|
O humor
é a chave do sucesso de Jorge Fernando. À frente de
comédias ele experimentou o prazer dos aplausos, como nas
memoráveis novelas Guerra dos Sexos, Que Rei Sou
Eu? e Brega e Chique e chegou ao posto de diretor de
núcleo em 1995. Nos estúdios, arranca gargalhadas
dos colegas. Sua atitude de mostrar as nádegas após
dar uma sonora bronca tornou-se célebre. E agora ele se prepara
para estrear mais um besteirol no teatro. Este mês, vai atuar
e dirigir Aqui Se Faz, Aqui Se Paga, escrita por Mauro Rasi.
Apesar do currículo invejável até Roberto
Carlos já teve seu show dirigido por ele Jorginho
não está rico. Seus bens são três apartamentos
e uma casa em Araras (RJ). Aos 47 anos, o diretor ainda tem que
gastar parte considerável do que ganha para produzir suas
peças. Se não levar a vida com humor, tenho
motivo de sobra para ser uma pessoa histérica, diz
ele.
Por
que um diretor consagrado como você ainda encontra dificuldades
para conseguir patrocínio para as suas peças?
Não sei. Já ouvi de tudo. Quando buscava patrocínio
para essa peça, uma mulher de uma grande empresa disse que
eu não tinha o perfil da companhia. Porque eles só
davam patrocínio para monstros sagrados do teatro ou para
grupos com conteúdo e ela não sabia onde me encaixar.
Falei: Me encaixa no sucesso. É melhor vender
uma casa ou fazer um empréstimo no banco do que ter que implorar.
Você
está colocando dinheiro do seu bolso neste espetáculo?
Estou me dando R$ 480 mil de presente, que é o valor desta
peça. Já tenho na cabeça que perdi essa grana.
Não pode essa lei do Garotinho (ex-governador do Rio e
candidato à Presidência) de que menor de 21 anos
paga 50% do valor do ingresso. Acaba saindo mais barato que um cinema.
O meu gasto é em dólar, por isso não acho que
teatro seja caro. No Rio, eu acho que tem que custar R$ 40, se não
você não paga os gastos. Rezo para fazer sucesso porque
tenho que me manter.
O
fracasso é maior no teatro?
Na televisão não existe fracasso. As Filhas da
Mãe para mim foi um sucesso. Tudo bem que ela não
deu o índice de audiência esperado, mas nunca tive
tanto prestígio. Nunca tinha ganho 4 estrelas numa novela
e ganhei nessa. Ela não alcançou as metas desejadas
para o horário por uma série de motivos, como a guerra
do Oriente, o horário de verão, as férias.
Achei legal ela acabar antes porque saiu na glória. Depois
de 24 anos, eu inovei. Podem gostar ou não da história
do rap, mas foi um trabalho novo. Foi o melhor trabalho que fiz,
independente do número no Ibope. Eu e o Silvio de Abreu (autor
da novela) ficamos cúmplices.
Era cobrado para ter audiência?
Lógico que era. Primeiro tinha a nossa cobrança, não
queríamos fazer merda para derrubar o horário. Ainda
mais convencidos do jeito que somos por causa do sucesso que fizemos.
Sabia que tinha uma meta a cumprir, o meu salário reflete
isso, então sou o primeiro interessado. Gosto da Marluce
(Dias da Silva, diretora-geral da Globo), os diretores de
núcleo ganharam espaço com ela. Hoje, sei tudo sobre
a programação da Globo. A emissora tá preocupada
com a renovação de atores e diretores. Acho isso certo,
mas antigamente tinha uma coisa mais de grife, hoje está
pasteurizado. O importante é você colocar a sua cara.
Acho que eu tenho isso, assim como o Dênis Carvalho, o Guel
(Arraes), e o Daniel Filho. Todo mundo sabe o que pode esperar
de uma produção minha.
Próxima
>
|