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Entrevista

01/07/2002

   
Colunista do jornal Folha de S.Paulo há 15 anos, José Simão garante que não recebe censura interna: “Sou o malvado mais bonzinho da imprensa”
 
CONTINUAÇÃO

O jornalismo entrou na sua vida por acaso?

• Como surgiu o Macaco Simão?
Você já fez muitos inimigos?
Se recebesse um convite para participar de Casa dos Artistas você iria?

 

José Simão
“Adoro esculhambar os outros”
O colunista mais engraçado do País diz qual é o segredo para criticar as maiores personalidades sem ganhar inimigos

Dirceu Alves Jr.

 

“Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente!” É assim que todo dia José Simão, paulistano de 58 anos, abre sua coluna escrita para a Folha de S.Paulo e republicada em jornais de outras 21 cidades do País. Já ficou automático. É a forma encontrada para aquecer o motor e entrar no assunto da hora. Há 15 anos, José Simão satiriza quem bem entende. “Não falo mal de ninguém, só esculhambo. Prefiro o mel ao fel”, diz. Em tempo de Copa do Mundo, o jornalista revela que anda com azia por causa do fuso horário da Ásia e que se mantém acordado para ver a seleção de Felipão à base de muito café. Essa é apenas uma amostra do bom humor de um sujeito que já fez de tudo. Largou o terceiro ano de Direito em São Paulo para viver a era flower-power em Londres e, depois, pregar a contracultura em Ipanema, no Rio. De volta à capital paulista, foi dono de restaurante até cair na redação da Folha de S.Paulo para ser um dos nomes mais comentados da imprensa brasileira. Falta de formação acadêmica Simão nunca sentiu: “Samba não se aprende no colégio”, justifica, com sua inconfundível risada “rá,rá,rá”, parafraseando Noel Rosa.

Você desistiu do Direito depois de cursar três anos. Por quê?
Fazia Direito da maneira mais torta. Era amigo de um namorado da Wanderléa, nem me lembro mais o nome dele. Matava aula para assistir com ele aos programas do Erasmo Carlos e da Wanderléa. Era anos 60, Beatles, Tropicália. Fui para Londres. Não daria um bom advogado nunca!

Quanto tempo você passou em Londres?
Um ano e meio, mas fiz de tudo. Fiquei contracultura total. Voltei para o Rio e freqüentava as Dunas de Gal, em Ipanema. E as pessoas pensam: ele não fazia nada? Nada não! Ficava batendo palmas para o pôr-do-sol todo dia, depois corria para o show da Gal. Tudo acontecia na praia. As pessoas bolavam espetáculos, roteiros. O Cazuza era muito menino, ficava querendo se enturmar, e a gente não deixava. Relógio era uma coisa abominada. Nosso tempo era outro.

O jornalismo entrou na sua vida por acaso?
Estava sem dinheiro e tinha amigos na Folha. Passei por uma seleção tão rigorosa que parecia que a vaga era para a Academia Brasileira de Letras. Entrei para o caderno Casa e Companhia. Logo depois, em 1987 mesmo, o pessoal da Ilustrada me chamou para fazer uma coluna de tevê. Meu olho é muito curioso, vejo de tudo.

Eles pediram uma coluna com humor ou algo convencional?
Escrever sobre tevê sempre foi complicado. Eles não queriam algo como as revistas Contigo e Amiga, mas também não era para ser nada semiológico. No primeiro dia, apresentei um texto convencional. O Matinas Suzuki (na época, secretário de redação da Folha) me disse: “Não é isso! Nós queremos um texto do jeito que você fala, com seu ritmo”. O ritmo do texto é tão importante quando o conteúdo. As pessoas têm um controle remoto na cabeça. Se você não tiver ritmo, o cara muda de página.

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