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Após
15 anos no comando de um quadro no Vídeo Show, Cissa
Guimarães resolveu dar uma guinada na carreira. Afastada
das novelas desde 1987, quanto atuou em O Direito de Amar, de Walter
Negrão, a atriz não titubeou quando recebeu o convite
da autora, Glória Perez, e do diretor Jayme Monjardim para
voltar aos folhetins e viver a Clarisse, em O Clone. Queria
trabalhar com ela há muito tempo. Acho a Cissa uma ótima
repórter, mas como atriz, ela é melhor ainda,
elogia Glória Perez.
A
perda gradativa de espaço no Vídeo Show fez
com que a atriz buscasse outro caminho. Antigamente era um
programa cult. Hoje ficou supérfluo e engraçado,
justifica. Ela conta que surpreendeu alguns amigos quando optou
por deixar a atração para ter um papel na trama de
Glória Perez. As pessoas me diziam: Vai largar
um programa no qual você é a estrela para fazer um
papel pequeno?, recorda Cissa, que não se arrependeu
da escolha.
Assim
como sua personagem que enfrenta a barra de ver o filho adolescente
envolvido com drogas , Cissa passou por situação
semelhante com um de seus filhos. Naquele momento, ela diz que o
mais importante foi estar presente e não fazer da situação
um drama. Hoje está tudo bem. O Tomás já
fumou como muitos adolescentes. Acho normal experimentar drogas
nesse período. O negócio é chegar junto e conversar,
em vez de criar um bicho de sete cabeças, acredita.
Na juventude, ela também passou por essa experiência.
Era poético, idealista. Um grito de independência
da geração dos anos 70.
Sua
independência, aliás, pode ser a razão de estar
sozinha hoje ela acredita que assusta um pouco os homens.
Cissa teve um casamento de 14 anos com o ator Paulo César
Pereio e um de quatro com o músico Raul Mascarenhas. No início
do ano, terminou um namoro de quatro anos. Eles acham que
não preciso deles porque seguro minha onda sozinha,
afirma. A atriz gosta dos homens que são capazes de surpreendê-la
com pequenos gestos de delicadeza, como sentar num restaurante e
chamar o garçom antes dela, abrir a porta do carro e oferecer
um isqueiro para acender o seu cigarro. Adoro ter um companheiro
e ser companheira, diz.
Mas
também sabe o valor de ser uma mulher independente. Mãe
de Tomás, 23, João, 18 da união com
Pereio e Rafael, 8, do casamento com Mascarenhas, ela mora
sozinha com os filhos e lembra que não foram poucas as vezes
em que precisou exercer o papel de pai e mãe ao mesmo tempo.
Uma delas foi em 1984, quando Cissa entrou com uma ação
na Justiça contra Paulo César Pereio para que ele
pagasse a pensão alimentícia dos filhos. Hoje, os
dois são amigos. Outro dia ele fez uma serenata debaixo
da minha janela, conta.
Cissa
Guimarães está feliz com sua volta às novelas
mas já tem planos para quando terminar O Clone. Quer
comandar um programa destinado ao público jovem. É
tipo um Caderno 2, com entretenimento e diversão,
diz, referindo-se ao programa exibido pela Rede Brasil. Enquanto
isso, Cissa continua viajando nos fins de semana para seu sítio,
em Secretário, na região serrana do Rio. Orgulhosa,
ela conta que construiu o sítio sozinha e que o lugar virou
uma espécie de refúgio para ela e os filhos. Hoje
estou aprendendo a lidar com a minha solidão mais pura. Enfim,
descobri o prazer do ócio, diz.
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