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Em seus 30 anos de profissão, o pediatra Leonardo Posternak
já viu centenas de pais angustiados passarem por seu consultório.
E mais do que febre ou dor de barriga, o problema que mais os faz
sofrer é a dificuldade de comunicação. Como
falar aos pequenos sobre a morte? Como contar sobre adoção?
O que dizer sobre a separação dos pais? Em O Direito
à Verdade Cartas para uma Criança (Globo,
168 págs., R$ 26), o médico e psicanalista ajuda os
pais a lidar com uma questão difícil e fundamental:
a verdade.
Por
que os pais mentem para os filhos?
A mentira é uma forma que os pais usam para evitar um assunto
que eles próprios têm dificuldade de abordar e para
poupar os filhos de sofrimento. O que eles precisam saber é
que o sofrimento bem elaborado pode trazer crescimento para os filhos.
Sobre o que não se fala, não se pensa, não
se elabora e só se cria ansiedade.
Quais
são as principais mentiras que eles contam?
A sexualidade ainda hoje é um problema. Adoção,
morte e a separação dos pais também são
assuntos difíceis.
Existe
alguma situação em que é melhor mentir?
Acho que não. O que os pais podem fazer quando não
sabem o que dizer diante de uma questão é falar: Agora
não sei responder, mas vou pensar, procurar saber, e depois
te respondo. Na mentira, o que está em jogo é
a confiança na palavra dos pais. E, se uma criança
não pode acreditar nos pais, não vai acreditar em
ninguém. Costumo dizer que a mais piedosa das mentiras é
muito pior do que a mais dura das verdades. Mas é preciso
saber contar a verdade, dialogar e ouvir as perguntas do filho.
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