X também tenha projetos no Brasil. Ele acaba de ser aprovado no vestibular de Direito da Universidade Paulista (Unip) e promete lançar no próximo mês o segundo CD da dupla 509-E. “Falta obter a liberação do Dexter para colocar a voz nas músicas. Caso seja negada, vamos gravar no presídio. A Justiça precisa ter flexibilidade para ajudar quem quer ser ajudado”, defende o rapper, que se dedica ao disco desde que passou a cumprir regime semi-aberto, há um ano. Até o final de 2002, chega às livrarias a autobiografia Duas Vidas e um Destino, e Afro-X ainda deseja montar uma peça de teatro a partir de oficinas em favelas.

Fotos: Beto Tchernobilsky
“Até os 18 anos, me esquivei do crime, mas não tive maturidade para enfrentar algumas dificuldades’’ Afro-X

Vai ser a oportunidade de conhecer a trajetória do menino criado em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, que terminou o segundo grau sem repetir nenhum ano e trabalhava como corretor de imóveis. “Já cantava rap, mas não tinha respaldo algum. Até os 18 anos, me esquivei do crime, mas a situação financeira complicou. Não tive maturidade para enfrentar algumas dificuldades”, reconhece.

A auto-estima foi reconquistada com a música. Simony também teve papel fundamental. “Ela é uma guerreira. Poderia ter destruído sua carreira, mas ficou comigo”, elogia o marido. Com a paternidade, Afro-X reencontrou outros valores. Ryan é seu terceiro filho. Ele também é pai de Emily, 3 anos, filha de uma antiga namorada, e de João, um ano e oito meses, que nem conhece. “Quero muito reconhecê-lo, mas a família da mãe dele não quer nem saber. Sei o quanto é importante para uma criança a presença do pai. É pelo futuro dele”, diz.

Comente esta matéria
Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 156
ENQUETE 1
Quem você elege para primeira-dama?
:: VOTAR ::
ENQUETE 2
Você acha que o resultado da Casa dos Artistas 3 está sendo manipulado?
:: VOTAR ::
 
FÓRUM
Helô Pinheiro briga na Justiça com a família de Jobim e Vinícius pelo direito de usar o título A Garota de Ipanema e desabafa: "Eles me fizeram e agora as famílias deles me pisam". E você? O que pensa a respeito? Dê sua opinão
 
 BUSCA

RESUMO DAS NOVELAS
Saiba o que vai acontecer durante a semana na sua novela preferida
JOGOS
Monte sua alma-gêmea e ganhe um papel de parede para seu computador
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
| ISTOÉ | DINHEIRO | PLANETA | ISTOÉ DIGITAL | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2002 Editora Três