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13/05/2002

   
 
Claudio Gatti
“A Troller já nasceu na selva. Nós concorremos com Mitsubishi, Nissan e Land Rover e mesmo assim estamos crescendo.
Seremos a Gurgel que
deu certo”,
diz Mário

 

Negócios/Mário Araripe
Brasileiro até o chassis
O empresário cearense, dono da Troller, fabrica o jipe que venceu marcas consagradas como Land Rover e Mitsubishi no mundial de rali

Cesar Guerrero

 
Claudio Gatti

Cada vez mais comum nas ruas de São Paulo ou do Rio de Janeiro, o jipe Troller, vencedor do campeonato mundial de rali em 2001, parece ter saído de um filme de guerra. Mas a máquina com quase 4 metros de comprimento vem mesmo é de uma fábrica na cidade de Horizonte, no interior do Ceará. Isso mesmo, o jipe é brasileiro até o chassis.

Turbinada pelo sucesso em competições, a fábrica da Troller cresceu de 12 para 450 empregados em quatro anos. Ao mesmo tempo em que se prepara para iniciar o processo de exportações, a Troller começa a aguçar o apetite das gigantes do setor automobilístico. Algumas multinacionais já fizeram propostas milionárias pelo controle da empresa, mas encontraram uma barreira intransponível. Mário Araripe, 47 anos, o presidente da Troller, rejeita todas as ofertas. “O caminho foi difícil até aqui, mas queremos chegar ainda mais longe”, afirma Mário.

Num universo onde grandes empresas tendem a engolir os concorrentes menores, Mário aposta que a Troller pode se manter em pé. “Quando contei para os engenheiros da empresa que havíamos ganhado o mundial de rali, muitos deles se emocionaram e começaram a chorar”, conta ele. O empresário viu nessa reação uma demonstração de força da empresa. “Nós não fazemos só carros. Nós fazemos tecnologia brasileira e criamos empregos no interior do Nordeste. Esse é o nosso negócio”, afirma.

Nem o fracasso da Gurgel, a fábrica brasileira de automóveis que fechou as portas em agosto de 1993, desanima o empresário. Ele lembra que a Gurgel surgiu antes da abertura às importações em 1991, e por isso não estava preparada para enfrentar a concorrência. “A Troller já nasceu na selva. Nós concorremos com Mitsubishi, Nissan e Land Rover e mesmo assim estamos crescendo. Seremos a Gurgel que deu certo.”

Mário é tão cearense quanto o Jipe que fabrica. Nasceu na cidade do Crato, no interior do Estado, na época em que seu pai, Jairo Alencar Araripe, trabalhava na construção de um açude. Ele era engenheiro do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca e empregava quase todo o salário no pagamento da escola dos cinco filhos. “Meu pai vivia nos incentivando nos estudos”, recorda Mário. Ele estudou no Colégio Militar de Fortaleza e conseguiu uma vaga no concorrido Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Fez pós-graduação em administração na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e mais tarde estudou em Harvard, nos Estados Unidos.

Mário trabalhou como executivo na indústria têxtil até montar seu próprio negócio, uma empreiteira que chegou a ter 2.000 funcionários antes de ser vendida. A idéia de desenvolver um jipe surgiu em 1997, quando o governo federal emitiu uma Medida Provisória que incentivava a criação de empresas no Nordeste. Ele se associou a Rogério Farias, um amigo que já havia construído mais de sete mil buggies, e começaram a trabalhar.

Atualmente, ele comanda vários empreendimentos no Ceará e na Bahia com um faturamento próximo de R$ 250 milhões, anualmente. Mas não esqueceu a lição que recebeu de seu pai sobre a importância dos estudos. Casado com Mônica há 23 anos, ele não olha o canhoto do cheque quando a educação dos quatro filhos do casal está em jogo. Virna, 20 anos, e Tasso, 19, estudam em universidades norte-americanas enquanto Lucas, 16, e Lara, 15, se preparam para trilhar o mesmo caminho. “Meu pai me deu a chance de estudar no melhor colégio da cidade. Eu posso ir um pouco mais longe.”

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