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Entrevista

03/06/2002

   
Piti Reali
“Na reinauguração do Itaú Cultural, minha mãe falou, chorando: “Você sempre foi a primeira da classe, só que a timidez te abafava e agora você está aqui, inaugurando isso tudo”, conta Milú
 
CONTINUAÇÃO

Você passou anos sendo a filha do principal acionista do Banco Itaú e hoje é uma líder em cidadania. Quando começou a transformação?

• Meu sonho era ter um ônibus com mamógrafo para levar o exame à periferia
• Tenho orgulho do meu avô ter criado o Banco Itaú. Mas preciso de uma carreira solo
 

 

Milú Villela
“Falta a elite pôr a mão na massa”
Dedicada a incentivar o voluntariado no País,
a herdeira do Banco Itaú cobra dos ricos mais participação social

Gisele Vitória

 

Em sua pequena sala no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, a presidente do museu, Maria de Lourdes Egydio Villela, parece ter um relógio que marca o tempo de outro jeito. Para Milú Villela, cronologia é uma bobagem. Tanto que ela nem declara a idade. Poderia ter 25 anos, por sua energia esfuziante, 55 pelo porte físico de elegante senhora da elite paulistana ou 93, pela quantidade de coisas que já realizou e viveu. Mãe de dois rapazes e controladora, junto com dois sobrinhos, de 33% das ações do Banco Itaú, fundado por seu avô Alfredo Egydio de Souza Aranha, Milú abraçou a causa social como uma religião. Em 2001, comandou com galhardia o Ano Internacional do Voluntário. Presidente do Faça Parte - Instituto Brasil Voluntário, ela impressiona governos e empresários com o sucesso alcançado. Milú representa a elite que faz. Agora se concentra no projeto Jovem Solidário mantendo aquecido o motor do voluntariado. Com fôlego de leoa, acaba de reinaugurar o Itaú Cultural. Filha de Maria de Lourdes, 84, única filha de Souza Aranha, e do médico Eudoro Libânio Villela, Milú tem rica história familiar de ambos os lados.

Junto de Carlos Chagas, Eurico Villela, seu avô paterno, descobriu a doença de Chagas, sendo contaminado pelo barbeiro. “Ele morreu da doença”, ela diz. Também gosta de contar que o pai deixou a vida de pesquisador ao lado de Madame Curie em Paris para vender tecidos na rua 25 de março em São Paulo. Depois de casado, foi estimulado pelo sogro a assumir o banco que veio a se transformar no Itaú. Mística e religiosa, para ela o pai, que morreu em 2001, está sempre ao seu lado.

Você passou anos sendo a filha do principal acionista do Banco Itaú e hoje é uma líder em cidadania. Quando começou a transformação?
A gente pode nascer líder e a gente pode virar líder. Como mãe, você é líder. Levava e buscava meus dois filhos na escola, dedicava-me totalmente à família. Fui líder na família. Estava me doando, inventando cursos pra eles. Jamais pretendi aparecer em público na minha vida. Era totalmente contra os meus princípios. Quando assumi o MAM há oito anos eu era tímida, ficava enrubescida quando falava em público. Com o MAM, tudo começou. Abraçar o voluntariado nasceu disso.

E como foi se transformando?
Com meus filhos criados, tive essa oportunidade. O museu me deu autoestima. Eu não tinha isso. Percebi que tinha capacidade de fazer muito mais coisas. Eu fiz 6 anos de psicologia educacional na PUC, tive uma escola, onde introduzi o método Piaget em São Paulo. Já tinha um trabalho social em bairros da periferia. Meu objetivo no MAM era educar através da arte. Aí comecei a pensar que tinha que ser a marqueteira do MAM. Eu era uma pessoa que não tinha aparecido até então. Refiz todo o MAM em cinco meses, sem incentivo, porque naquela época a lei Rouanet demorava muito. Eu ia a grandes, médias e pequenas empresas pedir dinheiro. E à medida que ia conseguindo isso, também foi nascendo a idéia do voluntariado.

Quantos empresários você já arrebanhou para essa causa?
Vi no comando do Ano Internacional do Voluntário que tem muita gente que queria fazer o que eu faço. Por que nos Estados Unidos existem 100 milhões de voluntários? Há 23 milhões deles que dão cinco horas por semana para a causa. Isso significa que eles não seriam essa potência que eles são, se eles não tivessem a força voluntária por trás. O 11 de setembro não teria se resolvido daquele jeito, se eles não tivessem aqueles voluntários doando sangue, recolhendo os escombros e pondo a mão na massa.

A difícil experiência de ter tido câncer de mama em 2000 lhe deu garra de ir atrás dessa causa?
Eu já ia atrás. Depois disso, acho que vou mais. Nessa história do câncer, fui privilegiada. Soube por um mapa astral. Foi um astrólogo, que mora no Rio. Todo ano ele me mandava uma projeção. Nunca vi a cara dele. Naquela projeção de 2000 ele me disse que havia um nódulo do seio esquerdo. Não dava para sentir no toque. Aconselhou-me a fazer uma mamografia. Aí fui a um centro radiológico e falei: pode olhar aí do lado esquerdo, tem um nódulo. O médico achou que eu era biruta. Eu cheguei falando que estava com nódulo do lado esquerdo. Já cheguei com o diagnóstico.

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EDIÇÃO 148
 
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