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Abordada
por uma fã mirim, a atriz portuguesa Maria João Bastos,
26 anos, procurou atendê-la da melhor forma possível.
Demonstrava simpatia, interesse e por isso estranhava o silêncio
da menina de 12 anos. Até que, num dado momento, a pequena
admiradora tomou coragem e fez a pergunta que a atormentava. Você
fala português?. A história, passada no Rio de
Janeiro há cerca de dois meses, mostra como a intérprete
da jornalista Amália em O Clone tem sofrido para se
fazer compreender no Brasil, onde vive há seis meses. Em
restaurantes, se não fizer o pedido com sotaque brasileiro
ninguém me entende, diz a atriz, já resignada.
Pelo
menos em O Clone, em que interpreta uma portuguesa, Maria
João não tem esse problema. Porém, teve de
driblar o nervosismo nas primeiras cenas com ídolos como
o veterano Reginaldo Farias. Sempre fui louca pelas novelas
brasileiras que passavam em Portugal. Não sei como não
fiquei nervosa e consegui gravar com Reginaldo sem errar,
conta ela, que estreou na televisão portuguesa em 1997. Não
percebi qualquer nervosismo por parte dela. Se ficou nervosa, ela
superou bem e não deixou transparecer nada, o que só
mostra a ótima atriz que ela é, diz Reginaldo.
No ano passado, a atriz gravava a novela A Ganância, em Lisboa,
quando foi chamada pela Globo para O Clone. Acho que
viram meu trabalho e gostaram. Terminei de gravar a novela lá
e vim, conta.
Nascida
em Benavente, a 80 km de Lisboa, a caçula de três irmãs
começou cedo a mostrar o talento artístico. Aos 3
anos, invadiu o palco onde a irmã, então com 7 anos,
se apresentava numa peça da escola, puxou o microfone e cantou
uma música popular portuguesa. Roubei a cena. Fui aplaudida
por todos, lembra. A irmã, Inês, hoje é
jornalista, mas era parceira de Maria no teatro caseiro.
Pelo menos uma vez por semana, as duas inventavam uma peça,
ensaiavam e, improvisando o figurino com as roupas da família,
se apresentavam para os pais e os vizinhos. Quando não tinha
peça, o saleiro em forma de microfone era o suficiente para
as apresentações musicais da dupla. Éramos
a animação da casa, conta.
No
ar em uma novela recorde de audiência, a atriz portuguesa
se assusta com a fidelidade dos brasileiros à trama. Em
Portugal, as novelas também são populares, mas ninguém
deixa de fazer outras coisas para ver televisão. Aqui as
pessoas não saem de casa antes de acabar O Clone,
diz. Tanta popularidade mudou hábitos de Maria João.
Adepta do topless, comum em praias da Europa, a atriz achou que
poderia tirar a parte superior do biquíni em alguma praia
mais afastada de Búzios, na Região dos Lagos do Rio.
Doce ilusão. Toda hora vinha alguém falar comigo,
me oferecer comida, bebida. Não consegui ficar sozinha,
conta.
Conhecer
o Brasil, aliás, foi outra experiência que Maria João
teve graças à novela. A atriz, que nunca tinha estado
no País, já foi à Bahia e conheceu boa parte
do litoral do Rio. No começo, foi difícil ficar longe
da família e do namorado, um piloto de avião português,
mas a experiência de modelo, que durante seis anos viajou
pela Europa, ajudou-a a superar a saudade de casa. Vir para
outro país e trabalhar num projeto tão importante
como esse é mais difícil, mas acabou tudo bem, e agora
já está no final, afirma a atriz, que pretende
retornar a Portugal tão logo terminem as gravações
da novela, em junho. Voltar ao Brasil? Tenho uma carreira
no meu país e, por enquanto, quero seguir com ela.
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