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polícia encontrou perto de uma gruta na favela um corpo carbonizado
e fragmentos de fitas de filme 8 mm – não utilizadas em microcâmeras.
O exame de DNA fica pronto até 15 de junho |
Para
ele, sua mais nova missão era muito mais importante do que
somar mais um furo jornalístico à brilhante carreira
de repórter investigativo. Ao invadir o submundo violento
da favela de Vila Cruzeiro, na Penha, no subúrbio do Rio,
para denunciar a existência de um baile funk promovido por
traficantes do morro, que seria financiado com o dinheiro do tráfico
de drogas e onde haveria exploração sexual de menores,
o jornalista da Rede Globo Arcanjo Antonino Lopes, o Tim Lopes,
50 anos, atendia a um pedido dos moradores da comunidade.
Impotentes
diante do pouco caso da polícia, eles ligaram para a emissora
duas semanas atrás com a esperança de que a repercussão
de uma reportagem produzida por Tim ajudasse a resolver o problema.
Contudo, contando apenas com sua experiência e sem dispor
do aparato de segurança da polícia, Tim Lopes desapareceu
na noite do domingo 2, quando finalizava a reportagem. Muito abalada,
sua mulher, Alessandra, está sendo acompanhada por uma assistente
social da Globo, onde ele trabalhava desde 1995. Antes, esteve no
Jornal do Brasil, em O Globo e em O Dia, entre
outros veículos.
A
determinação e precisão do repórter
lhe renderam o primeiro Prêmio Esso de Telejornalismo, em
dezembro do ano passado, como autor da matéria Feira
de Drogas, na qual mostrava a livre comercialização
de maconha e cocaína, à luz do dia, no centro de uma
favela carioca. Na época da ditadura militar, desafiou a
censura ao escrever reportagens sobre sexo no jornal alternativo
O Repórter. Acabou preso de forma arbitrária
por alguns dias.
Desta
vez, porém, o desafio era maior. A Vila Cruzeiro é
considerada uma das favelas mais perigosas da cidade, comandada
pelo traficante Elias Pereira da Silva, conhecido como Elias Maluco,
um dos chefes do Comando Vermelho. Aquela foi a quarta visita de
Tim à região. No sábado, ele chegou a dormir
na favela e voltou ao local no domingo, com uma microcâmera
escondida. Combinou de encontrar-se às 20 horas com o motorista
que o levou, Rudman Castro. Na hora marcada, entretanto, apareceu
e disse que ainda não tinha finalizado o seu trabalho. Remarcou
o encontro para as 22 horas e não apareceu mais. O motorista
o esperou até meia-noite. Na segunda-feira 3, a Globo registrou
o seu desaparecimento na 22ª DP, na Penha. No meio da tarde
daquele mesmo dia, policiais fizeram uma blitz na favela e encontraram
perto de uma gruta um corpo carbonizado, duas cápsulas de
calibre 45, fragmentos de fitas de filme 8 milímetros
não utilizadas em microcâmeras e sangue.
O
material encontrado foi levado para o Instituto Carlos Éboli
para que o corpo seja identificado através de exame de DNA
e de parte da mandíbula. Foi recolhido também o sangue
de um parente de Tim, pai de um jovem de 19 anos, para a comparação
do DNA. O resultado do teste deve ser conhecido até 15 de
junho. A emissora divulgou uma nota oficial no final da tarde de
segunda 3 comunicando o desaparecimento do jornalista. Ainda
não há qualquer confirmação de que o
corpo seja do jornalista e todos nós, seus companheiros de
trabalho, torcemos do fundo de nossos corações para
que isto não aconteça, dizia a nota.
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