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A dança
entrou por acaso na vida da paulista Adriana Lessa. Atleta do Sport
Clube Corinthians Paulista, onde praticou vôlei dos 11 aos
15 anos, ela foi como acompanhante de um amigo a um teste e acabou
encantando o diretor de teatro Antunes Filho, que na época
montava Xica da Silva. Você é a própria
Xica, disse Antunes, quando a viu. Adriana foi aprovada por
Antunes mas a produção não foi montada. Mesmo
assim seu futuro já estava traçado. Convidada pelo
mesmo diretor para atuar em Macunaíma, Adriana rodou
pela Europa, Japão, Caribe e Israel onde ainda atuou
em A Hora e a Vez de Augusto Matraga, também de Antunes
, e especializou-se como bailarina e cantora de espetáculos
musicais.
Deusa,
a personagem que ela interpreta em O Clone, da Globo, brilha
como uma espécie de rainha da dança de salão.
Adriana tem me ajudado muito nas cenas em que preciso dançar,
conta o ator Roberto Bonfim, que é namorado da atriz na trama.
Nosso país é maluco. A Adriana trabalha há
tantos anos e só agora está sendo reconhecida!
Engana-se, porém, quem imagina que Adriana freqüentou
cursos e mais cursos para se tornar uma bailarina perfeita. Somente
uma única vez ela entrou numa escola. Foi há vinte
anos, quando queria se aperfeiçoar para dançar em
uma série de comerciais.
Ao
término das gravações, Adriana pretende dar
vazão a um outro dom: o de cantora. Quero dar continuidade
ao meu trabalho musical. Pretendo gravar um disco, diz ela.
Quando encenava Macunaíma, o Antunes disse que
eu entraria em cena cantando porque tinha o maior vozeirão.
Com essa credencial, ela fez ponta como cantora em navios, no início
dos anos 90, que transportavam turistas pela costa brasileira e
Caribe. Outra dia pedi que ela cantasse uma música
para mim nos intervalos das gravações. Fiquei impressionado,
ela tem uma voz divina, conta Roberto Bonfim.
Falante
ao comentar a experiência artística, Adriana se fecha
quando o assunto muda para vida particular. Ela limita-se a dizer
que não está solteira e nem mesmo a idade gosta de
falar. Não revelo para que eu tenha a liberdade de
viver qualquer personagem, argumenta. Não gostaria
de ver alguém rotulando: Esse papel ela não
pode fazer porque tem tal idade.
Mas
Adriana não tem com que se preocupar. Com 31 anos, é
dona de uma plástica irretocável (1,74 metros de altura
e 58 quilos), que ganhou destaque, em 1998, quando atuou em Terra
Nostra. Estava de malas prontas para uma peça na
Broadway quando fui convidada pela Globo, lembra. Com o sucesso
da trama, os fotógrafos que antes abaixavam suas câmeras
quando a viam em festas de artistas por não conhecê-la,
passaram a dar-lhe maior atenção. Nada que tenha feito
Adriana mudar seus costumes. Ela é uma pessoa muito
reservada, mas que se transforma na hora de dançar e cantar,
diz Roberto Bonfim.
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