|
Com
a prisão preventiva decretada e mergulhado numa forte crise
de depressão, Marcelo Pires Vieira, o Belo, 28 anos, está
vivendo um dos piores momentos da vida após ser acusado de
estar ligado ao tráfico de drogas no Rio. Com mais de dois
milhões de CDs vendidos e considerado o maior pagodeiro do
Brasil depois que Alexandre Pires tornou-se cantor romântico,
Belo viu a carreira começar a desmoronar no dia 6 de maio
quando foi revelada a suposta ligação com o traficante
Valdir Ferreira, o Vado, chefe do tráfico na favela do Jacarezinho,
na zona norte da cidade. Em 31 dias, o cantor, que fazia 25 shows
por mês, viu seus compromissos nos próximos dois meses
serem cancelados.
Perdeu
20 apresentações e assistiu inerte a um polpudo faturamento
que teria em comícios políticos ir por água
abaixo. Além disso, o novo CD que já estava sendo
gravado pelo artista corre o risco de não chegar ao mercado
em agosto. Esta suposta associação do Belo com
o tráfico é um desastre profissional sem precedentes.
A carreira dele ia de vento em popa, avalia o empresário
de Belo, Cláudio Lisa. A imagem dele está absurdamente
afetada. Tenho receio do que possa vir a acontecer futuramente,
admite o empresário.
O
caso envolvendo Belo é apenas a ponta de um iceberg que está
mobilizando a polícia do Rio no combate à crescente
onda de criminalidade que tomou conta da cidade. Disputas entre
facções de marginais e assaltos com ladrões
armados de fuzis ocorrem à luz do dia. A ação
que está mobilizando policiais na captura de Belo faz parte
de uma nova política adotada pelo governo Benedita da Silva.
Desde que assumiu o comando do Estado, 34 traficantes foram presos.
O caso
de Belo vinha sendo investigado em sigilo e veio à tona no
dia 6 de maio quando foi revelada a primeira fita com uma conversa
entre o cantor e o traficante Vado. Belo, que alegou inocência
em seu primeiro depoimento, acabou tendo sua versão desmentida
depois de um laudo técnico, feito na Unicamp, comprovar ser
sua a voz na conversa com o traficante. Até a noite da terça-feira
4, o cantor continuava foragido e seus advogados prometiam que ele
se entregaria à Justiça até a quinta-feira
6. Estamos aguardando a determinação da juíza
Ruth Vieira Lins. Ela é quem irá determinar quando
e onde Belo se apresentará com total garantia de sua integridade
física, disse Ary Bergher, um dos advogados que defendem
o pagodeiro.
A situação
de Belo se complicou no domingo 2 quando foram reveladas novas gravações.
Desta vez, de uma conversa entre o cantor e seu ex-advogado, Sylvio
Guerra. Na gravação, Sylvio sugeria a Belo que arrumasse
R$ 300 mil para subornar os delegados Álvaro Lins, ex-chefe
da polícia civil do Rio, e Ricardo Hallack, titular da Delegacia
de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Os dois policiais
pretendem processar o advogado por injúria. A denúncia
já está também sendo investigada pela polícia
do Rio. À primeira vista, arranjar a quantia não parecia
ser tarefa das mais difíceis para Belo. Afinal, o pagodeiro
faturou em pouco menos de dois anos cerca de R$ 4,4 milhões.
Seu patrimônio inclui uma ampla casa num luxuoso condomínio
da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, avaliada em R$ 1,2 milhão.
Em sua garagem reluz uma Mercedes 320. E deu de presente à
noiva, a modelo Viviane Araújo um Audi TT, de aniversário,
um BMW, de Natal, e um Jaguar avaliado em R$ 500 mil.
A escalada
meteórica de Belo rumo ao sucesso começou em 1997,
quando lançou com o grupo Soweto o disco Refém
do Coração, que vendeu 900 mil cópias.
Mas foi depois do sucesso de seu terceiro disco, Farol das Estrelas,
lançado em abril de 1999, e que vendeu 600 mil, que a carreira
de Belo decolou. Separou-se do grupo em fevereiro de 2000 para aventurar-se
em carreira solo. Seu primeiro disco individual, Desafio, atingiu
a marca de 600 mil exemplares vendidos. Ano passado, ele renovou
contrato com a gravadora EMI para a gravação de mais
seis discos.
Próxima
>
|