|
Querida
Solange: já pensou no seu velho Sargento indo visitar o bar
da Dona Jura? Que presentão, hein? Um beijo. Seu paizão,
Sargentelli. Assim que recebeu esse bilhete, a atriz Solange
Couto, 45 anos, a Jura de O Clone, ligou para Glória
Perez. Imediatamente, recebeu o sinal verde da autora e convidou
o homem que a lançou no cenário artístico,
nos anos 70, para participar da novela. Infelizmente, porém,
o reencontro do rei das mulatas com uma de suas maiores vedetes
teve um final infeliz. Durante a gravação da cena
em que Oswaldo Sargentelli visitava o bar da Jura, na sexta-feira
12 de abril, o sambista passou mal. No dia seguinte, morreu de parada
cardíaca. Desolada, a atriz encontrou consolo nas palavras
do filho do amigo. Ele queria morrer rodeado de mulatas e
tamborilando uma caixa de fósforos num botequim. Você
deu esse presente a ele, disse Oswaldo Sargentelli Filho.
Solange
conheceu o apresentador aos 16 anos, quando assistiu a um espetáculo
do sambista na extinta boate Sucata, no Rio. Fascinado com a beleza
da mulata, Sargentelli a convidou para ensaiar na tarde seguinte.
À noite, Solange estreou no palco, protagonizando 23 dos
26 quadros do show Saravá Iemanjá. Mãe
de Márcio Felipe, 27 anos, e Morena Mariah, 11, Solange mora
com os filhos na Barra da Tijuca, no Rio. No segundo casamento,
com o cantor Sidney Magal, não teve filhos, mas colecionou
histórias. Dos 18 aos 23 anos, quando ficou casada com o
cantor, a mulata testou a paciência com as milhares de fãs
do marido. Faziam excursões até minha casa e
ficavam de plantão na porta. Saía dirigindo o carro
com o Magal no porta-malas, lembra.
O motivo
da separação foi a fama que subiu à cabeça
do marido e o deixou mulherengo. Cansada das escapulidas do cantor,
a atriz resolveu deixá-lo. Saí antes da briga
ficar feia, porque o único homem que poderia pôr o
dedo na minha cara é meu pai, diz, referindo-se ao
aposentado Manoel, que se divertia ao ver a filha de 10 anos imitando
a chacrete Débora Lúcia, estrela do programa do Chacrinha
nos anos 60.
Além de lançar a amiga, Sargentelli ajudou na carreira
de Solange como atriz. Feliz ao passar no teste para a novela Os
Imigrantes, que a Bandeirantes levou ao ar em 1981, ela se assustou
ao saber que o salário era cinco vezes menor que o equivalente
a R$ 10 mil mensais recebidos nos shows do sambista. O próprio
apresentador, no entanto, se encarregou de solucionar o problema.
Ele me pagou quatro meses de trabalho até eu me estabilizar,
conta a atriz, que também atuou em Sinhá Moça
(1986), na Globo, e Kananga do Japão (1989), na Manchete.
Mas foi com o bordão Né brinquedo, não,
da enfezada Jura, que Solange reencontrou a fama. Ela criou a expressão
após ter seu carro fechado no trânsito, uma semana
antes de começar a gravar a novela. Falou dela a Glória
Perez e, após uma reunião, emplacou o bordão
como sucesso nacional.
Há
um mês, a atriz namora o colega Roberto Bonfim, que conhece
Solange desde os shows de mulatas. Éramos amigos. Até
que ela passou perto demais do meu barco pesqueiro, diverte-se
o ator. Há cinco anos, a mulata de formas perfeitas teve
uma alergia no rosto, tomou cortisona e viu seu corpo inchar. Passou
de 74 kg para 92 kg em dois meses. Hoje, com tratamentos fitoterápicos,
emagreceu 9 kg. Ainda assim, Solange passa por situações
embaraçosas, até mesmo quando querem lhe fazer elogios.
Já me apresentaram a alguém assim: Essa
mulher foi um monumento, conta a atriz, que não
perde a pose com as gafes e responde. Né brinquedo
não.
Voltar para especial O Clone
|