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29/04/2002

   

 

Henrique Meirelles
Treajetória de um vencedor - continuação

 
Hans Manteuffel/J.comércio/AE
Meirelles ao receber o prêmio de Personalidade do Ano na Flórida na quinta-feira 18

Com tantas atribuições, Meirelles passa em torno de 17 horas por semana em aviões. Dificilmente fica quatro dias seguidos numa mesma cidade. Divide sua rotina entre Boston, Nova York, para onde se mudou há dois anos, e Brasil. É em terras brasileiras, aliás, que o executivo pretende passar a maior parte do tempo agora. Pai de um filho do relacionamento com uma namorada antiga e casado pela primeira vez há menos de um ano – uniu-se à médica alemã Eva Hatch, que passou a adolescência no Brasil –, ele montou um dos escritórios globais do BankBoston em Goiânia e contempla a possibilidade de sair candidato ao Senado pelo PSDB.

A partir de junho, passará mais dias no Brasil que nos Estados Unidos. “Conto com o apoio do presidente Fernando Henrique e do governador Marconi Perillo”, diz ele, que tem trocado a platéia de banqueiros internacionais por sem-terra e estudantes goianos. Já visitou 35 das 246 cidades do Estado e dispõe de cerca de 7% das intenções de voto. Mas o desafio é grande. Sua concorrente à mesma indicação do partido, a deputada federal Lúcia Vânia, tem 45%. “Não cogito retirar minha pré-candidatura. Devo satisfações a esses eleitores”, diz ela.

A disputa por um cargo eletivo seria a retomada de um sonho interrompido na juventude. Criado numa família de políticos – seu avô foi prefeito de Anápolis três vezes, seu pai ocupou cargos na Secretaria do Estado de Goiás em duas ocasiões e teve um tio governador –, Henrique Meirelles fez parte do movimento estudantil em Goiânia. Liderou greves contra o preço das passagens de ônibus e de material escolar, mas com o golpe de 1964 tirou a política do horizonte. Ficou a experiência. “Foi quando aprendi a falar, a liderar e a
organizar equipes.”

Meirelles deixou Goiás para cursar engenharia em São Paulo. Depois fez mestrado no Rio. Começou na área de finanças e terminou formado em administração. Mais tarde estudou em Harvard. No Rio, surgiu o convite para trabalhar no BankBoston. Ele tinha quatro propostas de emprego. A do banco era a menos atrativa financeiramente e oferecia menos perspectivas, pois na época nenhum brasileiro havia atingido cargo de direção na instituição. Mesmo assim ele foi. “Foi decisão instintiva. Achei que era o trabalho que me oferecia mais conhecimento e experiência.”

O instinto, aliás, é uma ferramenta importante para o executivo. “Procuro alimentar minha intuição de todos os dados racionais possíveis”, diz ele. Quando mudou-se para Boston, passou sete meses num hotel até encontrar um apartamento onde se sentisse bem. Depois vendeu o imóvel e até comprar a casa de seus sonhos enfrentou nova maratona. Nas duas ocasiões, fez excelentes negócios. Os imóveis tiveram uma valorização tão grande a ponto de ele ter sido chamado pelos jornais de Boston como um guru do ramo imobiliário.

A esta altura também poderia ser um guru do mundo executivo. Ou simplesmente viver da aposentadoria já assegurada no BankBoston por ter cumprido as metas estabelecidas com o conselho do banco. Mas Henrique Meirelles é inquieto e workaholic. Se não sair candidato este ano, deverá fazê-lo em 2006. E cita o exemplo de seu pai, o advogado Hegesipo Meirelles, 92 anos, que se aposentou há poucos meses. “Quando ele parou, ele piorou de saúde. A vitalidade dele é mantida pelo trabalho, pela ação, pelo movimento, pela preocupação. Agora ele já fala em voltar a trabalhar”, diz, sorrindo.

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