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06/05/2002

   
 
André Durão

Cissa acredita que sua independência assusta os homens: “Eles acham que não preciso deles porque seguro minha onda sozinha”

 

Sucesso
A guinada de Cissa
A atriz Cissa Guimarães volta às novelas após 15 anos, critica o Vídeo Show e diz que, como sua personagem em O Clone, enfrentou problemas de drogas com um dos filhos

Eduardo Minc

 
André Durão
 

Após 15 anos no comando de um quadro no Vídeo Show, Cissa Guimarães resolveu dar uma guinada na carreira. Afastada das novelas desde 1987, quanto atuou em O Direito de Amar, de Walter Negrão, a atriz não titubeou quando recebeu o convite da autora, Glória Perez, e do diretor Jayme Monjardim para voltar aos folhetins e viver a Clarisse, em O Clone. “Queria trabalhar com ela há muito tempo. Acho a Cissa uma ótima repórter, mas como atriz, ela é melhor ainda”, elogia Glória Perez.

A perda gradativa de espaço no Vídeo Show fez com que a atriz buscasse outro caminho. “Antigamente era um programa cult. Hoje ficou supérfluo e engraçado”, justifica. Ela conta que surpreendeu alguns amigos quando optou por deixar a atração para ter um papel na trama de Glória Perez. “As pessoas me diziam: “Vai largar um programa no qual você é a estrela para fazer um papel pequeno?’”, recorda Cissa, que não se arrependeu da escolha.

Assim como sua personagem – que enfrenta a barra de ver o filho adolescente envolvido com drogas –, Cissa passou por situação semelhante com um de seus filhos. Naquele momento, ela diz que o mais importante foi estar presente e não fazer da situação um drama. Hoje está tudo bem. “O Tomás já fumou como muitos adolescentes. Acho normal experimentar drogas nesse período. O negócio é chegar junto e conversar, em vez de criar um bicho de sete cabeças”, acredita. Na juventude, ela também passou por essa experiência. “Era poético, idealista. Um grito de independência da geração dos anos 70.”

Sua independência, aliás, pode ser a razão de estar sozinha hoje – ela acredita que assusta um pouco os homens. Cissa teve um casamento de 14 anos com o ator Paulo César Pereio e um de quatro com o músico Raul Mascarenhas. No início do ano, terminou um namoro de quatro anos. “Eles acham que não preciso deles porque seguro minha onda sozinha”, afirma. A atriz gosta dos homens que são capazes de surpreendê-la com pequenos gestos de delicadeza, como sentar num restaurante e chamar o garçom antes dela, abrir a porta do carro e oferecer um isqueiro para acender o seu cigarro. “Adoro ter um companheiro e ser companheira”, diz.

Mas também sabe o valor de ser uma mulher independente. Mãe de Tomás, 23, João, 18 – da união com Pereio – e Rafael, 8, do casamento com Mascarenhas, ela mora sozinha com os filhos e lembra que não foram poucas as vezes em que precisou exercer o papel de pai e mãe ao mesmo tempo. Uma delas foi em 1984, quando Cissa entrou com uma ação na Justiça contra Paulo César Pereio para que ele pagasse a pensão alimentícia dos filhos. Hoje, os dois são amigos. “Outro dia ele fez uma serenata debaixo da minha janela”, conta.

Cissa Guimarães está feliz com sua volta às novelas mas já tem planos para quando terminar O Clone. Quer comandar um programa destinado ao público jovem. “É tipo um Caderno 2, com entretenimento e diversão”, diz, referindo-se ao programa exibido pela Rede Brasil. Enquanto isso, Cissa continua viajando nos fins de semana para seu sítio, em Secretário, na região serrana do Rio. Orgulhosa, ela conta que construiu o sítio sozinha e que o lugar virou uma espécie de refúgio para ela e os filhos. “Hoje estou aprendendo a lidar com a minha solidão mais pura. Enfim, descobri o prazer do ócio”, diz.

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