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A
governadora Benedita da Silva reservou para o sociólogo
e advogado Roberto Aguiar o cargo que mais tem trazido dor
de cabeça ao governo do Rio: a Secretaria de Segurança
Pública. Aos 61 anos, o professor aposentado de Filosofia
do Direito da Universidade de Brasília tem nove meses
para diminuir os índices de criminalidade que transformaram
o Rio de Janeiro numa cidade dominada pelo tráfico
de drogas. Desde que assumiu o posto, o secretário
contabiliza com orgulho a prisão de 34 chefes do tráfico
do Rio. Roberto Aguiar pôs as prisões na conta
de sua filosofia de trabalho, que prega uma ação
mais inteligente da Polícia. Mas a ousadia dos traficantes
continua surpreendendo. As investigações envolvendo
o cantor Belo e o traficante Valdir Ferreira, o Vado, fazem
parte de um grande trabalho que a polícia vem fazendo
para combater a violência. A criminalidade hoje
é empresarial, internacional. Temos que avançar
muito, senão não daremos conta, diz.
Roberto Aguiar começou a se interessar pela questão
da segurança quando foi trabalhar como consultor jurídico
do Conselho Federal de Medicina, no começo dos anos
90. Lá, começou a estudar crimes mais sofisticados
e encontrou coisas assustadoras, como o comércio internacional
de órgãos humanos. Investigou casos de crianças
que eram levadas para o exterior com falsas adoções
e no lugar de serem adotadas eram vampirizadas.
É uma coisa gravíssima, que existe. Comecei
a desenvolver uma mente investigativa para poder entender
essas coisas, conta.
E é por meio da inteligência que o secretário
de Segurança quer vencer a criminalidade. Ele acredita
que quanto mais ciência é utilizada na ação
da polícia, menos violência acontece. E dá
como exemplo a recente prisão do traficante Celsinho,
chefe do tráfico na Vila Vintém, na Zona Oeste
do Rio, que foi capturado sem o disparo de tiros. Roberto
Aguiar defende também que uma polícia mais investigativa
diminui a influência da chamada banda podre
(policiais corruptos) da corporação e até
o número de balas perdidas. Aliás, tentar acabar
com as balas perdidas é uma promessa que pretende cumprir
até o fim do governo Benedita da Silva. Prometo
a diminuição das balas perdidas, uma polícia
mais cidadã, tecnologia para acelerar as investigações
e novas formas de policiamento, disse.
Casado, pai de quatro filhos e três filhas, cujas idades
variam de 12 a 34 anos, Roberto alivia a tensão acumulada
pelo cargo que exerce com alguns de seus hobbies: a música
clássica e os passeios que faz pela cidade para conhecer
melhor o dia-a-dia da cidade em que está vivendo. Apesar
da reforma que pretende promover na polícia, o secretário
não acredita que, sozinha, a instituição
resolva o problema da violência. Se não
investirmos na juventude não adianta falar em segurança.
Os maiores autores de homicídio estão na faixa
dos 15 aos 24 anos. E as vítimas também,
conclui.
(Carlos Braga)
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