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O publicitário
Bernardo Alcântara, 30 anos, tinha oito quando o pai, o cineasta
Paulo Sérgio Alcântara, foi morto a tiros pela atriz
Dorinha Duval, em 1980. O caso está no livro A Paixão
no Banco dos Réus, da procuradora Luiza Nagib Eluf, que
analisa crimes passionais de repercussão no País.
No livro, tema de capa da edição anterior de Gente,
é relatado que Paulo foi morto após uma briga com
Dorinha em que ela teria sido humilhada e agredida. Bernardo contesta
a tese de legítima defesa que o advogado de Dorinha, Clóvis
Sahione de Araújo, usou para defendê-la e que a autora
descreve no livro, cujo lançamento será segunda-feira
10. Ela já tinha atirado contra ele dias antes, mas
não acertou. Era ciumenta e geniosa. Eu pedia para sairmos
da casa dela, diz o filho.
Após
ler a reportagem, Bernardo conversou com Luiza e obteve a promessa
de ter seu depoimento incluído na nova edição
do livro. Vou acrescentar a versão de Bernardo sobre
os fatos no caso de Dorinha. Não fiz isso antes porque desconhecia
sua existência, argumentou Luiza Nagib Eluf. Ela disse
que reconsideraria sua hipótese de absolver Dorinha Duval,
declarada na matéria, se soubesse que Paulo Sérgio
Alcântara tinha um filho. Minha pesquisa foi baseada
nos fatos do julgamento. Não ouvi ninguém das famílias.
A minha intenção não era descobrir dados novos
em relação a esses casos, mas relatá-los.
O publicitário
é filho do primeiro casamento de Paulo, com Jussara Azambuja
Alcântara. Foi morar com o pai e Dorinha quando se casaram.
Ela já pagou aqui, mas existe a justiça divina.
Rezo para que ela viva muitos anos para se lembrar do que fez,
diz. Bernardo diz que Dorinha, na época com 16 anos a mais
que Paulo, sentia-se insegura e se escondeu no porta-malas de um
carro para tentar flagrar Paulo com uma possível amante.
Bernardo diz que o pai chegou a fugir dela para os EUA, mas depois
se reconciliaram, após insistentes ligações
dela. Um dos motivos seria o hábito, de acordo
com ele, que Dorinha tinha de ir ao trabalho de Paulo para ameaçá-lo
com um revólver. O filho afirma que uma vez o chefe de seu
pai, o diretor Carlos Manga, chegou a desarmá-la procurado
por Gente, Manga nada quis declarar. Houve premeditação
para esse crime. Ele disse para a minha mãe que estava com
medo de que ela o matasse, diz Bernardo.
Jussara
Alcântara, mãe de Bernardo, descreve o ex-marido como
bem-humorado, doce com os amigos e com Dorinha. Ele nunca
encostou a mão no filho e nem em mim, diz ela, que
foi casada com Paulo por cinco anos. Dorinha foi condenada, em 1991,
a seis anos de prisão em regime semi-aberto. Hoje, aos 73
anos, é escultora e mora no Leme, zona sul do Rio.
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