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| Daniela
foi morta com 18 facadas: a mãe dela, Glória Perez, não concorda
com a inclusão do assassinato da filha entre os crimes passionais |
Ela
foi morta num matagal no Rio, aos 22 anos, a três dias do
réveillon de 1993, pelo ator Guilherme de Pádua, que
contracenava com ela na novela da Globo De Corpo e Alma,
e pela mulher dele, Paula Thomaz, 19 anos, que estava grávida
de quatro meses. Casada com o ator Raul Gazolla, Daniella Perez
recebeu 18 golpes de tesoura e teve quatro perfurações
no pescoço, oito no peito e mais seis que atingiram pulmões
e outras regiões.
Dez
anos após a morte da esposa, Gazolla se incomoda com a impunidade.
Sofri com a criminalidade como milhares de pessoas também
já sofreram, mas agora sofro é com a impunidade,
diz. É um absurdo saber que as pessoas que mataram
minha mulher com 18 facadas, que deveriam ficar 19 anos na prisão,
estão na rua, livres.
O casal
criminoso tinha tatuado, em seus órgãos genitais,
os nomes um do outro, o que fez supor a existência de um pacto
de fidelidade entre Paula e Guilherme. Guilherme foi um dos primeiros
a comparecer ao funeral de Daniella para consolar Raul e a mãe
da vítima, a escritora Glória Perez, mas tanto ele
quanto a esposa logo foram presos e, um ano depois, já estavam
separados.
Em
1997, Guilherme foi julgado e condenado a 19 anos de prisão.
O veredicto, acompanhado por 400 pessoas, foi aplaudido de pé.
Três meses depois, Paula foi condenada a 18 anos e seis meses
mais tarde teve a pena reduzida para 15 anos. Glória
Perez acompanhou o julgamento, segurando as sapatilhas e uma fotografia
da filha assassinada.
Após
colher 1,3 milhão de assinaturas, Glória conseguiu
a aprovação de um projeto de lei para incluir o homicídio
qualificado no rol dos crimes hediondos, que recebem tratamento
legal mais severo e impossibilitam o pagamento de fiança
e o cumprimento da pena em regime aberto ou semi-aberto. Como o
assassinato de Daniella foi anterior à instauração
da nova lei, Paula e Guilherme foram beneficiados e cumpriram parte
da pena em liberdade. O casal ficou preso por sete anos.
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