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20/05/2002

   

Política/Marco Aurélio Mello
Presidente por sete dias
O presidente do STF assume interinamente a Presidência da República durante viagem de FHC à Itália e à Espanha mas diz que despachará no sofá do gabinete do Planalto

Cecília Maia

 

Felipe Barra
Marco Aurélio na terça 14, véspera de assumir o governo: Quando o tema é eleição, ele costuma perguntar aos interlocutores se gostam, como ele, de frutos do mar, em alusão a lulas, ou melhor, ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva

Para quem sonhava ser advogado do Banco do Brasil como o pai, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, foi muito além. Tornou-se o ministro mais novo do Tribunal Superior do Trabalho em 1981, foi nomeado para o STF pelo primo e ex-presidente Fernando Collor e agora assume, por uma semana o mais alto cargo do País: o de presidente da República, enquanto o titular Fernando Henrique Cardoso, estiver na Itália e Espanha. “E eu nem imaginava que um dia viria a ser juiz”, conta. Marco Aurélio é dono de personalidade forte, defende suas posições com vigor, é polêmico nas idéias e já foi taxado como um dos mais ferozes críticos do governo FHC. “Eu e o presidente sempre tivemos um contato coloquial, espontâneo, sincero, franco e com a alegria dos cariocas”, diz.

De fato. Ambos sabem bailar pelos códigos das relações do poder com maestria. Marco Aurélio não perde a oportunidade de elogiar FHC, mas na semana passada presidia uma sessão em que derrubava dispositivos de interesse do governo na Lei de Responsabilidade Fiscal. Fernando Henrique pelo seu lado, passa recados agressivos quando contrariado, mas, esperto como ele só, deixou para o companheiro da Praça dos Três Poderes um presente: a assinatura da lei de criação da TV Justiça, que será sancionada na sexta-feira, 17. “Para mim essa ação terá um enorme significado. Além disso é um orgulho para todo o Judiciário que a sanção seja feita por um magistrado”, diz.

A assinatura será a única oportunidade, em sete dias, que o presidente interino terá de usar a caneta. Marco Aurélio já avisou aos colegas de toga, que embora defenda aumento salarial, não se aproveitará do poder para baixar medida nesse sentido. Garante que não se sentará na cadeira de presidente e que vai apenas cumprir o ritual constitucional. “Vou despachar no sofá que tem no gabinete”, diz. A agenda está lotada. Juízes, ministros dos Tribunais Superiores, amigos advogados e procuradores da República já solicitaram audiência para prestigiá-lo na interinidade.

Essa é a quarta vez na história do País que o presidente do STF, o quarto na linha sucessória, assume a Presidência da República. A primeira foi com José Linhares, que ocupou o posto por três meses durante uma crise institucional no governo Café Filho. A segunda foi com Moreira Alves, no governo Sarney, e a terceira, com Otávio Gallotti, durante o governo de Itamar Franco. Nas duas últimas vezes, o motivo foi o mesmo de hoje. Em ano eleitoral, se o político assume a interinidade ele se torna inelegível. Se o vice- presidente, Marco Maciel, candidato ao senado, o presidente do Senado, Ramez Tebet, candidato à reeleição, e o presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, provável candidato ao governo de Minas, assumissem, ficariam impedidos de disputar eleições. E todos deram um jeito de viajar também. “Estarei tomando conta da casa como um zelador”, brinca Marco Aurélio.

O zelo vai durar uma semana. Depois disso ele volta ao seu normal. Voltam as críticas, os embates, as disputas e até a forma subliminar para falar sobre suas preferências ideológicas. Numa das votações em plenário, quando teve o voto vencido, o presidente do STF afirmou: “Minha sina é estar com as minorias. Oxalá a minoria de ontem e a minoria de hoje sejam, numa alternância salutar, a maioria de amanhã”. Ele nega que tenha externado sua preferência eleitoral, mas não se furta a perguntar aos seus interlocutores se, assim como ele, gostam de frutos do mar, numa alusão clara a lulas, melhor dizendo, ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

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