Veja também outros sites:
Home •• Revista ••• Reportagens  
Reportagens

24/06/2002

   
 
Prensa Três
A associação com a mãe (acima) deve ficar restrita ao largo sorriso. Canções de seu repertório serão evitadas, por enquanto: “Seria um suicídio”

 

Música / Maria Rita Mariano
Flor de Elis
Aos 24 anos, a filha caçula de Elis Regina e César Camargo Mariano volta para o Brasil, depois de oito anos nos Estados Unidos, lança-se como cantora, mas diz não ter pressa para gravar um disco

Dirceu Alves Jr.

 
Claudio Gatti
“O assédio é compreensível. As pessoas querem saber como é a filha de Elis. Só preciso saber lidar com isso’’ Maria Rita Mariano

Acaba de surgir mais uma cantora no país das grandes cantoras. O nome dela é Maria Rita Mariano, paulista de 24 anos, nenhum disco lançado e muita vontade de aprender na marra o ofício escolhido quase que inconscientemente, como diz. Maria Rita pretende se destacar das centenas de aspirantes a artistas que pipocam por aí com um repertório de qualidade e, principalmente, por sua personalidade, sua independência.

Não precisaria de nada disso, caso optasse por caminhos fáceis. Ela é a filha caçula de Elis Regina e do instrumentista César Camargo Mariano. Seus irmãos são o produtor João Marcelo Bôscoli e o cantor Pedro Mariano, e um dos melhores amigos chama-se Milton Nascimento. “Não tenho pressa. Estou no começo e não posso fugir da realidade. O assédio é compreensível, dada a minha árvore genealógica. As pessoas querem saber como é a filha de Elis. Só preciso saber lidar com isso”, confessa a jovem, que diz não ter lembranças do convívio com a mãe, morta quando ela tinha quatro anos. “Prefiro não falar disso. Minha família já é tão pública. Tenho que dar um limite para as coisas.”

E Maria Rita viveu quase no anonimato até ser chamada, depois de uma audição, para um show do compositor Chico Pinheiro, em São Paulo, há um mês. “Tecnicamente, ela ainda tem muito o que aprender. O forte de Rita é a entrega. Hoje, as cantoras estão muito técnicas e pouco interpretam”, avalia Pinheiro. De 1994 até 2001, Maria Rita morou nos Estados Unidos, ao lado do pai, na cidade de Chatam. Formada em Comunicação, especializou-se em assuntos da América Latina e estagiou em uma produtora de vídeo. “Foi bom sair do Brasil. Estava insegura, fragilizada pela adolescência. Encontrei uma paz interior que não teria sido capaz de atingir se tivesse permanecido por aqui”, reconhece.

A certeza de trabalhar com música surgiu por lá. Maria Rita cursava o terceiro ano da universidade e, como não sabe deixar nada pela metade, terminou a faculdade antes de adotar a profissão. “Foi a música que me escolheu. Bem que tentei escapar de tal destino, mas quando tomo uma decisão, o assunto está encerrado”, brinca. Cantou em corais e, com a ajuda do pai, aprendeu a ler partituras. O desejo de voltar ao Brasil foi antecipado com os atentados de 11 de setembro. “Pensava em montar uma revista adolescente, mas fiquei sem perspectiva. Há tempos, queria fazer alguma coisa pelo meu povo, mas pensava na cobrança que enfrentaria por ser filha de quem sou.”

Maria Rita faz aulas de aperfeiçoamento e técnica vocal e só toma água sem gelo. “Esse instrumento que carrego na garganta é mais delicado do que um piano ou uma guitarra”, compara. Quer aprender com a estrada e só pensa em um disco para o próximo ano, caso se sinta segura o suficiente, independente do assédio das gravadoras. “É no palco em que a gente derruba o microfone no meio da música porque pisou no fio e não pode deixar a peteca cair.” Fã de Ella Fitzgerald, Mercedes Sosa, Milton Nascimento, João Bosco, Leila Pinheiro, Ed Motta e Zélia Duncan, está aberta para qualquer tipo de som. “Ouço Jair de Oliveira, Elder Costa, Lenine, mas também pesquiso Chico Buarque e Rita Lee. Não gosto é de música burra”, resume. Para quem a assiste em cena, a associação à mãe, por enquanto, deve ficar limitada ao belo sorriso e aos gestos, às vezes, exagerados. Canções consagradas por Elis serão evitadas. “Seria um suicídio.”

Comente esta matéria
Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 151
 
ENQUETE
Thomas Green Morton conseguirá ganhar o desafio milionário do mágico americano James Randi?
:: VOTAR ::
 
FÓRUM
O psicoterapeuta Ari Rehfeld diz que confinamento de reality show pode levar participantes à depressão e que o ponto em comum entre eles é a carência afetiva. O que você pensa a respeito? Dê sua opinião
 
 BUSCA

RESUMO DAS NOVELAS
Saiba o que vai acontecer durante a semana na sua novela preferida
JOGOS
Monte sua alma-gêmea e ganhe um papel de parede para seu computador
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
| ISTOÉ | DINHEIRO | PLANETA | ISTOÉ DIGITAL | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2002 Editora Três