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10/06/2002

   
 
Alessandra Piedras
“Xuxa me aconselhou a não me expor demais porque muita gente pode não entender minha espontaneidade”, diz Tina
Divulgação
Alessandra Piedras
Rebeldia para alguns, grosseria para outros, a bagunça de Tina rendeu 40 pontos no Ibope. “Antes de entrar no programa eu disse a eles (diretores) que daria boa audiência por ser criativa”, diz Tina

 

Televisão
A bagunceira do Big Brother
Vanessa Cristina Soares Dias, a Tina do reality show da Globo, ganhou um cachorrro de Xuxa e já recebeu 5 mil e-mails de crianças por sua polêmica atuação no programa

Eduardo Minc

 

Poucos dias antes de se confinar na casa do Big Brother Brasil, Vanessa Cristina Soares Dias, a irreverente Tina do reality show da Globo, viveu uma experiência que deixaria muitas pessoas apavoradas. Ela e mais duas amigas foram vítimas de um seqüestro relâmpago na Linha Vermelha quando vinham de São Paulo para o Rio de Janeiro. Durante uma hora, Tina ficou em poder dos bandidos. Tranqüila, não deixou o desespero tomar conta e negociou com eles a sua libertação e das amigas. “Fiquei com um cano na minha barriga e durante vinte minutos negociei a minha vida”, conta ela, lembrando que logo depois foi libertada na Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso da cidade. “Saí pela rua cantando ‘Sem Lenço, Sem Documento’.”

A coragem que demonstrou ao se livrar dos seqüestradores foi a mesma que norteou as duas semanas em que participou da segunda versão do programa. Tina foi até agora a participante mais polêmica do Big Brother e conseguiu a façanha de ser a única a não receber a solidariedade dos amigos no dia em que foi eliminada. “Faltou fair play do pessoal”, diverte-se. O fato é que as atitudes que tanto indignaram os demais participantes, como bater panelas uma noite inteira sem deixar ninguém dormir, boicotar uma prova na qual deixou o grupo sem a metade do estoque de alimentação para a semana e chamar um dos rapazes da atração de “viado” renderam à emissora na terça-feira 28, dia em que ela deixou a casa, uma audiência média de 40 pontos. “Antes de entrar no programa eu disse a eles (diretores) que daria uma boa audiência por ser criativa”, gaba-se.

Bem-humorada, ela não está preocupada com a imagem que possa ter passado durante o tempo em que esteve no programa. E avisa: “Nunca tive problemas emocionais ou fiz análise. Podem ter certeza de que sou normal”, garante. Ao contrário do que havia dito inicialmente à produção do programa, quando afirmou não ter qualquer pretensão artística, ela conta que seu objetivo sempre foi conhecer a apresentadora Xuxa Meneghel. “Queria conhecer a Xuxa mais de perto e ter oportunidades de trabalhar na tevê.” O primeiro objetivo ela já conseguiu. Não só conheceu a loura como ganhou um cachorro de presente. “Xuxa me aconselhou a não me expor demais porque muita gente pode não entender minha espontaneidade.”

A irreverência de Tina conquistou as crianças. Desde que foi eliminada, a moça já recebeu cerca de 5 mil e-mails de fãs mirins. “O amor deles é animal”, diz. Tina acredita que a partir de agora sua vida vai mudar. “Quero ter um programa infantil. Gosto de trabalhar com crianças porque elas são sinceras”, defende ela, que está cursando o segundo ano da faculdade de Turismo. Ao contrário do que muitos pensam, ela jura que não guarda mágoa de nenhum dos participantes do Big Brother. “Não vou procurar ninguém, mas se receber um telefonema de algum deles não terei nenhum problema em falar”, afirma Tina. Ela conta que esta não foi a primeira vez que enfrentou uma reação adversa para conseguir seus objetivos. Há dois anos, ela arrumou uma enorme confusão ao tentar assistir ao jogo da seleção brasileira de vôlei nas Olimpíadas da Austrália. “Furei a fila e armei o maior barraco na frente do estádio. Só parei quando consegui entrar”, recorda ela, que morou em Sydney durante dois anos.

Antes de entrar no Big Brother, Tina trabalhava fazendo transcrições de depoimentos de vídeos para uma produtora de São Paulo, onde mora, e ganhava R$ 1 mil por mês. Apaixonada por futebol, fez inúmeros testes para atuar em equipes femininas em São Paulo. Não foi aprovada mas joga como amadora no Centro Olímpico de São Paulo. Agora, com a fama repentina seus objetivos são outros. Enquanto o programa infantil não acontece, ela quer mesmo é ir à Copa do Mundo e trabalhar como comentarista. “Acho que entendo de futebol o suficiente para não fazer feio”, aposta.

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