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29/07/2002

   
Damas do Poder
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Anaí Caproni Pinto

Capa
Damas do poder
Num país onde a maioria dos eleitores é
mulher, a primeira-dama tem papel crucial
no imaginário popular para imprimir estilo
e charme à Presidência da República

Juliana Lopes

 
AP

No coração do poder, elas são testemunhas de
conchavos políticos, momentos de felicidade, solidão e angústia do chefe do governo. Para quem está de fora, a primeira-dama é sobretudo um ícone de estilo, especialmente depois que a era da televisão transformou Jackie Kennedy numa das mulheres mais admiradas, invejadas e copiadas do mundo. E, na seqüência, resgatou-a como o grande símbolo de dignidade da nação, ao imortalizá-la no tailleur cor-de-rosa manchado com o sangue do marido assassinado, com o qual Jackie seguiu horas depois para a posse de Lyndon Johnson na Casa Branca.

No Brasil, a primeira-dama também tem um papel crucial no imaginário popular. “A média do eleitorado vê o presidente e a primeira-dama como um modelo de família tradicional”, diz o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, da PUC de São Paulo. “Assim, ela simboliza a mãe do País.” Dada a largada na corrida presidencial deste ano, os holofotes estão voltados agora para a dona-de-casa Marisa Lula da Silva, a atriz Patrícia Pillar, a psicoterapeuta Monica Allende Serra e a radialista Rosinha Garotinho.

Prova de que primeira-dama importa, sim, é que parte da fulminante ascensão do candidato da Frente Trabalhista Ciro Gomes nas pesquisas é creditada ao engajamento de Patrícia Pillar. Pesquisa do Vox Populi indica que 45% das pessoas ouvidas pelo instituto acham que a presença dela ajuda Ciro Gomes. E só 3% dizem que ela pode atrapalhá-lo.

Espécie de porto seguro do marido na política interna, a primeira-dama se converte em espelho do Brasil na política externa. A embaixatriz Lúcia Flecha de Lima, anfitriã de vários chefes de governo nos principais postos diplomáticos, diz que a figura da primeira-dama é imprescindível nas relações internacionais. “Nas viagens de chefe de Estado, as pessoas prestam muita atenção à primeira-dama”, diz ela.

Num dos casos mais emblemáticos do carisma da primeira-dama, Evita Perón chegou a superar a popularidade do próprio marido Juan Domingo Perón. O Brasil não teve Evitas nem Jackies. Mas chegou perto com Maria Thereza Goulart que, bonita, jovem e chique, dava charme ao governo de João Goulart, nos anos 60. Após a ditadura, quando as primeiras-damas se ressentiram tanto de beleza quanto de elegância, reinou o estilo bonachão de Marli Sarney. Com a primeira eleição direta para presidente, em 1989, apareceu a vistosa Rosane Collor, que no ímpeto de seus 25 anos de idade era capaz de desfilar sapatos, bolsa e tailleur da mesma estampa. “Falavam do meu cabelo, da minha roupa, do meu jeito. Eu não podia fazer o que as outras jovens da minha idade faziam”, diz ela. A dois meses do dia da eleição, ainda é tempo de pensar na primeira-dama ideal para os próximos quatro anos.

 

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