|
Livros - Romance
A Mulher
que escreveu a Bíblia
Moacyr Scliar faz versão inovadora de episódios
bíblicos
Heitor
Ferraz
Foto:
Ricardo Rimoli |
O crítico
americano Harold Bloom deu a deixa para que o romancista gaúcho
Moacyr Scliar criasse um empolgante romance. A Mulher que Escreveu
a Bíblia (Cia. das Letras, 224 págs., R$ 21) é
baseado numa hipótese levantada por Bloom de que a primeira
versão da Bíblia teria sido escrita por uma mulher,
uma pessoa altamente sofisticada, culta e irônica, destacada
figura da elite do rei Salomão. Com essa informação,
Scliar colocou sua cabeça de fabulista para funcionar a todo
vapor, criando uma narrativa envolvente.
No seu livro,
uma mocinha de interior, vendo que seu castelo de sonhos amorosos
desabara, procurou a ajuda de um picareta que descobrira uma maneira
simples de ganhar dinheiro: ser terapeuta de vidas passadas. Assim,
a mocinha acabou descobrindo que era uma das 700 esposas do bíblico
rei Salomão. Não uma qualquer, mas uma especial: mesmo
sendo a mais feia de todas, ela tinha o privilégio de saber
ler e escrever muito bem - coisa raríssima para a época.
O romance de
Scliar é a narrativa em primeira pessoa de uma das esposas
de Salomão, aquela que ele não desejava, mas que designara
para uma importante missão: ser a redatora de um livro que
contaria a história da humanidade, o Velho Testamento. Em
vez de uma declaração de amor, uma proposta editorial,
conta a jovem escriba. Com isso, Scliar faz um romance no qual recria
episódios bíblicos, em versões inovadoras e
bastante irônicas. Cria uma inquietante fábula, entrelaçando
os bastidores da corte de Salomão e o destino espelhado dessas
duas moças, as de ontem e a de hoje.
Viagem ao princípio da história
|