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24/06/2002

   
 
Fotos: Leandro Pimentel
“Me deparei com homens encapuzados dando tiros’’
Sílvio Guindane, sobre os dois meses em que morou na favela da Rocinha como preparação para um filme

 

Sucesso / Sílvio Guindane
A última do Basílio
Carioca de 18 anos que interpretou
fofoqueiro em O Clone morou em favela
para viver nos cinemas garoto envolvido com
o tráfico de drogas e já está captando recursos para dirigir primeiro filme da carreira

Eduardo Minc

 

Durante o tempo em que a novela O Clone, da Globo, esteve no ar, Sílvio Guindane acostumou-se a ser parado inúmeras vezes nas ruas, sempre com um leve tapinha nas costas e seguido de um pedido: “Me conta a última aí, Basílio!”. Não era para menos. Na pele do ajudante fofoqueiro da Dona Jura, interpretada por Solange Couto, o ator de 18 anos encarnou um dos personagens mais populares da história de Glória Perez. Bem-humorado, ele conta que sua fonte de inspiração foi uma vizinha da época em que ele ainda era menino em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (RJ). “Ela colocava a cadeira na frente de sua casa e se distraía falando da vida dos outros”, lembra.

Engana-se, porém, quem imagina que Sílvio Guindane é novato na profissão. O rapaz começou cedo, mais precisamente aos 11 anos, quando foi aprovado num teste em que concorreu com mais dois mil meninos para atuar no filme Como Nascem os Anjos, de Murilo Salles. Para dar maior veracidade ao personagem, um morador de favela envolvido com o tráfico de drogas, Sílvio morou dois meses na favela da Rocinha, zona sul do Rio, onde dividiu um barraco de dois quartos com uma família de quatro pessoas. “No início foi uma confusão. A mãe era evangélica, o pai jogava baralho, e um dos filhos do casal, uma adolescente, era funkeira”, recorda o ator, ao falar sobre as situações inusitadas que assistiu na casa.

Descolado, ele diz que procurou se integrar rapidamente ao clima da casa. “Até buchada eu comi com eles”, conta rindo, ao relembrar a situação. Com o passar dos dias sentiu-se seguro até para ir a bailes funk da comunidade. Em um deles, presenciou cenas que são comuns no cotidiano das favelas cariocas. “Eu me deparei com homens encapuzados dando tiros”, afirma. O esforço, porém, valeu a pena. O desempenho no longa-metragem – Sílvio já contabiliza 10 filmes na carreira – lhe rendeu dois prêmios de melhor ator nos festivais de cinema de Gramado e de Brasília, em 1996. “Ele leva a carreira muito a sério. Considero o Sílvio um colega de trabalho como qualquer veterano”, diz Solange Couto.

Fotos: Leandro Pimentel
Filho de um gráfico com uma professora de piano lírico, Sílvio queria ser jogador de basquete

Filho do gráfico Sebastião Guindane e da professora de canto lírico, Vera Lúcia, Sílvio tem outras paixões além da dramaturgia: saxofone, basquete e skate. O gosto pela música surgiu da admiração que sente pela mãe, que além de cantar, também toca piano. Recentemente, o ator começou a ter aulas de sax. “Acho a melodia do sax muito charmosa, mas tenho consciência de que estou tocando mal. Não tenho tempo de estudar”, reconhece. Fã incondicional do ex-jogador de basquete americano Karl Malone, Sílvio não perde um jogo dos Lakers e pensou em ser um jogador de basquete, como o irmão Júnior, que já atuou no Palmeiras e atualmente é empresário.

O sucesso atingido em O Clone, terceiro trabalho na Globo – atuou em Andando nas Nuvens e na minissérie Aquarela do Brasil – será um dos cartões de visita para os projetos que Sílvio tem em mente. O ator quer se tornar diretor e seu primeiro filme, Felizes para Sempre, um curta-metragem que terá Mariana Ximenes e Heitor Martines no elenco, já está em processo de captação de recursos. “Ninguém está recebendo cachê e até ganhei uma câmera do Edson Celulari”, conta ele, que trancou a matrícula da faculdade de letras para se dedicar à carreira de ator.

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