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29/04/2002

   
A cirurgia espírita de Paula
Rubens Chaves
Ela crê no espiritismo há 20 anos
Maria Paula Gonçalves, a Magic Paula, 40 anos, ex-jogadora de basquete, descobriu a religião espírita na dor. “Fui procurar o espiritismo no desespero, há 20 anos. Estava com um problema muito sério no joelho esquerdo, mas não queria operar porque sabia de muito atletas que fizeram cirurgia e jamais voltaram a jogar normalmente.” Seguindo sugestão de uma colega fisioterapeuta, Paula foi até um santuário em Leme (SP) e fez uma cirurgia espírita. “Não conhecia nada de espiritismo, achei que fosse ver pessoas caindo no chão, estava com medo”, diz. Mas, na hora, encontrou tranqüilidade, luzes apagadas e teve seu joelho curado. “Sentia as dores físicas da recuperação, não podia nem dirigir”, comenta. Os médicos com quem se consultou, ela conta, disseram que Paula tinha “problemas na cabeça” por estar se submetendo àquilo.
Ao invés de freqüentar centros espíritas, atualmente Paula prefere fazer suas sessões de relaxamento e oração sozinha. “As pessoas procuram essa religião porque é o momento de achar o teu ser, coisa que não acontece com a igreja católica que nos coloca sermões que não têm nada a ver com a nossa vida”, opina. Para recarregar as energias e concentrar-se em sua própria espiritualidade, Paula costuma ficar sozinha no escuro, ouvindo uma música tranqüila e mentalizando coisas boas.

 

Capa
Eles são espíritas - continuação

 

A doutrina espírita existe desde 1857, quando O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, foi publicado em Paris. Kardec era um educador que trabalhava no Ministério da Educação, na França. “Ele não era espírita e não acreditava em nada, mas de tanto ler nos jornais notícias de manifestações de espíritos, passou a estudar o assunto”, conta a antropóloga Céres Medina, da PUC-SP. Kardec fez uma pesquisa detalhada em torno de um médium com todos os cuidados para evitar fraudes. “Ele fez mais de mil perguntas e comparou as respostas com as obtidas por outros pesquisadores da época. As respostas, coincidentes, estão em O Livro dos Espíritos.” A doutrina baseia-se nos seguintes preceitos: acreditar na existência do espírito, na reencarnação e na possibilidade de comunicação entre mortos e vivos. Para os espíritas, diferente dos católicos, Jesus Cristo foi um homem comum. Mas que, após passar por várias encarnações, chegou à última como um espírito elevado. “O espírita não pede ajuda aos santos, mas aos espíritos evoluídos”, explica Céres.

Foi o que aconteceu no nascimento da dançarina Scheila Carvalho, 28 anos, do grupo É o Tchan!. Sua mãe, Eunice Ladeira, ia batizá-la de Sandra. Na hora do parto, sofrendo complicações, pensou numa entidade que chamava de irmã Sheila. “Fui cuspida”, conta a dançarina. Eunice confirma: “Ela estava virada ao contrário, fiz um trabalho espiritual e ela saiu na hora”. Aos 10 anos, Scheila passou a freqüentar centros espíritas em Juiz de Fora, onde nasceu. Leu vários livros sobre o kardecismo e devorou a coleção da médium Zibia Gaspareto.

A história que mais mexeu com a espiritualidade de Scheila aconteceu um mês depois de seu pai morrer. Ela fazia 23 anos e a data só foi celebrada com uma reunião em família. Na hora de partir o bolo, sua mãe disse: “Só faltava seu pai aqui para te dar os parabéns”. Na mesma noite, Scheila sonhou que dormia em seu quarto e, ao levantar para ir ao banheiro, encontrou o pai, Waltencyr. “Quem disse que eu ia me esquecer do seu aniversário?”, disse-lhe, no sonho. “E ele estava de braços abertos”, conta Scheila, emocionada. “Nos abraçamos e em seguida senti um tremor e acordei chorando. Acredito que aquilo não foi só um sonho, foi um reencontro.”

A ex-jogadora de basquete Maria Paula Gonçalves, a Magic Paula, também viveu uma experiência marcante. Crê ter tido um reencontro com o pai, morto por um câncer há quatro anos. “Fazia uma sessão de reiki (energização com as mãos), quando a pessoa disse que estava se sentindo mal e precisava sair da sala. Ao voltar, a senhora trouxe em mãos uma carta do meu pai, psicografada por ela”, conta Paula, com lágrimas nos olhos. A mulher, segundo Paula, não conhecia ninguém da família dela, muito menos as particularidades do seu pai descritas na carta. “Sofri muito pelo meu ateísmo. Quanto tempo eu perdi por não conhecer Deus!”, dizia o pai, que era ateu. Na carta, também pedia desculpas por não ter afagado a filha o bastante. “A carta é ele. Ele era uma pessoa fechada. E aquilo veio até mim sem eu procurar, foi uma comunicação. Se estivessem escritas coisas como ‘aqui é lindo, cheio de flores’, eu não iria acreditar”, diz ela.

O jogador de vôlei Alexandre Samuel, o Tande, 32 anos, espírita desde a infância, perdeu a mãe no início deste mês e encontrou conforto na religião. “Nada é por acaso, tudo tem sua hora”, diz ele. Casado com a atriz Lizandra Souto e pai de Yasmim, de dois anos e meio, Tande freqüenta com toda a família um centro espírita às quintas-feiras. Em casa, repete um hábito que seu pai, o médico Alexandre Ramos Samuel, introduziu quando Tande tinha sete anos. Sempre que a agenda permite, o atleta reúne a esposa e a filha e senta com elas ao redor de uma mesa com uma jarra com água fluidificada (energizada pelos espíritos) ao centro, ao lado do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Após darem às mãos, pedem proteção, lêem e debatem uma passagem do livro. “A doutrina espírita ensina que já é hora das pessoas procurarem evoluir para algo além dos objetivos materiais”, diz ele.

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