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Entrevista

24/06/2002

   
 Piti Reali
“Há prazer na fala do Pedro Bial, ao comentar o descontrole de alguém, um rompimento de limite. Ele representa a vontade dos telespectadores. É a cultura do ‘vale tudo’”
 
CONTINUAÇÃO
Que dano psicológico pode sofrer uma pessoa que, como os participantes do Big Brother 2, Tarciana e Jefferson, tiver relações sexuais em rede nacional?
• É mais difícil para alguém com 38 anos, como a comissária de bordo Cida, do segundo Big Brother, participar de um reality show?
• Para quem expõe seus sentimentos, como o Thyrso, e a Bárbara Paz na Casa dos Artistas, pode ser pior na hora de sair?

 

Ari Rehfeld
“Reality show pode causar até depressão”- continuação
 

As atitudes tomadas na frente das câmeras são artificiais?
A maioria sim. Com o passar do tempo isso é perdido. Entre o Supla e a Bárbara, na Casa dos Artistas, havia sexualidade envolvida, erotismo, você sentia na relação algo de emocionalmente efetivo. Entre a Vanessa e o Sérgio, do primeiro Big Brother, era aquele beijo sem graça, insosso. O público percebe esse tipo de coisa.

Acredita que, ao longo do programa, a importância do contato com namorados e familiares diminui?
Quem vivencia isso fantasia o que o outro vê, constrói uma história num eixo. Só que quem está fora não participa desse eixo e o participante do show não tem como checar o real. Quanto mais o tempo passa, maior a distância entre o que o participante supõe que familiares estão pensando e a realidade.

É mais difícil para alguém com 38 anos, como a comissária de bordo Cida, do segundo Big Brother, participar de um reality show?
Um pouco. Exige um grau de flexibilidade maior. Quanto maior a experiência, mais “moral da história” se tem. Quando se tem mais idéias formadas e valores definidos, maior a dificuldade de flexibilizá-los em relação a alguém mais jovem.

Os outros participantes rejeitam a Cida, que já foi duas vezes para o paredão. Isso acontece por ser mais velha?
Em princípio a idade não é um problema. A questão maior é a personalidade dela. A Cida toma posições no mínimo distantes da maioria do grupo. Ela entrou na defesa daquela que quebrou tudo (Tina) quando o grupo inteiro estava muito mal com ela. Como se ela rompesse um pouco um certo acordo do grupo. Ela se diferencia dos demais do grupo e representa uma ameaça.

Por isso ela se tornou um personagem carismático e não foi eliminada pelo público?
O público começa a amadurecer um pouquinho e passa a pensar de um modo mais sofisticado. No começo pensa “gosto ou não gosto”. Depois pensa que esse participante pode criar uma série de situações lá dentro. É um tempero para toda essa situação, dá uma agitada. Então o público começa a querer pessoas mais dinâmicas, goste ou não. Não acontece nada lá dentro e por isso a emissora fica criando situações.

Por que o senhor acha que não acontece nada lá dentro?
Um grupo pode se juntar em algum lugar e recriar formas de expressão artística. Se fosse um grupo de pessoas de teatro, uma peça inteira seria criada. Poderiam discutir temas como política, um poderia ensinar para o outro, até um livro poderia sair lá de dentro. Mas esse grupo é formado por pessoas que, de algum modo, nunca aprenderam a se aprofundar. São perfeitas para uma sociedade consumista. Vivemos numa época em que tudo é muito descartável, então, nessas situações de clausura, ao invés de produzir e criar, há rapidamente um empobrecimento das relações. As conversas vão se limitando a conflitos e as relações vão ficando mais instintivas. A sexualidade aflora porque não há outra coisa a se fazer.

A atitude da Tina, que quebrou tudo lá dentro, é um episódio de loucura?
Poderia ser. Mas o resto do grupo, unanimemente, pegar as coisas dela e jogar na piscina, também. O fato de estar fazendo a mesma coisa não exime ninguém de um movimento “anormal”. Tenho impressão de que ela tomou determinadas posições que desagradaram o grupo e não soube voltar atrás. Então ela acirra essas posições, uma reação um pouco infantil. Todo comportamento que desviar do grupo, num jogo onde alguém será excluído, sempre é visto como perigoso. Você tende a pôr para fora todas as pessoas que de alguma forma representam perigo, as fortes e as que se diferenciam.

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O psicoterapeuta Ari Rehfeld diz que confinamento de reality show pode levar participantes à depressão e que o ponto em comum entre eles é a carência afetiva. O que você pensa a respeito? Dê sua opinião
 
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