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Doze
de julho de 1998, Stade de France, Paris. Ronaldo Luiz Nazário
de Lima era a sombra do Fenômeno na final da Copa
do Mundo, quando a França bateu o Brasil por impiedosos 3
a 0. Após a derrota, o destino foi cruel com o craque. Não
bastasse a discutida convulsão antes do jogo, duas contusões
no joelho direito e duas cirurgias no local quase
encerraram a carreira do menino do subúrbio carioca de Bento
Ribeiro. Três de junho de 2002. O palco agora é o Ulsan
Munsu Stadium, na cidade de Ulsan, na Coréia do Sul. Quase
1.500 dias depois do pesadelo vivido na final da Copa do Mundo de
1998, Ronaldo, 25 anos, entra em campo segunda-feira 3 contra a
Turquia, disposto a renascer para o mundo da bola.
Mesmo
aquém de sua condição física e técnica
ideais, foi ele o principal destaque da seleção na
apertada vitória por 2 a 1. No primeiro tempo, praticamente
todas as boas jogadas do ataque brasileiro passaram pelos pés
do camisa 9 do Brasil. Apesar do esforço, Ronaldo só
abriu seu sorriso aos quatro minutos do segundo tempo. Em frente
à grande área adversária, Ronaldo explodiu
em velocidade rumo à bola cruzada da esquerda por Rivaldo,
adiantou-se à zaga turca e, com um vôo certeiro, empatou
o jogo para o Brasil.
O primeiro
gol do Brasil na Copa, que abriu caminho para a virada, foi dedicado
ao filho Ronald, de 2 anos. Estou muito feliz mas quero mais
gols nesta Copa, disse o atacante após a partida. Dos
jogadores que disputam o Mundial da Coréia do Sul e Japão,
Ronaldo é o quarto maior goleador, com cinco gols marcados.
Somente o argentino Batistuta, com dez gols, Vieri, com sete, e
Suker, com seis, estão à frente do brasileiro na história
das Copas.
O drama
do capitão Se por um lado Luiz Felipe Scolari ganhou o Fenômeno
de volta para esta Copa, o técnico gaúcho perdeu justamente
aquele que seria o capitão da Seleção Brasileira
na competição. Nascido na cidade de Pelotas, a 260
km de Porto Alegre, Emerson Rosa, aos 26 anos, seria o grande comandante
dentro de campo da equipe de Felipão na campanha pelo pentacampeonato.
Um ombro luxado de maneira boba, ao defender um chute de Rivaldo
no treino recreativo antes da estréia brasileira, entretanto,
tirou o aguerrido jogador de sua segunda Copa do Mundo.
As
padarias aqui da cidade até fizeram um sanduíche e
alguns doces com o nome do meu guri. Eram os mais vendidos,
conta Aloísio Rosa, de 63 anos, pai do jogador. O tom de
voz melancólico, porém, revela toda a tristeza que
o aposentado está sentindo com a notícia do corte
do filho da Seleção Brasileira. Justo Emerson que,
como um dos prediletos da Família Scolari, foi
o escolhido pelo treinador para ostentar o número sete na
camisa o número da sorte de Felipão.
Mau
presságio? O pai do volante prefere pensar que não.
Recebemos com muita tristeza a notícia, mas temos muita
fé. Agradecemos muito a Deus tudo o que o Emerson conquistou,
pois éramos uma família humilde e ele nos deu muita
coisa, lembra, orgulhoso, o aposentado.
Segundo filho de Aloísio com a dona-de-casa Terezinha de
Jesus, de 58 anos, Emerson foi o único em casa que conseguiu
realizar o sonho de ser jogador de futebol. Seu irmão mais
velho, Édson, de 33 anos, também tinha esse objetivo,
mas ficou pelo caminho. Já Emerson destacou-se no Brasil
de Pelotas ainda adolescente, e aos 17 anos era jogador do Grêmio.
Hoje
é ídolo do Roma, time pelo qual conquistou no ano
passado o cobiçado scudetto, como é chamado
o título do campeonato italiano de futebol. Sua aplicação
tática e forte marcação dentro de campo, aliados
a uma personalidade forte e discreta conquistaram o coração
de Felipão. Deus é grande e sabe o que faz.
Se Ele quis assim, paciência, é porque tinha de ser
dessa maneira, resigna-se a mãe do volante. Vamos
torcer muito para o Ricardinho, e para que o time traga a taça
do mesmo jeito.
| Um
presente para Ricardinho |
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Após
conquistar o Torneio Rio-São Paulo e a Copa do Brasil com o
Corinthians, o meia Ricardinho, de 26 anos, descansava tranqüilo
na casa dos pais, em Curitiba, no Paraná. Religioso, fez questão
de ir à missa naquele domingo 2. Apesar da insistência de Juliana
Rodrigues, 24 anos, sua mulher, para que levasse consigo o celular,
Ricardinho deixou o aparelho em casa. “Ele estava saindo da
igreja quando liguei para o pai dele para avisá-lo sobre a convocação”,
lembra uma feliz Juliana. Naquela tarde, a única preocupação
de Ricardinho era comprar a carne para o churrasco que ele queria
fazer. “Sempre foi seu prato predileto”, conta a avó do jogador,
Adélia, de 76 anos. “Desde pequeno ele levava jeito para o futebol.
Lembro que ele torcia pelo São Paulo”, entrega. A família recebeu
com surpresa a convocação. “O Ricardinho nunca havia sido lembrado
pelo Felipão”, justifica Juliana, que ajudou o marido a fazer
as malas rumo à Coréia. Apesar de lamentar o corte de Emerson,
a família agora espera ver Ricardinho em ação. |
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