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A repulsa ao sexo e a paixão por Deus permeiam a obra autobiográfica
Confissões, pilar fundamental do pensamento de Aurélio
Agostinho (354-430), ao lado de Santo Tomás de Aquino um
dos maiores pensadores do cristianismo.
E é justamente o desassossego contido em Confissões
o cerne do espetáculo Coração Inquieto,
com direção de Sérgio Módena, que teve
temporada no Rio com enorme repercussão.
A peça fala fundamentalmente da dor indissociável
às paixões. Santo Agostinho é focado no crepúsculo
de sua vida, aos 77 anos, rememorando sua adolescência profana,
e revendo seu amor por Floria, a mulher com quem viveu por 12 anos
e que teve seu único filho. Para esse mergulho no passado
de Agostinho, a encenação contou com as importantes
colaborações de Wagner Pinto, que assinou a deslumbrante
iluminação do espetáculo, e com Fernando Mello
da Costa, criador do cenário não menos surpreendente
da peça. Assim, o clima onírico do espetáculo
encanta a cristãos e pagãos.
Mas o grande desafio fica para o elenco, que deve traduzir a desproporção
emotiva gerada pelas noções de culpa e deleite, pecado
e sofrimento. Os atores mergulham em personagens que não
suportam as emoções que carregam, traduzindo esse
sentimento com um belo trabalho físico que chega ao público
e emociona. Por fim, vale destacar o texto de Sérgio Módena
que, maduro, conduz a história pela memória de Agostinho
com clareza e poesia. Santo pagão
Sesc Belenzinho
r. Álvaro Ramos, 991,
tel.: 6096-8143 São Paulo
Até 28 de julho
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