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10/06/2002

   
“Para a polícia é uma honra prender o Belo e não o Vado”
Alessandra Piedras
Namorada de Belo há quatro anos, a modelo Viviane Araújo, 27 anos, acompanha com apreensão o desenrolar do caso. Ela diz que não vê o noivo desde quarta-feira 29 e afirma não ter dúvida da inocência de Belo.
Você ainda confia na inocência de Belo?
O Belo é inocente. Tenho certeza. Acho um absurdo este episódio envolvendo o Belo com o tráfico de drogas. Estou muito abalada e espero que isso se resolva logo. Não sei como, mas armaram alguma coisa contra ele.
Então você considera tudo isso uma injustiça?
É uma injustiça o que estão fazendo. Não entendo os motivos. É só porque ele é o Belo? Não vejo a polícia ir no morro do Jacarezinho atrás do Vado como tem vindo aqui em casa. Para a polícia será uma honra prender o Belo e não o Vado. Ele não é um traficante. Estão querendo transformá-lo num troféu.

Você está com medo?
Sim, estou com medo. A polícia entra na minha casa a qualquer hora. Outro dia oito policiais com mandado de segurança chegaram aqui em casa vasculhando tudo. Por que não entram na favela? Lá, vão levar tiro. Aqui eles são recebidos com cafezinho e pudim.

Como você se sente diante de tudo o que está acontecendo?
Estou indignada porque ele rala, se esforça e tudo que a gente tem é fruto do trabalho dele como músico. Ele não tem antecedentes criminais e nunca fez nada fora da lei. Torço para ele se entregar a qualquer momento, mas ele só fará isso quando tiver segurança de vida.

Capa
A queda de Belo - continuação

 
“Temos que avançar, senão não daremos conta”
André Durão

A governadora Benedita da Silva reservou para o sociólogo e advogado Roberto Aguiar o cargo que mais tem trazido dor de cabeça ao governo do Rio: a Secretaria de Segurança Pública. Aos 61 anos, o professor aposentado de Filosofia do Direito da Universidade de Brasília tem nove meses para diminuir os índices de criminalidade que transformaram o Rio de Janeiro numa cidade dominada pelo tráfico de drogas. Desde que assumiu o posto, o secretário contabiliza com orgulho a prisão de 34 chefes do tráfico do Rio. Roberto Aguiar pôs as prisões na conta de sua filosofia de trabalho, que prega uma ação mais inteligente da Polícia. Mas a ousadia dos traficantes continua surpreendendo. As investigações envolvendo o cantor Belo e o traficante Valdir Ferreira, o Vado, fazem parte de um grande trabalho que a polícia vem fazendo para combater a violência. “A criminalidade hoje é empresarial, internacional. Temos que avançar muito, senão não daremos conta”, diz.

Roberto Aguiar começou a se interessar pela questão da segurança quando foi trabalhar como consultor jurídico do Conselho Federal de Medicina, no começo dos anos 90. Lá, começou a estudar crimes mais sofisticados e encontrou coisas assustadoras, como o comércio internacional de órgãos humanos. Investigou casos de crianças que eram levadas para o exterior com falsas adoções e no lugar de serem adotadas eram “vampirizadas”. “É uma coisa gravíssima, que existe. Comecei a desenvolver uma mente investigativa para poder entender essas coisas”, conta.

E é por meio da inteligência que o secretário de Segurança quer vencer a criminalidade. Ele acredita que quanto mais ciência é utilizada na ação da polícia, menos violência acontece. E dá como exemplo a recente prisão do traficante Celsinho, chefe do tráfico na Vila Vintém, na Zona Oeste do Rio, que foi capturado sem o disparo de tiros. Roberto Aguiar defende também que uma polícia mais investigativa diminui a influência da chamada “banda podre” (policiais corruptos) da corporação e até o número de balas perdidas. Aliás, tentar acabar com as balas perdidas é uma promessa que pretende cumprir até o fim do governo Benedita da Silva. “Prometo a diminuição das balas perdidas, uma polícia mais cidadã, tecnologia para acelerar as investigações e novas formas de policiamento”, disse.

Casado, pai de quatro filhos e três filhas, cujas idades variam de 12 a 34 anos, Roberto alivia a tensão acumulada pelo cargo que exerce com alguns de seus hobbies: a música clássica e os passeios que faz pela cidade para conhecer melhor o dia-a-dia da cidade em que está vivendo. Apesar da reforma que pretende promover na polícia, o secretário não acredita que, sozinha, a instituição resolva o problema da violência. “Se não investirmos na juventude não adianta falar em segurança. Os maiores autores de homicídio estão na faixa dos 15 aos 24 anos. E as vítimas também”, conclui.

(Carlos Braga)

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"A polícia do Rio está empenhada em prender Belo, acusado de envolvimento com o tráfico. Mas sua mulher afirma que estão perseguindo o cantor por ele ser famoso e que deviam se preocupar com o traficante Vado. O que você pensa a respeito?" Dê sua opinião
 
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