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10/06/2002

   
Prensa Três
Da Vinci: homossexual
e filho ilegítimo de um
pai autoritário
 
 

 

 

 

 

 

Biografia
Leonardo, o primeiro cientista
Jornalista britânico revela a misteriosa vida do italiano Leonardo da Vinci

Francisco Viana


Da Mona Lisa, que teria sido o retrato da “mulher perfeita”, aos 35 anos que dedicou ao estudo da anatomia, da luz, da geografia, da astronomia, da geologia e ao vôo dos pássaros, na tentativa de descobrir como o homem poderia voar, Leonardo da Vinci sempre esteve em busca da transcendência. Foi a sede de conhecimento, a vontade de fazer coisas originais, que fez desse gênio da Renascença uma personalidade singular. No livro Leonardo, o Primeiro Cientista (Record, 364 págs., R$ 38), o jornalista britânico Michel White surpreende pela habilidade com que desvenda o enigma da vida de Leonardo. Homossexual que esteve para ser queimado na fogueira na Florença do século 15 por crime de sodomia, filho ilegítimo de um pai autoritário e narcisista, de criação simples como era natural aos rapazes do campo, Leonardo sempre cultivou extrema discrição quanto a sua intimidade. Procurou resguardá-la com o mesmo ímpeto com que cultivou a vontade de criar, de romper com os ícones do passado e de ser um cidadão do mundo. Esse personagem que se manteve alheio às disputas políticas da Itália dos Médici, dos Borgia e dos Sfoza, que rejeitava os dogmas religiosos e que ousou criticar o grande Michelangelo, é descrito com cores vivas tendo como pano de fundo uma era mágica da história da humanidade.

Com White, o leitor será entronizado num universo onde a ciência deu os primeiros passos rumo à modernidade. O drama de Leonardo, e que permanece atual, é que ele pouco conseguiu excursionar pelo imaterial campo do espírito, embora amasse a liberdade e dedicasse especial afeição pelos pássaros porque “estes eram livres de todos os grilhões”. Como cientista dedicou muito tempo em busca de uma manifestação física da alma. Não ambicionou criar clones, nem seria possível, mas dissecava cadáveres na esperança de encontrar um pequenino vestígio que fosse dessa pequenina pepita que dá forma e conteúdo à existência. Contudo, sabia das suas limitações. Para ele, a ciência era uma ferramenta de trabalho, e o conhecimento, o caminho para incentivar o amor a vida. Nunca para permitir ao homem sobrepujar os mistérios da criação e da natureza. O nascimento de um gênio

 

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