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Reportagens

10/06/2002

   
AP
Ronaldo comemora seu gol contra a Turquia,
na vitória do Brasil
por 2 a 1.
AP
O atacante voou para interceptar o cruzamento feito por Rivaldo e marcar o primeiro gol brasileiro na Copa, a terceira que o jogador disputa
Reuters
Reuters
Jogando no gol, Emerson cai e luxa o ombro direito em treino recreativo no domingo 2, véspera da estréia da seleção na Copa. Em 1998, o volante foi convocado para o lugar de Romário, cortado da Copa da França por causa de contusão
“Fiquei muito triste com a notícia do corte. Agora vamos torcer pelo Ricardinho’’
Terezinha De Jesus,
mãe de Emerson

 

Ronaldo renasce o fenômeno
Destaque no jogo de estréia contra a Turquia e autor do primeiro gol do Brasil na Copa, Ronaldo mostra estar pronto para voltar a brilhar no futebol

Tiago Ribeiro

 

Doze de julho de 1998, Stade de France, Paris. Ronaldo Luiz Nazário de Lima era a sombra do “Fenômeno” na final da Copa do Mundo, quando a França bateu o Brasil por impiedosos 3 a 0. Após a derrota, o destino foi cruel com o craque. Não bastasse a discutida convulsão antes do jogo, duas contusões no joelho direito – e duas cirurgias no local – quase encerraram a carreira do menino do subúrbio carioca de Bento Ribeiro. Três de junho de 2002. O palco agora é o Ulsan Munsu Stadium, na cidade de Ulsan, na Coréia do Sul. Quase 1.500 dias depois do pesadelo vivido na final da Copa do Mundo de 1998, Ronaldo, 25 anos, entra em campo segunda-feira 3 contra a Turquia, disposto a renascer para o mundo da bola.

Mesmo aquém de sua condição física e técnica ideais, foi ele o principal destaque da seleção na apertada vitória por 2 a 1. No primeiro tempo, praticamente todas as boas jogadas do ataque brasileiro passaram pelos pés do camisa 9 do Brasil. Apesar do esforço, Ronaldo só abriu seu sorriso aos quatro minutos do segundo tempo. Em frente à grande área adversária, Ronaldo explodiu em velocidade rumo à bola cruzada da esquerda por Rivaldo, adiantou-se à zaga turca e, com um vôo certeiro, empatou o jogo para o Brasil.

O primeiro gol do Brasil na Copa, que abriu caminho para a virada, foi dedicado ao filho Ronald, de 2 anos. “Estou muito feliz mas quero mais gols nesta Copa”, disse o atacante após a partida. Dos jogadores que disputam o Mundial da Coréia do Sul e Japão, Ronaldo é o quarto maior goleador, com cinco gols marcados. Somente o argentino Batistuta, com dez gols, Vieri, com sete, e Suker, com seis, estão à frente do brasileiro na história das Copas.

O drama do capitão Se por um lado Luiz Felipe Scolari ganhou o “Fenômeno” de volta para esta Copa, o técnico gaúcho perdeu justamente aquele que seria o capitão da Seleção Brasileira na competição. Nascido na cidade de Pelotas, a 260 km de Porto Alegre, Emerson Rosa, aos 26 anos, seria o grande comandante dentro de campo da equipe de Felipão na campanha pelo pentacampeonato. Um ombro luxado de maneira boba, ao defender um chute de Rivaldo no treino recreativo antes da estréia brasileira, entretanto, tirou o aguerrido jogador de sua segunda Copa do Mundo.

“As padarias aqui da cidade até fizeram um sanduíche e alguns doces com o nome do meu guri. Eram os mais vendidos”, conta Aloísio Rosa, de 63 anos, pai do jogador. O tom de voz melancólico, porém, revela toda a tristeza que o aposentado está sentindo com a notícia do corte do filho da Seleção Brasileira. Justo Emerson que, como um dos prediletos da “Família Scolari”, foi o escolhido pelo treinador para ostentar o número sete na camisa – o número da sorte de Felipão.

Mau presságio? O pai do volante prefere pensar que não. “Recebemos com muita tristeza a notícia, mas temos muita fé. Agradecemos muito a Deus tudo o que o Emerson conquistou, pois éramos uma família humilde e ele nos deu muita coisa”, lembra, orgulhoso, o aposentado.
Segundo filho de Aloísio com a dona-de-casa Terezinha de Jesus, de 58 anos, Emerson foi o único em casa que conseguiu realizar o sonho de ser jogador de futebol. Seu irmão mais velho, Édson, de 33 anos, também tinha esse objetivo, mas ficou pelo caminho. Já Emerson destacou-se no Brasil de Pelotas ainda adolescente, e aos 17 anos era jogador do Grêmio.

Hoje é ídolo do Roma, time pelo qual conquistou no ano passado o cobiçado “scudetto”, como é chamado o título do campeonato italiano de futebol. Sua aplicação tática e forte marcação dentro de campo, aliados a uma personalidade forte e discreta conquistaram o coração de Felipão. “Deus é grande e sabe o que faz. Se Ele quis assim, paciência, é porque tinha de ser dessa maneira”, resigna-se a mãe do volante. “Vamos torcer muito para o Ricardinho, e para que o time traga a taça do mesmo jeito.”

Um presente para Ricardinho
Denis Ferreira netto/AE
Após conquistar o Torneio Rio-São Paulo e a Copa do Brasil com o Corinthians, o meia Ricardinho, de 26 anos, descansava tranqüilo na casa dos pais, em Curitiba, no Paraná. Religioso, fez questão de ir à missa naquele domingo 2. Apesar da insistência de Juliana Rodrigues, 24 anos, sua mulher, para que levasse consigo o celular, Ricardinho deixou o aparelho em casa. “Ele estava saindo da igreja quando liguei para o pai dele para avisá-lo sobre a convocação”, lembra uma feliz Juliana. Naquela tarde, a única preocupação de Ricardinho era comprar a carne para o churrasco que ele queria fazer. “Sempre foi seu prato predileto”, conta a avó do jogador, Adélia, de 76 anos. “Desde pequeno ele levava jeito para o futebol. Lembro que ele torcia pelo São Paulo”, entrega. A família recebeu com surpresa a convocação. “O Ricardinho nunca havia sido lembrado pelo Felipão”, justifica Juliana, que ajudou o marido a fazer as malas rumo à Coréia. Apesar de lamentar o corte de Emerson, a família agora espera ver Ricardinho em ação.

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