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Carlos
Caetano Bledorn Verri, o Dunga, é protagonista de uma virada
espetacular na carreira. Jogador da Seleção Brasileira
na derrota de 90, quando o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo
da Itália com um vergonhoso nono lugar, Dunga carregou durante
muito tempo a culpa de não ter alcançado o argentino
Maradona na hora do gol matador que mandou a Seleção
Brasileira de volta para casa. Seu nome batizou uma era a
chamada Era Dunga, sinônimo de futebol retranqueiro, defensivo
e perdedor. Em 1994, na Copa dos Estados Unidos, ele deu a volta
por cima. Com a braçadeira de capitão, entrou para
a história do futebol nacional ao suceder Bellini (1958),
Mauro (1962) e Carlos Alberto Torres (1970) no ofício de
levantar aos olhos do planeta a taça de tetracampeão
do mundo. Aquele momento está anestesiado até
hoje em mim, revelou à Gente do Japão,
por telefone. Consultor do clube japonês Jubilo Iwata, aos
38 anos, Dunga virou referência de futebol guerreiro e vencedor
posição que dá a ele autoridade para
dissertar sobre o tema e suas adjacências, como fez na entrevista
a seguir, embalado pela alegria do pentacampeonato.
A
seleção de 1994 chegou à Copa numa situação
parecida com a que conquistou o penta. Ambas estavam desacreditadas,
mas deram a volta por cima. Que comparações faria
com a equipe dirigida por Carlos Alberto Parreira e com a de Luís
Felipe Scolari?
Os dois grupos tinham em comum um ponto muito forte: a união
e a vontade de vencer. Ambos passaram pelas eliminatórias
enfrentando inúmeros problemas, o que acabou forçando
os jogadores a uma concentração muito maior. Independente
de jogar 10 ou 90 minutos, todos deram, juntos, o sangue pela seleção.
Você
acredita que o apelido Família Scolari fez jus a essa equipe?
Exatamente. Eram todos uma família, sem espaço para
brilhos individuais. Todos os jogadores tiveram consciência
da sua importância para a equipe e entenderam que ninguém
era indispensável ao grupo.
Na
sua época de jogador, a seleção foi batizada
de Era Dunga. Dizia-se que era uma equipe que apresentava um futebol
feio e retranqueiro. Até que ponto essas críticas
atrapalharam sua atuação na seleção
e até que ponto são capazes de atrapalhar o desempenho
dos jogadores em campo?
Depende da reação de cada jogador. É lógico
que ninguém gosta de crítica. E é bom frisar
que são sempre dois tipos de crítica: aquela que limita-se
ao âmbito profissional e a outra que critica o ser humano.
Qual
é a que mais incomoda?
A que é endereçada
à nossa vida pessoal, claro. Muitos comentaristas, em vez
de analisar a seleção dentro de campo, analisam o
que gostariam que fosse feito. Os críticos precisam passar
a informação fiel e não seus desejos pessoais.
É esse tipo de crítica que machuca. As seleções
de 1994 e 2002 tornaram-se campeãs porque deixaram as críticas
não-construtivas do lado de fora do gramado.
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