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No
coração do poder, elas são testemunhas de
conchavos políticos, momentos de felicidade, solidão
e angústia do chefe do governo. Para quem está de
fora, a primeira-dama é sobretudo um ícone de estilo,
especialmente depois que a era da televisão transformou Jackie
Kennedy numa das mulheres mais admiradas, invejadas e copiadas do
mundo. E, na seqüência, resgatou-a como o grande símbolo
de dignidade da nação, ao imortalizá-la no
tailleur cor-de-rosa manchado com o sangue do marido assassinado,
com o qual Jackie seguiu horas depois para a posse de Lyndon Johnson
na Casa Branca.
No Brasil, a primeira-dama também tem um papel crucial no
imaginário popular. A média do eleitorado vê
o presidente e a primeira-dama como um modelo de família
tradicional, diz o psicólogo Antonio Carlos Amador
Pereira, da PUC de São Paulo. Assim, ela simboliza
a mãe do País. Dada a largada na corrida presidencial
deste ano, os holofotes estão voltados agora para a dona-de-casa
Marisa Lula da Silva, a atriz Patrícia Pillar, a psicoterapeuta
Monica Allende Serra e a radialista Rosinha Garotinho.
Prova de que primeira-dama importa, sim, é que parte da fulminante
ascensão do candidato da Frente Trabalhista Ciro Gomes nas
pesquisas é creditada ao engajamento de Patrícia Pillar.
Pesquisa do Vox Populi indica que 45% das pessoas ouvidas pelo instituto
acham que a presença dela ajuda Ciro Gomes. E só 3%
dizem que ela pode atrapalhá-lo.
Espécie de porto seguro do marido na política interna,
a primeira-dama se converte em espelho do Brasil na política
externa. A embaixatriz Lúcia Flecha de Lima, anfitriã
de vários chefes de governo nos principais postos diplomáticos,
diz que a figura da primeira-dama é imprescindível
nas relações internacionais. Nas viagens de
chefe de Estado, as pessoas prestam muita atenção
à primeira-dama, diz ela.
Num dos casos mais emblemáticos do carisma da primeira-dama,
Evita Perón chegou a superar a popularidade do próprio
marido Juan Domingo Perón. O Brasil não teve Evitas
nem Jackies. Mas chegou perto com Maria Thereza Goulart que, bonita,
jovem e chique, dava charme ao governo de João Goulart, nos
anos 60. Após a ditadura, quando as primeiras-damas se ressentiram
tanto de beleza quanto de elegância, reinou o estilo bonachão
de Marli Sarney. Com a primeira eleição direta para
presidente, em 1989, apareceu a vistosa Rosane Collor, que no ímpeto
de seus 25 anos de idade era capaz de desfilar sapatos, bolsa e
tailleur da mesma estampa. Falavam do meu cabelo, da minha
roupa, do meu jeito. Eu não podia fazer o que as outras jovens
da minha idade faziam, diz ela. A dois meses do dia da eleição,
ainda é tempo de pensar na primeira-dama ideal para os próximos
quatro anos.
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