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24/06/2002

   
 
Leandro Pimentel
Ela define os reality shows como “uma masturbação verbal”
Leandro Pimentel
“Engravidei sem planejar. Ficou a decepção pela perda e a certeza de que a maternidade exige que se pare a vida’’
Drica Moraes

 

Televisão / Drica Moraes
Atriz cômica, mulher de fibra
Reconhecida pelos papéis cômicos que interpretou, a atriz fala sobre o aborto que sofreu e critica os reality shows

Luís Edmundo Araújo

 

Aos 10 anos, ela reunia amigos e construía cenários com papel laminado, caixas de ovos e latas de leite condensado. Com a parafernália, produzia e atuava no musical infantil Os Saltimbancos. Não satisfeita em se apresentar apenas para vizinhos, levou a peça a duas instituições que cuidavam de crianças carentes. “Convenci meu irmão, muito tímido, a interpretar um cachorro, minha irmã, a galinha e eu fazia a gata. Quem tocou o negócio fui eu e uma amiga, que, talvez por causa da peça, tornou-se veterinária”, conta. Acumular funções, como se vê, nunca foi problema para a atriz Drica Moraes, 32 anos, que atualmente se divide entre a peça Mamãe Não Pode Saber, em cartaz no Rio, e a psicóloga Gilda, que interpreta em Desejos de Mulher, da Globo.

Ano passado, porém, a atriz não conseguiu se desdobrar para dar conta de uma gravidez, uma peça de teatro em São Paulo e uma novela no Rio. Resultado: sofreu um aborto espontâneo. “Engravidei sem planejar. Ficou a decepção pela perda e a certeza de que a maternidade exige que se pare a vida. E essa decisão eu ainda não tomei.” Drica estava empolgada com a possibilidade de se tornar mãe. Hoje, o casamento de sete anos com o diretor Régis Faria, segundo ela, está “em fase de transição”. Sem querer se estender no assunto, diz que a vontade de ser mãe continua firme, mas que o projeto, agora, é a longo prazo.

Mais conhecida pelos papéis cômicos, a atriz acredita que se livrou desse rótulo depois de fazer duas vilãs nas novelas Xica da Silva e O Cravo e a Rosa. Mas nem pensa em abandonar o gênero, que lhe rendeu bons papéis até em publicidade – o mais conhecido foi o desempenho nos comerciais do “Casal Unibanco”. Drica confessa que “enriqueceu um pouquinho” com o trabalho, mas a maior realização foi passar no teste. “Tinha mais de 200 pessoas concorrendo e o João Salles (diretor do comercial) me escolheu. Me senti a rainha da Inglaterra.”

A carreira profissional de Drica começou no início dos anos 80, quando participou da peça Os 12 Trabalhos de Hércules. Daí surgiram convites para peças infantis, musicais, e a moça que já cantava e estudava piano passou a ganhar a vida com a arte. “Ela pensa o espetáculo como um todo”, diz João Falcão, autor e diretor de Mamãe Não Pode Saber. Muito da inclinação para o trabalho coletivo vem da Cia. dos Atores, que Drica ajudou a criar, em 1988, com amigos. “Nunca tive essa coisa de estrela, de produzir um monólogo pra mim”, diz.

Drica pensa em dar aulas de teatro ano que vem, quando a companhia deverá ganhar uma sede própria. Enquanto isso não acontece, ela mantém a forma para aparecer com tudo em cima na novela da Globo. Ela corre 40 minutos quatro vezes por semana, faz alongamento e nada mais. “Não sou paranóica com isso.” Ela reconhece que a tevê exige certos padrões. “Os negros reclamam da falta de papéis, mas também não tem papel para gorda e velho. Agora até tem uma onda em cima do drogado, do deficiente físico, mas a televisão não abre muito espaço para o não convencional”, diz.

Drica também é uma feroz crítica da onda de reality shows que invadiu a tevê brasileira. “É uma masturbação verbal, onde as pessoas falam e não dizem nada”, diz. “Não vejo benefício em Casa dos Artistas 3 ou Big Brother 2. Prefiro uma novela que fale sobre alcoolismo, drogas, do que algo que só contribui para a alienação.”

Agradecimento: Restaurante Bar D’ Hôtel

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