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08/07/2002

   
“Podíamos ser segundo com uma campanha consistente, mas ser primeiro é sempre maravilhoso’’ Felipão, após a conquista do penta
Felipão
Ronaldo
Rivaldo
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Marcos e Cafu
Roberto
Carlos, Ricardinho
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Felipão, o paizão da Vitória
A conquista do penta coroa o pai da família Scolari, que engoliu críticas durante um ano à frente da Seleção e agora é festejado por sua teimosia

Eduardo Minc

 
AP
“Só posso dizer aos jogadores que se divirtam dentro de campo e ganhem o jogo’’ Felipão, na véspera da final, domingo 30

Um dos dias mais esperados do ano no futebol, tanto para jogadores quanto para torcedores, foi 6 de maio. Neste dia, o técnico Luís Felipe Scolari, 53 anos, anunciou quem seriam os jogadores convocados para disputar a Copa do Mundo de 2002. Contra tudo e contra todos, ele deixou de fora Romário, um dos maiores artilheiros do Brasil. Teimoso, não deu ouvidos aos pedidos insistentes da torcida, dos comentaristas e nem do presidente Fernando Henrique Cardoso, que clamavam pela presença do baixinho. “Com Romário ou sem Romário, se eu perder sei que estou acabado”, disse na época. Venceu a teimosia. Com a conquista do pentacampeonato do Mundial da Coréia/Japão pela seleção de Scolari, ninguém lembrou de reclamar a ausência do craque do Vasco.

O Brasil só tem a agradecer à persistência de Felipão. No jogo da seleção contra a Turquia na semifinal, o técnico teimou em manter, no segundo tempo, Ronaldo, que não mostrava o brilho das partidas anteriores. Santa teimosia. Logo nos primeiros minutos da etapa final, Ronaldo tascou um gol de bico na Turquia. Foi o tento que levou o Brasil à final contra a Alemanha, vencida por dois a zero.

Tanto a teimosia, quanto a língua ferina e o estilo pai-durão são características de longa data de Scolari, que criou na seleção de 2002 a chamada família Scolari. Ele ainda dava aulas de educação física, em 1978, quando a diretora do colégio criticou todos os professores. Felipão desafiou a chefe: “Daqui a alguns anos eu serei conhecido pelo mundo”, profetizou. No futebol, foi zagueiro do Caxias, do Juventude, do Grêmio e do CSA, mas foi como treinador que ele se destacou. Em toda a história do futebol brasileiro ele é dos mais vitoriosos. Foi três vezes campeão gaúcho, três vezes campeão da Copa do Brasil, campeão brasileiro e ainda levou duas vezes a Taça Libertadores da América. Casado há vinte anos com Olga e pai de dois filhos, Felipão sentiu na conquista do penta no Japão um gosto especial de vitória. Antes da final contra a Alemanha, ele declarou: “Já perdi duas Copas aqui (Mundial de Interclubes de 1995 e 1999). Está na hora de dar a volta por cima”, disse Felipão. Dito e feito.

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