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Da Mona Lisa, que teria sido o retrato da “mulher perfeita”, aos
35 anos que dedicou ao estudo da anatomia, da luz, da geografia,
da astronomia, da geologia e ao vôo dos pássaros, na tentativa de
descobrir como o homem poderia voar, Leonardo da Vinci sempre esteve
em busca da transcendência. Foi a sede de conhecimento, a vontade
de fazer coisas originais, que fez desse gênio da Renascença uma
personalidade singular. No livro Leonardo, o Primeiro Cientista
(Record, 364 págs., R$ 38), o jornalista britânico Michel White
surpreende pela habilidade com que desvenda o enigma da vida de
Leonardo. Homossexual que esteve para ser queimado na fogueira na
Florença do século 15 por crime de sodomia, filho ilegítimo de um
pai autoritário e narcisista, de criação simples como era natural
aos rapazes do campo, Leonardo sempre cultivou extrema discrição
quanto a sua intimidade. Procurou resguardá-la com o mesmo ímpeto
com que cultivou a vontade de criar, de romper com os ícones do
passado e de ser um cidadão do mundo. Esse personagem que se manteve
alheio às disputas políticas da Itália dos Médici, dos Borgia e
dos Sfoza, que rejeitava os dogmas religiosos e que ousou criticar
o grande Michelangelo, é descrito com cores vivas tendo como pano
de fundo uma era mágica da história da humanidade.
Com
White, o leitor será entronizado num universo onde a ciência deu
os primeiros passos rumo à modernidade. O drama de Leonardo, e que
permanece atual, é que ele pouco conseguiu excursionar pelo imaterial
campo do espírito, embora amasse a liberdade e dedicasse especial
afeição pelos pássaros porque “estes eram livres de todos os grilhões”.
Como cientista dedicou muito tempo em busca de uma manifestação
física da alma. Não ambicionou criar clones, nem seria possível,
mas dissecava cadáveres na esperança de encontrar um pequenino vestígio
que fosse dessa pequenina pepita que dá forma e conteúdo à existência.
Contudo, sabia das suas limitações. Para ele, a ciência era uma
ferramenta de trabalho, e o conhecimento, o caminho para incentivar
o amor a vida. Nunca para permitir ao homem sobrepujar os mistérios
da criação e da natureza. O nascimento de um gênio
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