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| “Só
posso dizer aos jogadores que se divirtam dentro de campo e
ganhem o jogo’’ Felipão, na véspera
da final, domingo 30 |
Um
dos dias mais esperados do ano no futebol, tanto para jogadores
quanto para torcedores, foi 6 de maio. Neste dia, o técnico
Luís Felipe Scolari, 53 anos, anunciou quem seriam os jogadores
convocados para disputar a Copa do Mundo de 2002. Contra tudo e
contra todos, ele deixou de fora Romário, um dos maiores
artilheiros do Brasil. Teimoso, não deu ouvidos aos pedidos
insistentes da torcida, dos comentaristas e nem do presidente Fernando
Henrique Cardoso, que clamavam pela presença do baixinho.
Com Romário ou sem Romário, se eu perder sei
que estou acabado, disse na época. Venceu a teimosia.
Com a conquista do pentacampeonato do Mundial da Coréia/Japão
pela seleção de Scolari, ninguém lembrou de
reclamar a ausência do craque do Vasco.
O
Brasil só tem a agradecer à persistência de
Felipão. No jogo da seleção contra a Turquia
na semifinal, o técnico teimou em manter, no segundo tempo,
Ronaldo, que não mostrava o brilho das partidas anteriores.
Santa teimosia. Logo nos primeiros minutos da etapa final, Ronaldo
tascou um gol de bico na Turquia. Foi o tento que levou o Brasil
à final contra a Alemanha, vencida por dois a zero.
Tanto
a teimosia, quanto a língua ferina e o estilo pai-durão
são características de longa data de Scolari, que
criou na seleção de 2002 a chamada família
Scolari. Ele ainda dava aulas de educação física,
em 1978, quando a diretora do colégio criticou todos os professores.
Felipão desafiou a chefe: Daqui a alguns anos eu serei
conhecido pelo mundo, profetizou. No futebol, foi zagueiro
do Caxias, do Juventude, do Grêmio e do CSA, mas foi como
treinador que ele se destacou. Em toda a história do futebol
brasileiro ele é dos mais vitoriosos. Foi três vezes
campeão gaúcho, três vezes campeão da
Copa do Brasil, campeão brasileiro e ainda levou duas vezes
a Taça Libertadores da América. Casado há vinte
anos com Olga e pai de dois filhos, Felipão sentiu na conquista
do penta no Japão um gosto especial de vitória. Antes
da final contra a Alemanha, ele declarou: Já perdi
duas Copas aqui (Mundial de Interclubes de 1995 e 1999).
Está na hora de dar a volta por cima, disse Felipão.
Dito e feito.
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