15 de novembro de 1999
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O acelerado Marcelinho Carioca

Foto: Piti Reali

Se a vida fosse apenas uma questão de tempo, o editor-assistente Carlos Henrique Ramos, 35 anos, estaria ainda hoje agradecendo os 15 providenciais minutos que separaram sua reportagem de um acidente cinematográfico, na segunda-feira 1.º de novembro. Escalado para uma matéria com a principal estrela do time favorito ao título nacional de futebol, CH, como é conhecido na redação da revista, foi ao encontro do jogador Marcelinho Carioca, do Corinthians. Era o final da manhã e Marcelinho estava num estúdio no bairro do Cambuci ensaiando com o Divina Inspiração, grupo de pagode gospel do qual ele é produtor e vocalista.

Encerrado o ensaio, o repórter almoçou com Marcelinho num restaurante por quilo e, para prolongar a entrevista, aceitou a carona até o estádio do Corinthians, onde o jogador se reapresentaria. Marcelinho estava acelerado. A bordo de um BMW azul, ele chegou a passar um sinal vermelho, deu R$ 5 de esmola a uma mendiga e, ao entrar no clube, foi direto para a massagem. Começou então a contagem salvadora de CH. Enquanto ele tentava acompanhar o craque pelos vestiários do Corinthians, o segurança de Marcelinho, que estava no banco de trás, pegou o carro. Em 15 minutos, chegou a informação de que a BMW azul tinha capotado na perigosa avenida da Marginal do Tietê. CH respirou fundo. A única coisa que ficara comprometida foi sua entrevista.

O jogador deveria deixar o clube com destino à igreja que freqüenta. Carlos Henrique estava lá, esperando pelo craque, mas ele não apareceu. Marcelinho passou num posto de saúde para conferir se o seu segurança estava bem e em seguida foi à delegacia registrar a ocorrência. Mesmo cobrindo a área de esportes há 11 anos, o são-paulino Carlos Henrique nunca havia falado pessoalmente com Marcelinho. “O gigante da bola é baixinho e magrinho e o moleque dos estádios é um organizado empresário que vive com agenda cheia”, afirma CH. “No final, sua simpatia desfaz a imagem de arrogância que muitas vezes ele demonstra nos gramados.”

Luciano Suassuna
Diretor de Redação

 

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